Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right A nova geração de artesãos de Lisboa

A nova geração de artesãos de Lisboa

Cerâmica, ilustração, macramé, marcenaria, restauro e joalharia. Pomos as mãos na massa e fomos saber o que anda a fazer a nova geração de artesãos de Lisboa

Ricardo Jerónimo da Rival
DR
Por Nelma Viana |
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O mundo está a mudar. Com o futuro na mira, repensa-se o impacto do consumo desenfreado e recuperam-se os velhos ofícios que fazem parte da nossa tradição. Criar com as mãos será sempre uma das coisas mais bonitas que o ser humano é capaz de fazer, mais ainda quando às técnicas artesanais se juntam o design contemporâneo, novas formas de produção e a consciência de que as peças descartáveis têm os dias contados. Lisboa está cada vez mais criativa e tem servido de inspiração a novos artistas, bem como a outros com décadas de experiência, que não desistem de usar métodos em vias de extinção. Demos a volta às novas e velhas oficinas da cidade e chegámos a 15 nomes que deve guardar na memória. São artistas e mestres artesãos que encontraram no trabalho manual uma profissão e um modo de vida. Produzem em pequena escala e são imensamente felizes por poderem sujar as mãos todos os dias.

Recomendado: Cursos e workshops em Lisboa que não pode perder

Artes e Ofícios: Abençoadas mãos

Malga
©Inês Felix

Uma amálgama de coisas bonitas

Os três curtos anos de vida da Malga chegaram e sobraram para que Mariana Filipe conseguisse pôr as suas peças em todo o lado, de Lisboa a Grândola, com passagem por Santarém, pelo Porto e pela Comporta. Por trás estão os chefs Pedro Pena Bastos, Ricardo Dias Pereira e Rodrigo Castelo – o seu primeiro cliente. Mas a Malga vem de trás, dos tempos em que Mariana se lembra dos pais cozinharem em panelas de barro, e do mestrado em design de produto que acabaria por ser aplicado na cerâmica. Aprendeu a modelar em roda de oleiro – e continua a usá-la. Dela nasceram
os Cochos, a primeira colecção
 em barro vidrado, com pratos,
 taças, chávenas, conchas e cortiços (pratos-tábua) e um sem número 
de encomendas personalizadas. Se houver interessados em modelagem simples, peças únicas e nas mais belas irregularidades que só a produção manual é capaz de deixar a nu, a Malga chegou para ficar. Tanto que Mariana tem andado em ensaios para a nova colecção de loiça, que deve estar pronta em Outubro.

Malga, Fábrica Moderna (Marvila). Abre sob marcação. www.malgaceramicdesign.com

Tiago Silva
©Inês Felix

Aprender a Brincar

Formou-se em Letras, foi jornalista, trabalhou no centro de investigação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e fez um curso de ilustração no Ar.Co, em Lisboa. Em 2017 formou, com Ana Braga e Inês Machado, o trio de ataque que deu vida à Triciclo, uma micro-editora dirigida aos mais novos que nesse mesmo ano lançou o primeiro número da revista infantil com o mesmo nome. Da parte de Tiago Silva era um desejo antigo fazer uma revista independente para crianças que fosse mais do que só passatempos. “Tinha de ter narrativa e funcionar como um álbum ilustrado e interactivo”. De uma ponta à outra, a Triciclo, que já vai no número seis, é para ler, brincar, questionar, pensar e curtir. Tiago escreve os textos e trata de um terço das ilustrações, que vai intercalando com os trabalhos a solo: além dos posters
e prints que leva a feiras e exposições, já tem no currículo jogos de madeira para crianças, uma colaboração com a marca de estacionário Beija-Flor e sacos de pano para a Comissão Europeia.

As técnicas de impressão que usa são a risografia, que imprime uma cor de cada vez, e a serigrafia manual, que transfere a tinta através de uma tela para papel ou tecido. Ambos os métodos são ensinados, volta e meia, em workshops que Tiago organiza para pais e filhos (quando não está ocupado a mudar o mundo na ONG Transparência e Integridade ou a dar aulas de ilustração e escrita criativa no Ar.Co).

