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Luis Ferraz

De mãos na argila: descubra estas marcas portuguesas de cerâmica

De decoração ou com utilidade, conheça estas marcas portuguesas de cerâmica e apoie o que é local.

Escrito por
Francisca Dias Real
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A tranquilidade terapêutica da cerâmica levou muito boa gente a enveredar por cursos deste ofício, mesmo nada tendo a ver com a respectiva profissão. As rodas de oleiro, as fornadas, os vidrados, as argilas, os moldes e as cores agarraram o coração de quem sempre achou que meter as mãos na massa era tarefa para os outros. Há quem o faça há anos e faça disto a sua profissão a tempo inteiro, há outros que dão agora os primeiros passos – de uma forma ou de outra todos chegam até nós com a fragilidade e delicadeza de uma peça cerâmica, seja ela perfeitinha ou tosca. Há por aí uma nova geração de artesãos da terra e, por isso, atirámos o barro à parede para perceber que ceramistas o apanhavam. Descubra algumas das melhores marcas portuguesas de cerâmica. 

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Descubra estas marcas portuguesas de cerâmica

É sempre Natal na hora de abrir o forno neste armazém na Estrada de Manique. Não saem de lá pãezinhos quentes, mas antes peças de cerâmica únicas, meio toscas e claramente trabalhadas com o charme e poder das técnicas artesanais, que finalmente podem estar no armário de casa de qualquer comensal. O famoso ateliê de cerâmica Studioneves, dos brasileiros Gabi Neves e Alex Hell, dedicado às cerâmicas de autor para restauração, lançou este Verão pela primeira vez uma linha de casa, acessível a todos online. Esta primeira coleccção foi criada com base num blend de massa único, e inclui nove modelos, entre pratos, taças e copos, todos disponíveis em branco, rosa e azul turquesa. Haverá nova colecção em breve. 

Abriu loja em Lisboa, mas fechou-a. Não é por isso, no entanto, que a ceramista francesa Cécile Mestelan deixou de trabalhar a massa – agora fá-lo num novo ateliê no mesmo bairro e com o mesmo vigor de sempre. Pratos grandes, outros mais pequenos, taças, chávenas de café, copos, caixas ou bules – tudo feito cuidadosamente à mão, tornando cada peça única, e com um leque de cores que salta à vista. A loja online é o principal veículo de vendas, mas é possível fazer marcação para visitar o ateliê, onde a ceramista recebe também quem quer não só uma, nem duas peças, mas uma colecção inteira personalizada.

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Rita Machado descobriu o seu amor pela cerâmica e é ela que todos os dias põe as mãos na massa para fazer nascer as peças especiais da clementinAtelier, que remetem quase sempre um universo da natureza e com texturas incríveis, das jarras aos pratos. Tudo combina harmoniosamente, como se de uma família de peças se tratasse, colecção após colecção. 

A Grauº Cerâmica é um rebento da pandemia. Ganhou forças alimentado pelo tempo livre e pela vontade em pôr as mãos na massa de Isac Coimbra e Diogo Ferreira. O ponto de partida foram as máscaras de cerâmica, num estilo a que Isac e Diogo gostam de chamar “novo tribal”, a propósito da ligação de ambos ao continente africano e à arte tribal daquelas terras, onde foram buscar inspiração, reinterpretando-a. O leque cresceu para os móbiles, para os jarros e algumas peças de tablewear. É tudo feito à mão no pequeno estúdio, apenas a cozedura é feita fora. As peças da dupla continuam à venda no Instagram, no Facebook e no Etsy, para chegar a um público internacional. 

