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Malga
©Inês Felix Malga

A nova geração de artesãos de Lisboa

Cerâmica, ilustração, macramé, marcenaria, restauro e joalharia. Pusemos as mãos na massa e fomos saber o que anda a fazer a nova geração de artesãos de Lisboa

Por Nelma Viana e Francisca Dias Real
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O mundo está a mudar. Com o futuro na mira, repensa-se o impacto do consumo desenfreado e recuperam-se os velhos ofícios que fazem parte da nossa tradição. Criar com as mãos será sempre uma das coisas mais bonitas que o ser humano é capaz de fazer, mais ainda quando às técnicas artesanais se juntam o design contemporâneo, novas formas de produção e a consciência de que as peças descartáveis têm os dias contados. Lisboa está cada vez mais criativa e tem servido de inspiração a novos artistas. Demos a volta às novas oficinas da cidade e chegámos a 16 nomes que deve guardar na memória. São artistas e mestres artesãos que encontraram no trabalho manual uma profissão e um modo de vida. Produzem em pequena escala e são imensamente felizes por poderem sujar as mãos todos os dias.

Recomendado: Cursos e workshops em Lisboa que não pode perder

Artes e Ofícios

Grauº Cerâmica, Isac Coimbra, Diogo Ferreira
Grauº Cerâmica, Isac Coimbra, Diogo Ferreira
©DR

Um rebento da pandemia

É um rebento da pandemia e ganhou forças alimentado pelo tempo livre e pela vontade em pôr as mãos na massa de Isac Coimbra e Diogo Ferreira, a dupla que dá a cara pela novíssima Grauº Cerâmica. Máscaras tribais, jarros e móbiles enfeitam o ainda curto catálogo deste estúdio de cerâmica caseiro.

Um curso que fizeram antes de terem ficado confinados fez com que o bichinho dos trabalhos manuais começasse a ser mais que um mero hobby. Isac dedicava-se à arquitectura, enquanto Diogo estava embrenhado no mundo do design antes de esta crise pandémica rebentar na cara de todos. Viram-se obrigados a deixar para trás as empresas onde trabalhavam e fizeram do barro uma terapia produtiva para os tempos mortos e para a ansiedade. Começaram a produzir algumas peças e os elogios de quem as via foram o motor para a Grauo finalmente nascer. “Foi tudo muito rápido e muito orgânico ao mesmo tempo, tivemos o empurrão de que precisávamos para começar uma coisa nossa. Fiz o design da marca, criámos um Instagram e uma página no Etsy e de repente começámos a ter encomendas”, descreve Diogo.

O ponto de partida foram as máscaras de cerâmica, num estilo a que Isac e Diogo gostam de chamar “novo tribal”, a propósito da ligação de ambos ao continente africano, onde foram buscar inspiração. O leque cresceu para os móbiles, muitos com detalhes de corda e juta, para os jarros e para algumas peças de loiça de mesa. É tudo feito à mão no pequeno estúdio, apenas a cozedura vem de fora – e até nisso a dupla já pensa em investir em breve.

“O acto da cerâmica é um acto de humildade, é o barro que manda e temos de ceder àquilo em que se vai transformando”, comenta Isac. A dupla salienta que a situação de confinamento obrigou as pessoas a olhar para dentro e para o que é nosso. “Há novas dinâmicas na vida de todos. E o bom da cerâmica é que hoje em dia as pessoas dão valor à personalização, ao que é português e feito à mão”, continua.

O futuro é incerto, como para muitos artesãos, mas a vontade destes dois em continuar é grande. Já equacionam um site próprio, para concentrar as vendas, e querem explorar o mercado das lojas físicas, estando agora à venda apenas no café Hello, Kristof, em Lisboa.

No online, as peças da dupla estão à venda no Instagram e Facebook, com entregas gratuitas na zona de Lisboa, e no Etsy, para chegar a o público estrangeiro.