Então e onde é que pode comprar uns posters bonitos para alegrar as paredes lá de casa? Nas livrarias It’s a Book e Ler Devagar, por exemplo, ou directamente na página de Instagram do artista: @tiagoguerreirosilva.

www.tricicloeditora.com

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Ilustrações de Ana Gil

Arte que apetece comer

Desenha para construir memórias e muito antes de o Instagram se transformar num diário alimentar com pratos e mesas coloridas, Ana Gil já se entretinha a reproduzir o que lhe chegava à mesa num caderno. “O desenho é um processo demorado e uma forma diferente de memorizar sabores”, diz. Explora cada textura, recria cada detalhe e vai namorando o que tem à frente com a mesma calma e rigor de uma gastrónoma profissional, só que em vez da escrita ou da fotografia, Ana Gil socorre-se dos pincéis, das aguarelas, das canetas de bico fino e da tinta da China.

Quando era pequena pensou em ser arquitecta mas quando bateu de frente com a disciplina de desenho, “nasceu um amor”, conta. Nas redes sociais já partilhou mais
 de 700 desenhos, a maioria de pratos, mas também das viagens e passeios, de paisagens e de centenas de situações que merecem ser imortalizadas numa folha de papel.

Entretanto, ilustrou as cartas de comida 
e cocktails do restaurante Meat Me, tem colaborado com uma revista de viagens britânica (já desenhou Índia, Inglaterra, Portugal e México) e prepara, agora, no estúdio na Margem Sul, as ilustrações para o terceiro volume do livro A Doçaria de Portugal. Funfact: é canhota e por isso não aceita que ninguém lhe diga que nasceu com duas mãos esquerdas.

www.anagillustratrions.com

Joana Cavaleiro
©Inês Felix

Uma jóia de moça

Joana Cavaleiro gosta de fazer e de ver acontecer. Foi esta inquietação que a fez desistir do curso de Arquitectura e procurar ajuda no Centro de Joalharia de Lisboa. Lá encontrou o que precisava para mudar de vida. O bichinho interior dizia-lhe para criar e arriscar. Assim fez. Há um ano lançou a primeira colecção de jóias da Cavaleiro Jewelry, com brincos, colares e anéis em prata, prata dourada e latão (desde 60€), mostrou-a timidamente na sua página pessoal de Instagram e só quando percebeu que não era viável continuar a produzir em casa é que se mudou para um estúdio onde pudesse “sujar à vontade”.

Numa altura em que as marcas de joalharia independentes nascem como cogumelos, não esperava ter tanta procura para as suas peças de design minimal, forma orgânica
 e inspiradas numa estética mais tradicional. A maior fatia de clientes é nacional mas tem recebido encomendas de todo o mundo.

Da idealização ao acabamento, Joana trata de tudo. Faz o desenho, começa a esculpir um bloco de cera perdida que mais tarde vai ser usado para criar o molde de cada peça e depois do objecto pronto é preciso lixar, limar e polir – à mão – num processo que leva cerca de duas horas e meia por peça. Dito isto, cada um dos exemplares que sai do ateliê é único e perfeitamente imperfeito, desde o colar de pérolas com fecho dourado aos anéis brasonados que podem ser gravados com as iniciais.

Para já só vende directamente através da página de Instagram da marca, mas anda em negociações com uma loja em Bruxelas e a estudar uma colaboração com uma designer de moda portuguesa.


@cavaleirojewerly

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Vasco Águas
©Inês Felix

Assim se dá o nó

Em 2016 começou a fazer suportes de vasos em macramé, sem ideia nenhuma do que viria a seguir. As colegas de trabalho na agência de comunicação onde é gestor de projectos pediram- -lhe uns exemplares e daí a começar a produzir uma quantidade jeitosa de peças foi um tirinho. Logo nesse ano, Vasco Águas tomou conta da montra da Fashion Clinic com uma instalação em nome próprio. Criou o alter ego Barbudo Aborrecido e dedicou-se à arte de criar padrões e texturas em fio e cordão de algodão de diversas espessuras com nós mais ou menos complexos que já eram usados na pré-História para a construção de ferramentas de caça.

