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Spiritfarer
DR Spiritfarer

Viver e morrer em ‘Spiritfarer’

‘Spiritfarer’ é um jogo sobre a morte e o luto, mas não é pesaroso. Antes pelo contrário.

Por Luís Filipe Rodrigues
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★★★★☆

A maior parte dos videojogos trivializa a morte. Nicolas Guérin passou mais de uma década a contribuir directa e indirectamente para essa banalização. Até 2017 trabalhava para a Ubisoft e ajudava a desenvolver os níveis e sistemas de jogo da popular série Assassin’s Creed, onde matamos dezenas de inimigos, de pessoas, como se nada fosse. No entanto, em Spiritfarer quis fazer algo diferente: um jogo sem violência, onde a morte não é uma consequência das acções do jogador, mas algo com que temos de lidar. E aceitar.

Spiritfarer é descrito como “um reconfortante jogo de gestão sobre a morte”. E a descrição oficial é certeira. Quando a história começa, a protagonista, Stella, e o seu gato, Daffodil, estão a ser guiados para o além por Caronte, o barqueiro de Hades da mitologia clássica, que lhes comunica que se vai reformar e cabe a Stella substituí-lo. É o começo de uma aventura afetuosa, e de certa forma relaxante, a bordo de um barco onde se acolhem e aconchegam as almas penadas, que é necessário apaziguar para que possam finalmente partir para o além.

Ao início, apenas uma velha amiga acompanha Stella e o seu gato nesta viagem, mas com o tempo vão aparecendo outros passageiros, ilustrados como se fossem grandes animais antropomórficos – a estética é inspirada nos filmes animados da Disney e do Studio Ghibli. Sempre que um novo personagem se junta a nós, ganhamos acesso a novos mini-jogos e actividades. Isto repete-se ao longo de 30 a 40 horas, durante as quais o principal objectivo do jogador é cuidar e preocupar-se com os outros, e ajudá-los a fazer as pazes com a morte (e com o passado). 

É necessário, literalmente, abraçar, alimentar, ouvir e tentar resolver os problemas dos outros. Para isso, temos de viajar por um vasto oceano, pescar, plantar frutos e vegetais ou reunir recursos, como madeiras ou minérios, nas várias ilhas espalhadas pelo mapa, que exploramos e onde saltamos como num jogo de plataformas. As matérias-primas achadas nestas expedições podem depois ser transformados noutros materiais necessários para construir tudo e mais alguma coisa, desde fábricas a casas para os vários personagens e até móveis e objectos de decoração.

A construção e gestão de recursos – a par das deslocações pelo mapa – ocupam a maior parte do tempo, mas são secundárias. São coisas que se fazem com calma e sem pressão, ao ritmo de cada um, enquanto o que é realmente importante vai acontecendo. E o que é importante, no jogo como na vida, são as pequenas conversas com os companheiros de viagem. Têm piada e estão tão bem escritas que, mais cedo ou mais tarde, nos afeiçoamos a todos eles. 

Eventualmente, um a um, todos vão anunciar que estão prontos para partirem para o além e abandonarão o nosso barco. Na maior parte dos casos, vamos querer adiar esta partida, passar mais alguns tempos a cozinhar os pratos favoritos daqueles que nos vão deixar, ou só a abraçá-los, mas temos de os deixar partir. Afinal, é a única maneira de progredirmos. Em Spiritfarer, como na vida. Por muito que nos custe.

Disponível para PC, PlayStation 4, Stadia, Switch e Xbox One.

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