Instagram: @grau_ceramica; www.facebook. com/grauceramica

Malga
Malga
©Inês Felix

Uma amálgama de coisas bonitas

Os quatro curtos anos de vida da Malga chegaram e sobraram para que Mariana Filipe conseguisse pôr as suas peças em todo o lado, de Lisboa a Grândola, com passagem por Santarém, pelo Porto e pela Comporta. Por trás estão os chefs Pedro Pena Bastos, Ricardo Dias Pereira e Rodrigo Castelo – o seu primeiro cliente. Mas a Malga vem de trás, dos tempos em que Mariana se lembra dos pais cozinharem em panelas de barro, e do mestrado em design de produto que acabaria por ser aplicado na cerâmica. Aprendeu a modelar em roda de oleiro – e continua a usá-la. Dela nasceram
os Cochos, a primeira colecção
 em barro vidrado, com pratos,
 taças, chávenas, conchas e cortiços (pratos-tábua) e um sem número 
de encomendas personalizadas. Se houver interessados em modelagem simples, peças únicas e nas mais belas irregularidades que só a produção manual é capaz de deixar a nu, a Malga chegou para ficar.

Malga, Fábrica Moderna (Marvila). Abre sob marcação. www.malgaceramicdesign.com

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Tiago Silva
Tiago Silva
©Inês Felix

Aprender a Brincar

Formou-se em Letras, foi jornalista, trabalhou no centro de investigação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e fez um curso de ilustração no Ar.Co, em Lisboa. Em 2017 formou, com Ana Braga e Inês Machado, o trio de ataque que deu vida à Triciclo, uma micro-editora dirigida aos mais novos que nesse mesmo ano lançou o primeiro número da revista infantil com o mesmo nome. Da parte de Tiago Silva era um desejo antigo fazer uma revista independente para crianças que fosse mais do que só passatempos. “Tinha de ter narrativa e funcionar como um álbum ilustrado e interactivo”. De uma ponta à outra, a Triciclo, que já vai no número seis, é para ler, brincar, questionar, pensar e curtir. Tiago escreve os textos e trata de um terço das ilustrações, que vai intercalando com os trabalhos a solo: além dos posters
e prints que leva a feiras e exposições, já tem no currículo jogos de madeira para crianças, uma colaboração com a marca de estacionário Beija-Flor e sacos de pano para a Comissão Europeia.

As técnicas de impressão que usa são a risografia, que imprime uma cor de cada vez, e a serigrafia manual, que transfere a tinta através de uma tela para papel ou tecido. Ambos os métodos são ensinados, volta e meia, em workshops que Tiago organiza para pais e filhos (quando não está ocupado a mudar o mundo na ONG Transparência e Integridade ou a dar aulas de ilustração e escrita criativa no Ar.Co).

Então e onde é que pode comprar uns posters bonitos para alegrar as paredes lá de casa? Nas livrarias It’s a Book e Ler Devagar, por exemplo, ou directamente na página de Instagram do artista: @tiagoguerreirosilva.

www.tricicloeditora.com

Ilustrações de Ana Gil
Ilustrações de Ana Gil

Arte que apetece comer

Desenha para construir memórias e muito antes de o Instagram se transformar num diário alimentar com pratos e mesas coloridas, Ana Gil já se entretinha a reproduzir o que lhe chegava à mesa num caderno. “O desenho é um processo demorado e uma forma diferente de memorizar sabores”, diz. Explora cada textura, recria cada detalhe e vai namorando o que tem à frente com a mesma calma e rigor de uma gastrónoma profissional, só que em vez da escrita ou da fotografia, Ana Gil socorre-se dos pincéis, das aguarelas, das canetas de bico fino e da tinta da China.

Quando era pequena pensou em ser arquitecta mas quando bateu de frente com a disciplina de desenho, “nasceu um amor”, conta. Nas redes sociais já partilhou mais
 de 700 desenhos, a maioria de pratos, mas também das viagens e passeios, de paisagens e de centenas de situações que merecem ser imortalizadas numa folha de papel.

