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Sustainable Fashion Business
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O futuro da moda sustentável pode ser made in Portugal e esta conferência prova-o

Esta é uma das muitas ideias que vão ser discutidas na conferência Sustainable Fashion Business, a 23 de Outubro.

Por Francisca Dias Real
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Portugal quer – e pode – estar no mapa da produção de moda sustentável. Pode ser parte do futuro de uma das indústrias mais poluentes do mundo que se começa a construir, finalmente, em torno de uma produção responsável e amiga do ambiente. Gosta da ideia? A conferência internacional Sustainable Fashion Business trata de a trazer à discussão e pelo caminho mostra as oportunidades e vantagens do Made in Portugal. Acontece na sexta, 23, na Academia das Ciências, em Lisboa.

Temos o savoir faire, o know-how – o que lhe queira chamar e na língua que preferir. A moda é um sector económico que representa cerca de 5% no PIB. A isso junta-se o facto de o índice de compra da sustentabilidade ter crescido mundialmente cerca de 15% desde o início da pandemia. Uma equação cujos termos casam bem se estivermos a falar de produção nacional. “No ano em que Lisboa é a Capital Verde Europeia ainda não havia nada na agenda que cruzasse a sustentabilidade e a moda, e, na verdade, nunca fez tanto sentido falar sobre isso”, diz Catarina Santos Cunha, CEO da Kind Purposes, uma das organizadoras do evento, e project leader da conferência. “Queríamos fazer uma coisa mais positiva à volta do problema. Cá já produzimos de forma sustentável, somos um exemplo, daí querermos alargar o espectro e levar esta discussão além fronteiras para mostrar a marcas de moda internacionais o quão atractivo Portugal é neste sentido”, explica. 

A indústria é reconhecida pelas qualidades artesanais e pela qualidade do fabrico, mas a mensagem perde-se aí. “O problema é que nós, portugueses, somos makers, mas não nos sabemos comunicar”, explica Catarina. “Há um trabalho de comunicação por detrás desta indústria que é fazer chegar o que fazemos lá fora. Temos de estar ao lado das marcas que querem seguir este caminho da sustentabilidade, porque as marcas querem ter na etiqueta ‘Made in Portugal’. Nós temos soluções”. 

Qual é então o lugar de Portugal na produção de moda sustentável? Qual a importância de uma economia circular? Que financiamento da Capital Verde pode ser dirigido a empresas com foco na sustentabilidade? Que sinergias podem ser criadas entre a nossa indústria e as marcas estrangeiras? Muitas perguntas e ainda mais respostas possíveis, tudo para ser discutido ao longo de várias conversas com vozes distintas da indústria. 

Catarina destaca a falta de educação na hora do consumo. “Temos de substituir o ter pelo valor. Se custar o dobro, mas durar o triplo do tempo, onde é que está a dúvida?”, questiona. O fast fashion surgiu para democratizar a moda, mas é também o segmento que continua a alimentar o lado mais negro da indústria. “Deu poder de compra aos consumidores, mas eles não se questionam sobre nada do que pode estar por detrás”, refere. “Temos de questionar, ler etiquetas, tentar arranjar um equilíbrio. Temos de mudar mentalidades”.

Será possível assistir presencialmente à conferência, sobretudo se fizer parte da indústria. Mas para que a mensagem chegue a todos, está garantida a transmissão online. As inscrições são necessárias em ambos os casos e são gratuitas, estando disponíveis já no site

Para além das talks, ao longo do dia, nos claustros da Academia de Ciências, vão estar em exposição várias peças e projectos presentes na conferência. A Sustainable Fashion Business é um grande passo para Portugal – e também para a Humanidade. “Temos tudo cá para o futuro da moda ser incrível”, remata Catarina.

Conheça o programa:

Manhã 09.30

  • Boas-vindas e apresentação da Lisboa Capital Verde 2020 

José Sá Fernandes, vereador do Ambiente, Clima, Energia e Estrutura Verde da Câmara Municipal de Lisboa, fará uma apresentação do programa.

  • O lugar de Portugal na moda sustentável

João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética, contextualiza o nosso país e a indústria no panorama da moda sustentável.