Com a marca criada, começaram a chegar encomendas de arquitectos, decoradores e particulares, nacionais e estrangeiros. Um dia o telefone tocou e do outro lado Joana Astolfi lançava o desafio: uma tapeçaria em macramé para decorar uma parede do Cantinho do Avillez, em Cascais. Uma peça gigante, de 3 x 4 metros, que teve de ser feita em duas vezes com a ajuda de um sistema de roldanas. Vasco diz que é fácil aprender macramé e ainda mais fácil ganhar-lhe o gosto, por ser uma actividade “relaxante e altamente terapêutica” que não depende de mais nada senão do uso das mãos. Quando tem as encomendas despachadas e tempo para respirar, reúne os pedidos que lhe vão caindo no mail e organiza workshops de iniciação ao macramé, que anuncia no site.

www.barbudoaborrecido.pt

Letícia Burkardt
©Inês Felix
Compras, Livrarias

A páginas tantas

icon-location-pin Lisboa

Bulhufas. Ou seja, nada, nicles, zero. O nome 
do estúdio que Letícia Burkardt criou com o namorado, Tiago Casanova, foi buscar o nome a uma expressão brasileira e é hoje um dos mais dignos representantes em Lisboa da arte de fazer livros e cadernos à mão. Letícia é que trata da concepção e produção. Tiago, fotógrafo e co-fundador da editora de livros de arte XYZ, dá uma mãozinha, mas foi sobretudo na motivação que se tornou indispensável.

Letícia veio do Rio de Janeiro para Lisboa para aprender a fazer livros. A passagem
 pelas Belas Artes ajudou a ter a certeza de que queria continuar no caminho das “práticas tipográficas editoriais e contemporâneas”, mas à sua maneira. O Estúdio Bulhufas nasceu, então, no Anjos 70 e é lá que a magia acontece. Além de conceber e produzir livros para outros artistas (já colaborou com Akacorleone), também há colecções de agendas e cadernos (entre 5€ e 18€) onde explora várias técnicas de encadernação, desde a costura francesa cruzada, à canoa e à copta – a sua favorita e aquela que dispensa a lombada, deixando à vista um entrançado de fios que seguram as páginas.

O design de cada objecto pode ser personalizado (leva até cinco dias a estar pronto). Letícia entra naquele a que chama o “processo louco”: num dia dobra folhas à mão, milhares e milhares de folhas, no segundo corta as capas, no terceiro forra-as com tecido ou papel e no quarto aplica a costura. O último dia é de repouso e os cadernos ficam debaixo de tijolos a assentar.

No dia 29 de Setembro dá um workshop 
de costura japonesa. Dura três horas e custa 35€ por pessoa. Repete, depois, a 13 e 27 de Outubro.

www.estudiobulhufas.com

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Candeeiros - Patrícia Lobo
©DR

E do nada, fez-se luz

“Nunca me imaginei a fazer cerâmica.” Quem o diz é Patrícia Lobo, artista que assina os candeeiros mais cobiçados da cidade. Se já passou pelo Escalfado, em Santos, ou pelo Cantinho do Avillez, em Cascais, sabe de
quem estamos a falar. Os restaurantes com que colabora são, aliás, a maior montra do seu trabalho – e a eles agradece a projecção que acabou de a levar à Maison & Objet e o contacto da Sézane para tratar da iluminação do novo showroom (ambos em Paris).

Patrícia tem formação em design, mas desistiu do curso para ir para o Brasil. Trabalhou em televisão, cinema e publicidade, foi assistente de um curso de teatro na Favela do Vidigal, mas só numa viagem de três meses pela Ásia, sozinha, depois de aprender tecelagem no Laos, é que teve a epifania. “Queria trabalhar com as mãos. Criar com as mãos é quase como ter um filho: apaixono-me pelas peças e não as quero largar.” Fez aulas de roda de oleiro e, embora já não a use, foi um bom ponto de partida para o que viria a seguir: a remodelação da sua própria casa. Fez os azulejos da cozinha e da casa de banho e quando chegou a altura de pensar nos candeeiros não encontrou nada em cerâmica com o design que procurava. Vai daí, criou-os. Linhas simples, estética forte, facilmente adaptável a qualquer estilo. No final, depois de cozerem numa mufla a gás, revelam as texturas únicas associadas à produção artesanal.