Entretanto, ilustrou as cartas de comida 
e cocktails do restaurante Meat Me, tem colaborado com uma revista de viagens britânica (já desenhou Índia, Inglaterra, Portugal e México) e prepara, agora, no estúdio na Margem Sul, as ilustrações para o terceiro volume do livro A Doçaria de Portugal. Funfact: é canhota e por isso não aceita que ninguém lhe diga que nasceu com duas mãos esquerdas.

www.anagillustratrions.com

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Joana Cavaleiro
Joana Cavaleiro
©Inês Felix

Uma jóia de moça

Joana Cavaleiro gosta de fazer e de ver acontecer. Foi esta inquietação que a fez desistir do curso de Arquitectura e procurar ajuda no Centro de Joalharia de Lisboa. Lá encontrou o que precisava para mudar de vida. O bichinho interior dizia-lhe para criar e arriscar. Assim fez. Lançou a primeira colecção de jóias da Cavaleiro Jewelry, com brincos, colares e anéis em prata, prata dourada e latão (desde 60€), mostrou-a timidamente na sua página pessoal de Instagram e só quando percebeu que não era viável continuar a produzir em casa é que se mudou para um estúdio onde pudesse “sujar à vontade”.

Numa altura em que as marcas de joalharia independentes nascem como cogumelos, não esperava ter tanta procura para as suas peças de design minimal, forma orgânica
 e inspiradas numa estética mais tradicional. A maior fatia de clientes é nacional mas tem recebido encomendas de todo o mundo.

Da idealização ao acabamento, Joana trata de tudo. Faz o desenho, começa a esculpir um bloco de cera perdida que mais tarde vai ser usado para criar o molde de cada peça e depois do objecto pronto é preciso lixar, limar e polir – à mão – num processo que leva cerca de duas horas e meia por peça. Dito isto, cada um dos exemplares que sai do ateliê é único e perfeitamente imperfeito, desde o colar de pérolas com fecho dourado aos anéis brasonados que podem ser gravados com as iniciais.

Para já só vende directamente através da página de Instagram da marca, mas anda em negociações com uma loja em Bruxelas e a estudar uma colaboração com uma designer de moda portuguesa.


@cavaleirojewerly

Vasco Águas
Vasco Águas
©Inês Felix

Assim se dá o nó

Em 2016, Vasco Águas começou a fazer suportes de vasos em macramé, sem ideia nenhuma do que viria a seguir. As colegas de trabalho na agência de comunicação onde é gestor de projectos pediram-lhe uns exemplares e daí a começar a produzir uma quantidade jeitosa de peças foi um tirinho. Logo nesse ano, tomou conta da montra da Fashion Clinic (Lisboa) com uma instalação em nome próprio. Criou o alter ego Barbudo Aborrecido e dedicou-se à arte de criar padrões e texturas em fio e cordão de algodão de diversas espessuras, com nós mais ou menos complexos que já eram usados há milhares de anos.

Começaram a chegar encomendas de arquitectos, decoradores e particulares, nacionais e estrangeiros. Um dia o telefone tocou e do outro lado Joana Astolfi lançava o desafio: uma tapeçaria em macramé para decorar uma parede do Cantinho do Avillez, em Cascais. Uma peça gigante, de 3 x 4 metros, que teve de ser feita em duas vezes com a ajuda de um sistema de roldanas.

Vasco, que sempre se fascinou com retrosarias, lojas de ferragens e de DIY, diz que é fácil aprender macramé e ainda mais fácil ganhar-lhe o gosto, por ser uma actividade “relaxante e altamente terapêutica” que não depende de mais nada senão do uso das mãos.

Quando tem as encomendas despachadas e tempo para respirar, reúne os pedidos que lhe vão caindo no e-mail e organiza workshops, que anuncia no site.

www.barbudoaborrecido.pt

 

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Letícia Burkardt
Letícia Burkardt
©Inês Felix

A páginas tantas

Compras Livrarias Lisboa

Bulhufas. Ou seja, nada, nicles, zero. O nome 
do estúdio que Letícia Burkardt criou com o namorado, Tiago Casanova, foi buscar o nome a uma expressão brasileira e é hoje um dos mais dignos representantes em Lisboa da arte de fazer livros e cadernos à mão. Letícia é que trata da concepção e produção. Tiago, fotógrafo e co-fundador da editora de livros de arte XYZ, dá uma mãozinha, mas foi sobretudo na motivação que se tornou indispensável.

