A Time Out na sua caixa de entrada

Procurar
cogumelos
Fotografia: Raquel Dias da SilvaLepista nuda

A magia dos cogumelos e onde comprar kits para produzir em casa

Sabia que os cogumelos têm super-poderes? Aprenda tudo sobre estes fungos e mande vir kits para produzir em casa.

https://media.timeout.com/images/105796494/image.jpg
https://d32dbz94xv1iru.cloudfront.net/customer_photos/14d3bbef-59cc-4753-a960-2f64c64804b1.jpg
Escrito por
Raquel Dias da Silva
e
Sebastião Almeida
Publicidade

Sanchas, míscaros, boletos, rebiós e até cantarelos. Em Portugal, há dezenas de variedades comestíveis de cogumelos, mas estes são os mais comuns e apreciados à mesa. Os festins gastronómicos feitos de norte a sul do país à volta destes fungos são tão certos como as primeiras chuvas de Outono. E esta é, portanto, a altura deles. Mesmo quem não é grande apreciador admite a beleza e a flexibilidade gastronómica desta iguaria efémera e saborosa – e por vezes até perigosa. Mas as suas virtudes facilmente transbordam do prato. Os cogumelos não são apenas os protagonistas de risotos e rissóis de encher o olho. Fazem parte de um reino com características especiais, o dos fungos, entre as plantas e os animais, exercendo um enorme fascínio sobre muitos humanos. Os seus topos em forma de cone, por exemplo, podem ser considerados uma espécie de “fruto”, como uma maçã presa a uma enorme macieira – neste caso ao micélio, uma estrutura filamentosa, como uma rede emaranhada, como se de uma Internet natural da Terra se tratasse. E não só.

Recomendado: Seja um naturalista: passeios e workshops para respirar ar puro

A magia dos cogumelos

Fotografia: Raquel Dias da Silva

“Os cogumelos são as frutificações da grande árvore que está essencialmente debaixo dos nossos pés e o fascinante [destes organismos] é o impacto que eles têm nos ecossistemas onde se encontram”, conta à Time Out o especialista Rui Simões, co-fundador da associação Ecofungos, que divulga e promove o património micológico do país. “[Os micorrízicos] estabelecem relações simbióticas com plantas, tornando-as mais saudáveis e resistentes. [Os sapróbios] contribuem para a decomposição de matéria orgânica morta. E até os parasitas, que consomem os seus hospedeiros, acabam por ser uma fonte de vida, porque os reciclam, para que novos seres vivos possam crescer a partir daí.” Como o Cordyceps sinensis, um cogumelo raro e exótico, que brota do corpo de lagartas, nas montanhas dos Himalaias, e é utilizado há muito tempo na medicina tradicional chinesa.

Fotografia: Fungitech

No Ocidente, as propriedades terapêuticas de diferentes espécies de cogumelos também são alvo de investigação e têm-se registado resultados promissores, inclusive em estudos portugueses. A engenheira agrónoma Aida Costa confirma. “O FungiTech, promovido pela Floresta Viva [empresa onde trabalha] e pela UTAD [Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro], que procura desenvolver soluções inovadoras no sector da produção de cogumelos, também contribui para o conhecimento científico acerca do seu valor nutracêutico e medicinal.” No âmbito deste projecto, foi anunciado, em Novembro de 2019, como os shiitake (Lentinula edodes) têm potencialidades antibacterianas que podem ser usadas no tratamento de doenças como o pé diabético. Mas não é só na saúde que os fungos dão frutos. A economia circular também beneficia dos seus superpoderes.

Publicidade
Fotografia: Gabriell Vieira

Da SpawnFoam, que cria novos materiais a partir de um fungo dos cogumelos, até à Nãm, que faz nascer cogumelos a partir de borras de café e utiliza o desperdício do processo para o cultivo de legumes e outros vegetais, são várias as startups a aproveitá-los para criar valor acrescentado. “Na natureza, os cogumelos transformam ‘lixo’ em ‘recurso’. Na cidade, estamos a tentar fazer o mesmo, porque é uma forma de a tornar mais verde, mas também mais rentável e resiliente”, garante o produtor Natan Jacquemin, que inaugurou a sua quinta urbana em Janeiro de 2020 e já fornece vários mercados e restaurantes de Lisboa com cogumelos ostra (Pleurotus).