Patrícia tem a colecção de candeeiros de tecto e de parede à venda no site, em algumas lojas em Lisboa, como a Maria do Mar e a June, e em França. Pede aos clientes que sejam pacientes, afinal “o artesanato é um processo complexo e, sobretudo, lento”. Os preços começam nos 330€ e todas as peças são personalizáveis.

www.patricialoboceramics.com

Cata Vassalo
©Francisco Santos
Compras, Artigos para noivas

Fazer tudo de cabeça

icon-location-pin Cascais

No início do ano passado, a Time Out foi conhecer o ateliê e showroom de Catarina Vassalo, em Alcabideche, e acaba de saber que este não será o paraíso das noivas por muito mais tempo. Cata Vassalo está de saída mas vai ficar pela zona, num espaço que vai combinar loja e ateliê e onde vai poder continuar a espalhar cordões, fios, pétalas e pedras coloridas para inventar os famosos toucados, as coroas, as bandoletes e os brincos indispensáveis a um modelito de casamento ou festa rija. E é mesmo inventar porque não há esboços nem cadernos de ideias antes de Catarina se sentar a fazer uma peça nova. O processo de criação é orgânico, nasce no momento, num rasgo de criatividade que dá quase sempre certo. Todas as peças são feitas à mão e podem ser personalizadas (inspiradas numa outra, mas nunca replicadas), desde que a encomenda seja feita com pelo menos dois meses de antecedência.

www.catavassalo. com

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Martinho Pita
©Manuel Manso

Pingos de criatividade

O site de Martinho Pita não está actualizado porque “anda ocupado 
a criar”. Entre os projectos de arquitectura no Alentejo e as peças para um hotel que vai abrir na Aroeira, sobra pouco para o resto. Arquitecto de profissão, começou 
a ficar farto de “ter de esperar 10
 anos para ver um projecto acabado”. Curioso por natureza, pôs mãos à obra e foi em busca dos processos tradicionais de criação – muitos 
deles em vias de extinção –, como é 
o caso do sopro de vidro. É através desta técnica que dá vida aos Pingos
 e às Gotas, o primeiro para pendurar e a fazer lembrar um pingo de água suspenso; o segundo de mesa e que parece uma gota a escorrer. São os dois bestsellers da marca e os que mais dependem de ajuda externa, no caso de um soprador profissional que vai trabalhando com Martinho fora das horas de trabalho, algures entre as 03.00 e as 05.00 da manhã.

O resto, tudo o que é feito a partir de materiais naturais, é da sua exclusiva responsabilidade, da idealização à concretização. Aproveita a poda das azinheiras para recolher matéria-prima (as câmaras municipais agradecem) e corre o país à procura de palha para criar vasos, candeeiros e suportes de plantas.

Da última fornada de candeeiros
de vidro surgiram os pingos terrários que são, no fundo, um dois em um entre um candeeiro de tecto ou parede e um vaso. Para saber do que se trata, passe pelo showroom de Martinho ao pé da Lx Factory. A morada é enviada após contacto telefónico e os preços de cada peça combinados mediante a dimensão, função e material.

www.martinhopita.com

Ricardo Jerónimo - Rival
©DR

Para meter a colher

Quando nasceu o seu primeiro filho, Ricardo Jerónimo, designer industrial apaixonado por técnicas artesanais, ouviu bater à porta e foi ver o que
 era. Era um passatempo de infância agarrado a uma vontade gigante 
de voltar a trabalhar com as mãos. Decidiu mudar de vida e seguir os passos do avô – há coisa de um ano o hobby virou profissão. Criou a Rival e com ela uma panóplia de colheres e utensílios de cozinha em madeira que já andam pelas mesas de alguns dos melhores restaurantes da cidade. Porquê colheres? “Por que não?”, responde. “Sempre achei a colher
 um objecto fantástico e que pouco mudou ao longo da História. É uma concha com uma pega comprida, simples na sua essência mas que ultrapassa nações. É o primeiro talher que manuseamos durante a infância e será possivelmente o último, na velhice”.

Não teve muito tempo para pensar na divulgação nem na estratégia da marca porque, mal se apresentou, recebeu a primeira encomenda, do chef Pedro Pena Bastos, para o serviço de mesa do Ceia. Nuno Mendes, acabado de aterrar na novíssima cozinha do Bairro Alto Hotel, também quis. Foram 120 colheres, 120 garfos, 60 tábuas de servir e 100 pratos. Tudo em madeira nacional, que Ricardo se apressou a recolher durante a poda dos jardins públicos da cidade. Faz tudo sozinho e trabalha sobretudo com nogueira e plátano, por serem as que demonstram
mais personalidade nos veios e por serem as mais fáceis de encontrar. Quando ouve alguém dizer que usar madeira na cozinha não é boa ideia, explica com uma calma invejável
que é preciso abandonar o hábito de comprar descartável e que basta tratar as peças com óleo de linhaça ou cera de abelha para se manterem perfeitas e bonitas durante, pelo menos, dez anos. No próximo sábado, Ricardo Jerónimo vai estar no Chefs on Fire, em Cascais (corra para a página 26 para saber tudo sobre o evento), a fazer umas brincadeiras com colheres e a ensinar a esculpir madeira. Para aprender mais a sério e levar para casa uma colher feita por si, a 5 de Outubro dá um workshop na Nomad Goods.