Letícia veio do Rio de Janeiro para Lisboa para aprender a fazer livros. A passagem
 pelas Belas Artes ajudou a ter a certeza de que queria continuar no caminho das “práticas tipográficas editoriais e contemporâneas”, mas à sua maneira. O Estúdio Bulhufas nasceu, então, no Anjos 70 e é lá que a magia acontece. Além de conceber e produzir livros para outros artistas (já colaborou com Akacorleone), também há colecções de agendas e cadernos (entre 5€ e 18€) onde explora várias técnicas de encadernação, desde a costura francesa cruzada, à canoa e à copta – a sua favorita e aquela que dispensa a lombada, deixando à vista um entrançado de fios que seguram as páginas.

O design de cada objecto pode ser personalizado (leva até cinco dias a estar pronto). Letícia entra naquele a que chama o “processo louco”: num dia dobra folhas à mão, milhares e milhares de folhas, no segundo corta as capas, no terceiro forra-as com tecido ou papel e no quarto aplica a costura. O último dia é de repouso e os cadernos ficam debaixo de tijolos a assentar.

www.estudiobulhufas.com

Candeeiros - Patrícia Lobo
Candeeiros - Patrícia Lobo
©DR

E do nada, fez-se luz

“Nunca me imaginei a fazer cerâmica.” Quem o diz é Patrícia Lobo, artista que assina os candeeiros mais cobiçados da cidade. Se já passou pelo Escalfado, em Santos, ou pelo Cantinho do Avillez, em Cascais, sabe de
quem estamos a falar. Os restaurantes com que colabora são, aliás, a maior montra do seu trabalho – e a eles agradece a projecção que a levou à Maison & Objet e o contacto da Sézane para tratar da iluminação do novo showroom (ambos em Paris).

Patrícia tem formação em design, mas desistiu do curso para ir para o Brasil. Trabalhou em televisão, cinema e publicidade, foi assistente de um curso de teatro na Favela do Vidigal, mas só numa viagem de três meses pela Ásia, sozinha, depois de aprender tecelagem no Laos, é que teve a epifania. “Queria trabalhar com as mãos. Criar com as mãos é quase como ter um filho: apaixono-me pelas peças e não as quero largar.” Fez aulas de roda de oleiro e, embora já não a use, foi um bom ponto de partida para o que viria a seguir: a remodelação da sua própria casa. Fez os azulejos da cozinha e da casa de banho e quando chegou a altura de pensar nos candeeiros não encontrou nada em cerâmica com o design que procurava. Vai daí, criou-os. Linhas simples, estética forte, facilmente adaptável a qualquer estilo. No final, depois de cozerem numa mufla a gás, revelam as texturas únicas associadas à produção artesanal.

Patrícia tem a colecção de candeeiros de tecto e de parede à venda no site, em algumas lojas em Lisboa, como a Maria do Mar e a June, e em França. Pede aos clientes que sejam pacientes, afinal “o artesanato é um processo complexo e, sobretudo, lento”. Os preços começam nos 330€ e todas as peças são personalizáveis.

www.patricialoboceramics.com

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Cata Vassalo
Cata Vassalo
©Francisco Santos

Fazer tudo de cabeça

Compras Artigos para noivas Sintra

Quando a Time Out a foi conhecer, estava em Alcabideche, mas entretanto o paraíso das noivas mudou-se de malas e bagagens cheias de cordões, fios, pétalas e pedras coloridas para a Beloura. É lá que Catarina Vassalo continua a inventar os famosos toucados, as coroas, as bandoletes e os brincos indispensáveis a um modelito de casamento ou festa rija. E é mesmo inventar, porque não há esboços nem cadernos de ideias antes da joalheira se sentar a fazer uma peça nova. O processo de criação é orgânico, nasce no momento, num rasgo de criatividade que dá quase sempre certo. Todas as peças são feitas à mão (inspiradas em outras, mas nunca replicadas) e podem ser personalizadas, desde que a encomenda seja feita com pelo menos dois meses de antecedência. Ultimamente tem feito parcerias com Alice Trewinnard e a Buzina.

www.catavassalo.com

Martinho Pita
Martinho Pita
©Manuel Manso

Pingos de criatividade

Arquitecto de profissão, Martinho Pita começou 
a ficar farto de “ter de esperar 10
 anos para ver um projecto acabado”. Curioso por natureza, pôs mãos à obra e foi em busca dos processos tradicionais de criação – muitos 
deles em vias de extinção –, como é 
o caso do sopro de vidro. É através desta técnica que dá vida aos Pingos
 e às Gotas, o primeiro para pendurar e a fazer lembrar um pingo de água suspenso; o segundo de mesa e que parece uma gota a escorrer. São os dois bestsellers da marca e os que mais dependem de ajuda externa, no caso de um soprador profissional que vai trabalhando com Martinho fora das horas de trabalho, algures entre as 03.00 e as 05.00 da manhã.