Fotografia: Gabriell Vieira

Não é o caso do Plano, restaurante de Vítor Adão, mas podia ser. O chef flaviense colhe alguns dos cogumelos directamente da terra e trabalha com produtores locais. Ainda assim, reconhece que “os cogumelos estiveram sempre presentes na cozinha, embora não fossem totalmente consensuais, sobretudo devido ao desconhecimento e ao medo”. A fauna, a flora, todo o contexto e o ambiente que rodeiam o cogumelo, têm influência sobre ele, diz-nos. “É por isso que têm características muito próprias”. Adão trabalha com espécies provenientes de três solos diferentes: dos carvalhos, retira Boletus edulis e Amanitas caesarea; dos castanheiros Boletus aereus e Lactarius deliciosus; e dos lameiros Macrolepiotas procera. O importante é mesmo ter conhecimento para saber como aproveitar os produtos e jogar com a sua complexidade.

Publicidade
Fotografia: Raquel Dias da Silva

Se por acaso nem aprecia especialmente cogumelos e continua sem perceber o fascínio, pense neles como uma obra de arte natural, capaz de inspirar até artistas sonoros, como o Mestre André, que gosta de fazer gravações de campo. “Não sei como surgiu o interesse, sinceramente, mas a certa altura cruzei-me com um workshop, fui fazer e foi brutal”, diz entusiasmado o autodidacta. “É porreiro identificá-los.” “Todo o universo dos fungos é assim tão fora e ao mesmo tempo relaciona-se connosco. Na verdade, sem eles, não havia tudo o que é necessário à vida no planeta.”

Onde comprar kits para cultivar cogumelos em casa

Esta não é uma caixa qualquer: é uma caixa para produzir cogumelos frescos no balcão da cozinha ou no parapeito da janela – onde quiser, para dizer a verdade. Quando vemos vídeos até parece magia, mas este kit ecológico só precisa que o borrife duas vezes por dia. Em menos de um mês, terá uma colheita de fazer inveja. Apesar da equipa por trás da ideia ter morada no Fundão, a Cogus Box está à distância de um clique.

Preço: 12€

O que começou como uma pequena cave em Lisboa acabou por se tornar na primeira quinta urbana de economia circular em Portugal. Do desperdício de café, a Nãm produz cogumelos deliciosos – e convida-o a fazer o mesmo com este kit de cultivo, que vem com borras de bicas da Delta e micélio para misturar tudo e fazer crescer novos cogumelos em apenas algumas semanas.

Preço: 12,50€

Publicidade
Shimejito
Fotografia: Shimejito

3. Shimejito

Esta premiada startup brasileira, que promove a chamada agricultura 4.0, apresentou-se pela primeira vez em 2018, na Web Summit. Desde então são várias as unidades produtivas no Fundão, onde a primeira BioFábrica Shimejito foi recentemente inaugurada. Além de uma subscrição de cogumelos (9,90€-16,90€, disponível nos concelhos do Fundão, Covilhã, Lisboa e Porto), Adriel Oliveira, mentor do projecto, também está disponível para o tornar proprietário da sua própria quinta sustentável, mesmo que seja só num cantinho da sua casa.

Preço: sob consulta

Coisas para fazer ao ar livre

  • Coisas para fazer

Quanto ao kit de sobrevivência, calçado e roupa confortável são a recomendação da praxe, à qual acresce agora o álcool-gel e uma máscara, para qualquer eventualidade. Junte a família ou um grupo de amigos e desfrute destes passeios e caminhadas, ao mesmo tempo que aprende umas coisas e pratica algum exercício. E não se esqueça de andar longe dos outros, à distância e sem atropelos.

  • Coisas para fazer

Custa admitir, mas tem de ser: é raro darmos conta da paisagem lá em cima, a não ser quando as notícias sobre fenómenos astronómicos pontuais – como chuvas de meteoros, eclipses e super luas – invadem as redes sociais. De repente, não há ninguém que não queira olhar para o céu, mas a beleza celestial está disponível o ano inteiro, com as suas estrelas, planetas, galáxias e cometas.

Recomendado
    Também poderá gostar
      Publicidade