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Peças toscas, rugosas e minimalistas – é como a Ramos Cerâmica se mostra ao mundo, a nova marca que traz cerâmica de autor e peças de edição limitada a um preço justo e acessível, ao mesmo tempo que quer combater o desperdício. Patrícia Gonçalves é o rosto e as mãos que trabalham a argila da Ramos Cerâmica, que produz peças limitadas e únicas de forma artesanal. Para combater o desperdício, Patrícia criou também uma colecção composta pelas peças maquete, que vai produzindo ao longo do processo criativo até chegar às peças da colecção final. Estão para venda no site e algumas lojas, mas quem quiser deitar-lhes o olho pode marcar uma visita ao ateliê em Lisboa através do email hello@ramosceramica.com

A Reshape quer voltar a dar forma à comunidade prisional através da cerâmica, mas com as mãos dos reclusos. O projecto, que está sob alçada da APAC, quer criar postos de trabalho e oportunidades de reinserção destas pessoas na socidade. Como? Através do exercício terapêutico que é a cerâmica, criando a marca Reshape Ceramics. Para já vende-se online e foca-se nas peças utilitárias de tableware como pratos, copos, bowls ou argolas de guardanapos. 

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O seu nome dá nome à marca. Ana Marta estudou escultura em Belas Artes, altura em que veio à tona a sua paixão por cerâmica, que se tornou no ponto-chave do seu trabalho. Com inspiração no universo feminino cru e na natureza, são peças moldadas à mão que ganham formas e texturas consoante a pasta que utiliza. Pode encontrá-la no Instagram.

Esta é cerâmica 100% portuguesa, claro, e uma marca com preocupações éticas e sustentáveis na produção das respectivas peças. Dedicam-se sobretudo ao fabrico de peças para a mesa, com conjuntos minimalistas de pratos e bowls simples, sempre com colecções novas a cada temporada. É estar atento.

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As peças da Bisarro remontam também à tradição do barro negro, feito a partir da velha técnica da Soenga, um forno artesanal feito no solo que está na base do processo de transformação da cor do barro. O que a Bisarro tenta fazer é o equilíbrio entre a tradição ancestral e o design actual e utilidade das peças.

Anna Westerlund
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  • Chiado

As criações em cerâmica de Anna Westerlund andavam por aqui e por ali, entre o site e as concept stores de Lisboa, mas desde que abriu a (TOGETHER), a sua loja no Chiado, que a marca deu aquele passo que precisava para se consolidar à séria e mostrar ao público este trabalho artesanal. Mais conhecida pelas peças de cerâmica coloridas, Anna Westerlund atirou-se também para o campeonato dos acessórios, com colecções de brincos que misturam vários materiais. As peças, feitas à mão, são únicas e podem juntar metal e missangas de porcelana. 

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A cerâmica negra faz parte da história ancestral do norte do país, que utiliza uma técnica que torna o barro negro sem usar qualquer pigmento de cor. Uma técnica que hoje já poucos se dedicam a ela, o que a torna única. A The Kiln Company encarrega-se, através de processos artesanais e de forma sustentável, de manter parte dessa tradição viva, assim como a natureza. 

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  • Lisboa

Serve de loja e de ateliê de cerâmica. Fica em Lisboa este estúdio criativo criado por Maud Téphany e Ursula Duarte, que é palco de workshops regulares de cerâmica, sempre em pequenos grupos para garantir um acompanhamento mais personalizado e toda a segurança. O espaço alberga também uma galeria e loja onde se vendem as peças que a dupla vai criando e dos próprios artistas residentes do Sedimento Studio.

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Mariana Poppe começou a participar em workshops nos tempos livres e apanhou-lhe o gosto, coisa que culminou na criação do seu próprio ateliê de cerâmica. Todas as peças da marca são feitas pela ceramista, à mão e com processos artesanais, e sempre em pequenas quantidades de cada vez, não havendo duas peças iguais. As suas criações são simples, minimalistas e o mais utilitárias possível.

Nascida em 2015 numa mesa de café em Berlim, a Madre é uma marca a pensar nos que passam a vida na cozinha e no escritório, tal como as designers responsáveis, Ana Areias e Raquel Rei. As linhas minimalistas e a versatilidade de cada peça marcam uma oferta feita em cerâmica, barro vermelho e vidro, com apontamentos em latão e em madeira. Copos, tábuas, pisa-papéis e vasos são alguns exemplos do que pode encontrar. A dupla de designers vai desenvolvendo edições limitadas onde testa materiais, técnicas novas e experimenta colaborações com outros artistas. Pode comprar online

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Os curtos anos de vida da Malga chegaram e sobraram para que Mariana Filipe conseguisse pôr as suas peças em todo o lado, de Lisboa a Grândola, Santarém, Porto ou Comporta. A Malga vem dos tempos em que Mariana se lembra de os pais cozinharem em panelas de barro, e do mestrado em design de produto que acabaria por ser aplicado na cerâmica. Aprendeu a modelar em roda de oleiro – e continua a usá-la. Dela nasceram os Cochos, a colecção  em barro vidrado, com pratos, taças, chávenas, conchas e cortiços (pratos-tábua) e um sem número de encomendas personalizadas. Há ainda uma colecção de peças úteis para a casa. 