O resto, tudo o que é feito a partir de materiais naturais, é da sua exclusiva responsabilidade, da idealização à concretização. Aproveita a poda das azinheiras para recolher matéria-prima (as câmaras municipais agradecem) e corre o país à procura de palha para criar vasos, candeeiros e suportes de plantas.

Da última fornada de candeeiros
 de vidro surgiram os pingos terrários que são, no fundo, um dois em um entre um candeeiro de tecto ou parede e um vaso. Para saber do que se trata, passe pelo showroom de Martinho ao pé da Lx Factory. A morada é enviada após contacto telefónico e os preços de cada peça combinados mediante a dimensão, função e material.

www.martinhopita.com

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Rival, Ricardo Jerónimo, Trabalhos em Madeira
Rival, Ricardo Jerónimo, Trabalhos em Madeira
©DR

Para meter a colher

Quando nasceu o seu primeiro filho, Ricardo Jerónimo, designer industrial apaixonado por técnicas artesanais, ouviu bater à porta e foi ver o que era. Era um passatempo de infância e vinha agarrado a uma vontade gigante de voltar a trabalhar com as mãos. Decidiu mudar de vida e seguir os passos do avô – e o que até então era hobby tornou-se profissão. Criou a Rival e com ela uma panóplia de colheres e utensílios de cozinha em madeira que já andam pelas mesas de alguns dos melhores restaurantes de Lisboa, como o do Bairro Alto Hotel.

Porquê colheres? “Por que não?”, responde. “Sempre achei a colher um objecto fantástico e que pouco mudou ao longo da História. É uma concha com uma pega comprida, simples na sua essência mas que ultrapassa nações. É o primeiro talher que manuseamos durante a infância e será possivelmente o último, na velhice.”

Ricardo faz tudo sozinho e trabalha sobretudo com nogueira e plátano. Quando ouve alguém dizer que usar madeira na cozinha não é boa ideia, explica com uma calma invejável que é preciso abandonar o hábito de comprar descartável e que basta tratar as peças com óleo de linhaça ou cera de abelha para se manterem perfeitas e bonitas durante, pelo menos, dez anos.

www.rivaldesignermaker.com

Estúdio de Marcenaria, Akto, Restauro
Estúdio de Marcenaria, Akto, Restauro
©Arlindo Camacho

Criar e preservar

Compras Arte, artesanato e passatempos Chiado/Cais do Sodré

João Erse já restaurou quase tudo o que 
é possível ser restaurado, desde capelas, museus, igrejas, mobiliário centenário, pinturas e imagens sagradas. E também 
já construiu quase tudo o que é possível construir. Pense num móvel ao calhas e saiba que, seja qual for, a Akto já o fez – e bem feito. O lema do estúdio de marcenaria e design de produto que criou há seis anos, 
é produzir, preservar e transformar fazendo uso da inovação e tecnologia disponíveis para o efeito. Sim, há muita maquinaria envolvida no restauro, mas sempre que se trabalha numa peça, seja de raiz ou já em aparente fim de vida, chega sempre aquele momento em que é preciso usar as mãos. “Há competências do trabalho à mão que solucionam muita coisa que as máquinas não conseguem.” Para isso há especialistas de diversas áreas que se juntam aos projectos sempre que é preciso. Mobiliário por medida, réplicas, restauro de pintura, transformações de peças: a oficina na Akto resolve.

www.aktostudio.com

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isabel colher na oficina tardoz
isabel colher na oficina tardoz
Fotografia: Duarte Drago

