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The Unfinished Swan
DR The Unfinished Swan

‘The Unfinished Swan’ convida-nos a pintar o mundo

Nos seus melhores momentos, ‘The Unfinished Swan’ é uma experiência mágica. Mas tenta ser e fazer demasiadas coisas diferentes.

Por Luís Filipe Rodrigues
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★★★☆☆

O ecrã lembra uma página em branco. A única coisa que vemos diante de nós é uma espécie de mira, ou melhor, o contorno negro de um pequeno círculo. Não há qualquer tutorial, nenhuma indicação dos botões que devemos usar, nem do que devemos fazer. Depois de um breve processo de tentativa e erro, percebemos que é possível lançar bolas de tinta negra e, à medida que pintamos o mundo, vamos revelando os seus contornos e explorando o meio envolvente. É assim que começa The Unfinished Swan, já disponível para PC e iPhone (além das consolas da Sony, onde saiu pela primeira vez há uns anos).

Aliás, The Unfinished Swan começa antes. Primeiro há os créditos iniciais e um menu minimalista. Há ainda uma introdução narrativa que lembra um conto de fadas e versa sobre uma mãe distante que estava constantemente a começar novos projectos, antes de concluir os anteriores, e o filho que ficou órfão, também ele incompleto, e um dia se propôs a concluir um dos muitos quadros que a mãe deixou a meio, o tal cisne inacabado do título. A narração desta sequência e a simplicidade das ilustrações são encantadoras. 

Só depois começamos a jogar. É então que o ecrã fica todo branco. Temos de ser nós a pintá-lo, a definir os seus contornos. Se os estúdios Giant Sparrow tivessem tido a coragem e a capacidade de manter este conceito e estendê-lo ao longo dos sucessivos labirintos e quebra-cabeças, estaríamos perante um clássico comparável ao Tetris. Mas não. Ao longo de três horas e quatro capítulos são introduzidas novas mecânicas, umas atrás das outras: numa sequência temos de mover alavancas; noutra temos de regar e escalar umas vinhas; a dada altura temos de fazer cair e rebolar lanternas, porque a sua luz protege-nos de umas aranhas gigantes; mais tarde, temos de pintar degraus para chegarmos aonde queremos.

Tudo isto acontece enquanto perseguimos um cisne por um mundo efabulado, e vai sendo narrada a história de um rei solitário (Terry Gilliam, o realizador e antigo membro dos Monty Python) e cada vez mais isolado dos seus súbditos. Porém, nunca é óbvio como é que tudo isto se relaciona com o menino órfão e o legado da sua mãe. Algumas pessoas poderão gostar dessa ambiguidade e descrevê-la como “poética”, mas muitas vão achar que ficou demasiado por contar, que faltam peças a este puzzle.

Por um lado, é impressionante que um videojogo consiga explorar tantas ideias com um leque tão limitado de movimentos – inicialmente, o jogador apenas pode deslocar-se num mapa tridimensional, saltar, e disparar bolas de tinta ou água; na recta final da aventura, ganha a capacidade de desenhar e moldar uns paralelepípedos que pode usar como plataformas. A inventividade dos autores merece ser louvada. Por outro lado, esta ânsia exploratória e excesso de criatividade comprometem a experiência global e não deixam o jogo respirar, nem a sua história ser devidamente contada.

Lançado pela primeira vez em 2012, na PlayStation 3 (PS3), e dois anos mais tarde nas consolas PS4 e PS Vita, The Unfinished Swan foi o primeiro opus dos estúdios Giant Sparrow, cujo segundo e mais recente jogo, What Remains of Edith Finch (2017), foi um dos melhores da década passada. E a linhagem é óbvia. Ambos revelam um fascínio pelo potencial infinito e literário dos videojogos, pelas formas como eles podem ser usados para contar histórias; ambos exploram diferentes mecânicas e tipos de jogabilidade. Mas o título de 2017 é mais ambicioso e coerente, o seu enredo é tocante e adulto. Enquanto o de 2012 agora reeditado parece… inacabado. Ainda assim, é uma experiência única. Ontem, hoje e amanhã.

Disponível para iOS, PC, PlayStation 3, PlayStation 4 e PlayStation Vita.

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