Fundada em 2010, a marca Margarida Fabrica, criada por Margarida M. Fernandes, continua firme e hirta na produção artesanal de cerâmica. As peças de Margarida inserem-se quase sempre no universo da cozinha e em tudo o que é utilidade no dia-a-dia. Há copos, pratos, tigelas, jarras e até candeeiros, tudo discreto e minimalista.  

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Inspirada na azulejaria dos edifícios de Olhão, de onde é originária, a Casa Cubista é conhecida pelos seus traços e cores que aliam a tradição cerâmica à modernidade das criações. Pratos e pratinhos, jarros e jarrões, é escolher a colecção e ir fazendo pandã com esta ou aquela peça.

Maria Joana Duarte é a ceramista por detrás da Lagrima Studio. Formada em design de moda, organiza as colecções como mandam as estações do ano. Faz uma pesquisa de imagens, cores, espaços e tendências, que depois servem de base para criar peças novas. É no seu estúdio no Porto que, com pasta cerâmica, tintas próprias e vidrado, dá largas à imaginação e produz artesanalmente objectos únicos. Há taças, copos para chá ou café, jarras e tábuas. Está à venda em várias lojas no país, mas é online o maior canal de vendas.

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Marta Malheiro dá o corpo ao manifesto pelo seu pequeno ateliê e pela marca Barro Alto, bem conhecida pelos pequenos vasos que são pés, com ou sem unha pintada. As peças feitas em barro de Trás-os-Montes são toscas – como manda a técnica artesanal – e provocativas, sendo que muitas delas ganham vida com boca, nariz e olhos.

“Nunca me imaginei a fazer cerâmica.” Quem o diz é Patrícia Lobo, artista que assina os candeeiros mais cobiçados de Lisboa. Já passou pela televisão, cinema, publicidade e teatro, mas trabalhar com as mãos passou a ser o seu mantra. Fez aulas de roda de oleiro e, embora já não a use, foi um bom ponto de partida para o que viria a seguir: a remodelação da sua própria casa. Fez os azulejos da cozinha e da casa de banho e, quando chegou a altura de pensar nos candeeiros, não encontrou nada em cerâmica com o design que procurava. Vai daí, criou-os. Linhas simples, estética forte, facilmente adaptável a qualquer estilo. Patrícia tem a colecção de candeeiros de tecto e de parede à venda no site e em algumas lojas em Lisboa, como a Maria do Mar e a June Studios.

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A FAM, que se traduz por Feito à Mão, quer promover o artesanato português na sua essência mais pura mas com uma imagem contemporânea. É o sr. Joaquim, ceramista no Porto desde 1985, que faz artesanalmente todas as peças da marca que resultam de projectos de vários artistas, sendo depois lançadas em colecções limitadas. Há jarras, pratos, mesas ou azulejos para encomendar no site.

Marcas portuguesas

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A t-shirt propriamente dita (a clássica branca de algodão) começou por ser usada por militares americanos a partir do início do século XX. Foi popularizada pelo cinema na década de 50, normalmente acompanhada pelos igualmente populares jeans, e ainda hoje é um básico indispensável de qualquer guarda-roupa.

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Leite de burra, colostro bovino, mel das abelhas, flores naturais ou sementes de uva são apenas alguns dos sinónimos da riqueza dos produtos cosméticos que nos saem das mãos. Nascidas por cá, umas centenárias e outras quase recém-nascidas, estas marcas portuguesas de cosmética são um tesouro nacional que nos põem a todos mais bonitos por dentro e por fora.

 

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