Dar tempo ao tempo

Compras Arte, artesanato e passatempos Marvila

Em matéria de azulejos, Isabel Colher é uma das maiores especialistas de Lisboa – e é 
ela a quem temos de agradecer o facto de
 já muitas fachadas de prédios da cidade se terem refeito da tragédia dos roubos descarados. Na oficina da Tardoz concebe de raiz qualquer tipo de azulejo para qualquer tipo de função, seja para uma faixa bonita que quer acrescentar à parede da cozinha ou para completar um painel centenário 
de um palácio público. Quer isto dizer que além das colecções permanentes que tem para venda no site, Isabel também trata
 de satisfazer encomendas com design
 e medidas personalizados, restauro e produção de réplicas como as que se encontram no Palácio Nacional de Sintra, dos séculos XV e XVI. Já colaborou com
o Museu Nacional do Azulejo e com o Mosteiro dos Jerónimos e nos intervalos
 vai dando conta das encomendas para decoração de interiores. Faz tudo à mão
 e trabalha com quantidades controladas,
 o que significa que quem quer azulejos artesanais vai ter de ter paciência, porque, como diz, “esta é uma arte em que o tempo demora tempo a passar”.

www.tardoz.pt

Ghome - Bancos Munge
Ghome - Bancos Munge
©DR

A sustentável leveza da arte

Uma conversa com Gonçalo Prudêncio, autor e fundador da Ghome, marca portuguesa de mobiliário e acessórios de casa, é uma lição de História, ética e civismo. Defende que a arte tem a obrigação de incentivar o consumo sustentável através de produtos bonitos que apelem à responsabilidade. “O planeta está de calças nos tornozelos”, diz, e mesmo sabendo que a compra emocional e a mobília descartável vão sempre existir, quando criou a marca, em 2008, no arranque da crise, quis criar peças 1) com matéria-prima portuguesa; 2) que pudessem passar para filhos e netos. A madeira usada nos bancos Munge, por exemplo, (bestsellers absolutos, com mais de duas mil peças vendidas) é recolhida uma vez por ano durante o abate das árvores dos Parques de Sintra.

Da Ghome faz ainda parte uma colecção de tableware, tigelas de barro e lioz, tábuas de corte em pedra ou madeira e o vaso Flor, que nasceu de uma parceria com o ateliê de design e cerâmica Margarida Fabrica. Apesar de a estrutura da oficina em Sintra ser reduzida, todas as peças da marca são personalizáveis. Os bancos de madeira, por exemplo, estão disponíveis em mais de mil cores, embora a maior parte dos clientes acabe por optar pelo verde e cinza disponíveis no catálogo online.

www.ghome.pt

Artes e Ofícios

Maria Modista
Inês Félix

Chegue aqui a sua agulha: os melhores cursos de costura em Lisboa

Coisas para fazer Aulas e workshops

Ai chegue, chegue, chegue a sua agulha, e nem pense em afastar o seu dedal. Isto é o bê-á-bá do corta e cose. Comece por aí antes de se aventurar por caminhos nunca antes costurados. Quando finalmente conseguir pôr a linha no cu da agulha, faça umas bainhas e vá somando técnicas a partir daí. Passe pela modelagem e teste conhecimentos a fazer um vestidinho (não é tão fácil quanto parece). Preferindo, dedique-se ao tricot, à estampagem em tecido (tudo com técnicas manuais), ao crochet ou até ao macramé. 

©Pixabay

Cursos em Lisboa para meter as mãos à obra

Coisas para fazer

O ponto aqui é simples: não fique a gastar o sofá de casa, que aí não se aprende nada. Quer dizer, até pode aprender uma coisa ou outra, mas há habilidades que o obrigam a ser mais dinâmico e a algum trabalho de mãos – uma certa minúcia, diga-se. Falamos de cerâmica, por exemplo, em que precisa de estar pronto para meter mãos à obra, amassar a coisa, dar-lhe forma (pode ser uma caneca ou um jarrão lá par casa) e conseguir responder ao milagre da criação artística. 

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À procura de aulas de pintura em Lisboa? Dizemos-lhe onde

Coisas para fazer

Tal como Arles serviu de inspiração a Van Gogh, Lisboa pode servir de inspiração para a sua próxima obra. Mesmo que ainda não tenha comprado os pincéis. Em Lisboa há academias e ateliers com profissionais que lhe emprestam (bom, na verdade vendem) um pouco da sua sabedoria a quem não tem tempo ou vontade de abraçar agora um percurso académico. Seja a óleo ou com aguarela, paisagens ou retratos, se não tentar nunca irá descobrir se será a próxima grande promessa artística do país. 

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