Joana Gomes Cardoso: "Queremos os nossos espaços ao serviço dos jovens"

A presidente da EGEAC, empresa que gere os espaços culturais da Câmara, fala-nos sobre a programação do Abril em Lisboa
Joana Gomes Cardoso
©José Frade
Por Francisca Dias Real |
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Celebrar a liberdade com os olhos postos na actualidade é a premissa em mais uma edição do Abril em Lisboa, promovido pela EGEAC, que começa esta sexta, dia 6, até 30 de Abril. A programação desta edição dá especial voz e atenção a histórias contadas no feminino.

Falámos com Joana Gomes Cardoso, presidente da EGEAC, que nos explicou que a programação não está agarrada ao passado e que traz à tona muitas questões da actualidade.

Três perguntas a Joana Gomes Cardoso

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Nunca se falou tanto de feminismo e igualdade de género como agora. E estamos a celebrar o mês da liberdade, onde voltámos a ganhar muitos dos direitos perdidos com a ditadura. Vocês quiseram fazer uma ponte entre esses dois factores?

Este ano mantivemos a essência de uma programação dedicada à cidadania e a grandes questões da actualidade, aos direitos humanos. Mas quisemos dar um passo mais específico com este olhar sobre as mulheres, quer as da actualidade quer as do passado. Não temos dúvida de que os testemunhos das mulheres ficaram esquecidos, ou estão mais apagados. É mais imediato pensar nos Capitães de Abril – sem lhes tirar o mérito –, mas houve muitas mulheres que tiveram um papel fundamental, por isso quisemos homenageá-las, através de testemunhos reais de mulheres.

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Que novidades podemos encontrar este ano em relação ao ano passado?

A ideia dos pianos, por exemplo. A ideia não é nova, já foi feito lá fora mas decidimos fazê-la cá num apelo à espontaneidade. Como a música é uma linguagem universal achámos que isto é uma forma de união, de espontaneidade, de multiculturalidade. Queríamos que o piano fosse um objecto democrático, até porque normalmente está associado a outros ambientes – queríamos trazer para a rua um elemento disruptivo.  Outro exemplo é o Festival Política que vem tocar temas internacionais, e actuais, o speed dating com os deputados permite conhecê-los fora de um contexto formal que é a Assembleia.

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Uma vez que o Abril em Lisboa tem na sua origem a celebração da liberdade, do 25 de Abril, a programação acaba por ficar muito presa ao passado?

Na EGEAC partimos da ideia de valorizar as memórias da cidade, e não há dúvida que o 25 de Abril passou-se muito aqui na nossa cidade. Há uma vontade por um lado de ficar agarrado ao passado de certa forma, mas a questão é que temos um público mais jovem que apesar de estar dentro dessa realidade não a viveu e quer pensar numa dimensão mais global. Inspira-se claro nos valores de Abril, mas é uma programação transversal, que vai buscar muitos temas actuais e que é bom para não estarmos só fechados sob nós próprios. É um apelo ao envolvimento da sociedade civil.Temos de ter em atenção a idade da nossa democracia, e queremos trazer as camadas mais jovens a uma maior participação cívica. A ideia base é pôr ao dispor os nossos espaços ao serviço dessa abertura e dessa vontade de uma maior participação.

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