www.rivaldesignermaker.com

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Arko
©Arlindo Camacho
Compras, Arte, artesanato e passatempos

Criar e preservar

icon-location-pin Chiado/Cais do Sodré

João Erse já restaurou quase tudo o que
é possível ser restaurado, desde capelas, museus, igrejas, mobiliário centenário, pinturas e imagens sagradas. E também 
já construiu quase tudo o que é possível construir. Pense num móvel ao calhas e saiba que, seja qual for, a Akto já o fez – e bem feito. O lema do estúdio de marcenaria e design de produto que criou há seis anos, 
é produzir, preservar e transformar fazendo uso da inovação e tecnologia disponíveis para o efeito. Sim, há muita maquinaria envolvida no restauro, mas sempre que se trabalha numa peça, seja de raiz ou já em aparente fim de vida, chega sempre aquele momento em que é preciso usar as mãos. “Há competências do trabalho à mão que solucionam muita coisa que as máquinas não conseguem.” Para isso há especialistas de diversas áreas que se juntam aos projectos sempre que é preciso. Mobiliário por medida, réplicas, restauro de pintura, transformações de peças: a oficina na Akto resolve.

Dia 21 de Setembro começa o concorridíssimo workshop de iniciação à marcenaria – há muito poucos em Lisboa (40h, aos sábados, 250€).

www.aktostudio.com

isabel colher na oficina tardoz
Fotografia: Duarte Drago
Compras, Arte, artesanato e passatempos

Dar tempo ao tempo

icon-location-pin Marvila

Em matéria de azulejos, Isabel Colher é uma das maiores especialistas de Lisboa – e é 
ela a quem temos de agradecer o facto de
 já muitas fachadas de prédios da cidade se terem refeito da tragédia dos roubos descarados. Na oficina da Tardoz concebe de raiz qualquer tipo de azulejo para qualquer tipo de função, seja para uma faixa bonita que quer acrescentar à parede da cozinha ou para completar um painel centenário 
de um palácio público. Quer isto dizer que além das colecções permanentes que tem para venda no site, Isabel também trata
 de satisfazer encomendas com design
 e medidas personalizados, restauro e produção de réplicas como as que se encontram no Palácio Nacional de Sintra, dos séculos XV e XVI. Já colaborou com
o Museu Nacional do Azulejo e com o Mosteiro dos Jerónimos e nos intervalos
 vai dando conta das encomendas para decoração de interiores. Faz tudo à mão
 e trabalha com quantidades controladas,
 o que significa que quem quer azulejos artesanais vai ter de ter paciência, porque, como diz, “esta é uma arte em que o tempo demora tempo a passar”.

www.tardoz.pt

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Ghome - Bancos Munge
©DR

A sustentável leveza da arte

Uma conversa com Gonçalo Prudêncio, autor e fundador da Ghome, marca portuguesa de mobiliário e acessórios de casa, é uma lição de História, ética e civismo. Defende que a arte tem a obrigação de incentivar o consumo sustentável através de produtos bonitos que apelem à responsabilidade. “O planeta está de calças nos tornozelos”, diz, e mesmo sabendo que a compra emocional e a mobília descartável vão sempre existir, quando criou a marca, em 2008, no arranque da crise, quis criar peças 1) com matéria-prima portuguesa; 2) que pudessem passar para filhos e netos. A madeira usada nos bancos Munge, por exemplo, (bestsellers absolutos, com mais de duas mil peças vendidas) é recolhida uma vez por ano durante o abate das árvores dos Parques de Sintra.

Da Ghome faz ainda parte uma colecção de tableware, tigelas de barro e lioz, tábuas de corte em pedra ou madeira e o vaso Flor, que nasceu de uma parceria com o ateliê de design e cerâmica Margarida Fabrica. Apesar de a estrutura da oficina em Sintra ser reduzida, todas as peças da marca são personalizáveis. Os bancos de madeira, por exemplo, estão disponíveis em mais de mil cores, embora a maior parte dos clientes acabe por optar pelo verde e cinza disponíveis no catálogo online.

www.ghome.pt

Latoaria Maciel
Fotografia: Manuel Manso
Compras

É preciso ter lata

icon-location-pin Cais do Sodré

A Latoaria Maciel tem loja na Rua da Boavista, mas para perceber o que se faz realmente numa latoaria é preciso ir ao ateliê, no Mercado dos Ofícios, no Bairro Alto, e ver acontecer. Numa latoaria faz-
se tudo o que é possível fazer em lata, 
latão ou folha de flandres. E isso inclui candelabros, pratos e taças (incluindo as que dão de comer aos animais no Jardim Zoológico de Lisboa), molduras de espelhos, lanternas ou panelas. Margarida Gamito é
 a comandante dos latoeiros e representa a sétima geração de um negócio com mais
 de dois séculos. É uma arte antiga e em vias de extinção, por isso a Maciel precisa de se manter viva e de boa saúde. Passe pela loja do Cais do Sodré com tempo e delicie-se com as relíquias. Se for o caso de estar com vontade de criar qualquer coisa, desafie os mestres latoeiros com uma peça desenhada por si. Aqui é possível.

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Luvaria Ulisses
Fotografia: Ana Luzia
Compras, Acessórios

A pele da segunda pele

icon-location-pin Chiado

Consegue lembrar-se de alguma vez ter visto uma luvaria com a classe
 da Ulisses? Claro que não. Sendo possivelmente a loja mais pequena de Lisboa, é também a mais charmosa e aquela onde apetece investir um ordenado em menos de meia hora.
 As luvas são um assunto sério e muitíssimo discreto que não deixa adivinhar que na oficina da Ulisses (Travessa do Almada,
 24, Sé) sejam feitos mais de 12 mil pares de luvas por ano. 24 mil luvas soltas, disponíveis em largas dezenas de cores e que cumprem exemplarmente a missão de serem uma segunda pele.

Para que a arte do corte e costura não caia em desuso, é possível acompanhar o trabalho dos quatro mestres responsáveis pela produção e perceber que o processo continua, desde a fundação em 1924, a ser totalmente artesanal. Para ter a experiência completa, passe na loja, encomende um par à sua medida e gosto e peça para ir ver como se faz. Garantimos-lhe que esse será o seu par de luvas para a vida, aquele de que nunca se vai esquecer no banco do Metro ou deixar perdido num bolso de casaco.

www.luvariaulisses.com

Artes e Ofícios

Maria Modista
Inês Félix
Coisas para fazer, Aulas e workshops

Chegue aqui a sua agulha: os melhores cursos de costura em Lisboa

Ai chegue, chegue, chegue a sua agulha, e nem pense em afastar o seu dedal. Isto é o bê-á-bá do corta e cose. Comece por aí antes de se aventurar por caminhos nunca antes costurados. Quando finalmente conseguir pôr a linha no cu da agulha, faça umas bainhas e vá somando técnicas a partir daí. Passe pela modelagem e teste conhecimentos a fazer um vestidinho (não é tão fácil quanto parece). Preferindo, dedique-se ao tricot, à estampagem em tecido (tudo com técnicas manuais), ao crochet ou até ao macramé. 

©Pixabay
Coisas para fazer

Cursos em Lisboa para meter as mãos à obra

O ponto aqui é simples: não fique a gastar o sofá de casa, que aí não se aprende nada. Quer dizer, até pode aprender uma coisa ou outra, mas há habilidades que o obrigam a ser mais dinâmico e a algum trabalho de mãos – uma certa minúcia, diga-se. Falamos de cerâmica, por exemplo, em que precisa de estar pronto para meter mãos à obra, amassar a coisa, dar-lhe forma (pode ser uma caneca ou um jarrão lá par casa) e conseguir responder ao milagre da criação artística. 

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Coisas para fazer

À procura de aulas de pintura em Lisboa? Dizemos-lhe onde

Tal como Arles serviu de inspiração a Van Gogh, Lisboa pode servir de inspiração para a sua próxima obra. Mesmo que ainda não tenha comprado os pincéis. Em Lisboa há academias e ateliers com profissionais que lhe emprestam (bom, na verdade vendem) um pouco da sua sabedoria a quem não tem tempo ou vontade de abraçar agora um percurso académico. Seja a óleo ou com aguarela, paisagens ou retratos, se não tentar nunca irá descobrir se será a próxima grande promessa artística do país. 

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