  • A importância da economia circular na indústria da moda

Laura Balmond é gerente dos projectos da Make Circular Initiative, parte da fundação Ellen MacArthur e participou na elaboração do relatório “Uma nova economia têxtil: redesenhar o futuro da moda”. Aqui vai discutir a necessidade de dar novo uso a peças que possam estar em fim de vida.

  • O papel do design responsável para as novas gerações

Elliot Atkinson, professor em Design e Moda e co-fundador da BITE, junta-se a Clare Press, antiga editora de Sustentabilidade da Vogue Australia e fundadora da plataforma The Wardrobe Crisis para falar da educação das novas gerações.

Manhã 11.00

  • O posicionamento sustentável do retalho na moda

Thomas Berry é o responsável pelo desenvolvimento de projetos sustentáveis dentro da Farfetch, uma das maiores plataformas globais de tecnologia para a indústria da moda de luxo. Falará sobre o caminho que muitas marcas estão a tomar para responderem às necessidades ambientais. 

  • O que é o financiamento Green Capital – que apoios existem para empresas com grande foco na responsabilidade ambiental

Nuno Pereira Alves, director Norte da área de corporate no Millennium BCP, e Miguel J. Martins, co-fundador da reNEW e parceiro de sustentabilidade da GROSVENOR House of Investments, juntam-se para falar de apoios financeiros. 

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Tarde 14.30

  • Que soluções sustentáveis tem Portugal para oferecer às marcas de moda mundiais

Alexandra Pinho é CEO da LMA Textiles e membro da direção da ATP (Associação do Têxtil e Vestuário de Portugal) e estará com Vasco Pizarro, gestor de marketing da Pizarro SA, a maior empresa europeia de acabamentos têxteis em peça confeccionada. Juntos apresentam as vantagens da nossa produção para marcas estrangeiras. 

  • Como as colaborações com designers de moda podem salvar os excedentes de fábrica

Nesta conversa juntam-se nomes nacionais e internacionais para explicar o fenómeno das colaborações: Mafalda Mota Pinto, CEO da Scoop, Dio Kurazawa, fundador da The Bear Scouts e consultor da Copenhagen Fashion Summit, e os designers de moda Mariah Esa, Sam Osborne e Priya Ahluwalia, também Prémio LVMH 2020.

  • Portugal como parceiro em alternativas de produção de calçado sustentável

Mats Rombaut fundou a Rombaut, uma marca francesa de acessórios e calçado vegan que produz em Portugal.

 

  • A sustentabilidade da joalharia e a valorização do handmade. De Portugal para as estrelas mundiais, uma história de sucesso
    Um painel bem composto com Alan Crocetti, designer de jóias para clientes como Travis Scott, Miley Cyrus ou Dua Lipa; Ângelo Almeida, CEO da ARPA, uma oficina de joalharia em Gondomar que trabalha com marcas e designers internacionais; e Fátima Santos, secretária-geral da AORP – Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal.
  • Tecnologia e sustentabilidade – Como Portugal se focou em soluções tecnologicamente avançadas e únicas no mundo

Elsa Parente, CEO do projeto RDD – Research Design Development estará neste painel com Maria Srivastava, directora de Impacto e Comunicação na Pangaia, uma marca de causas empenhada em reduzir a pegada ambiental ao máximo – e que produz grande parte das suas peças em Portugal. 

  • Como é tratado o tema da sustentabilidade na imprensa?

Roddy Clarke, editor de sustentabilidade na Forbes, faz uma abordagem sobre a cobertura dos media do tema da sustentabilidade.

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Consumir o que é português é agora, mais do que nunca, uma necessidade e um dever de todos, um gesto que pode fazer a diferença do lado de lá e que pode durar bons e longos anos no seu armário, estejamos nós a falar de t-shirts, jóias ou sapatos. Somos bons a produzir, somos bons a transformar aquilo em que tocamos em peças únicas: está na hora de pôr os olhos naquilo que é pensado, desenhado e fabricado por cá – as marcas portuguesas.

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Mesmo em tempos pandémicos, não há desculpas para deixar de manter uma relação de amizade estreita com o ambiente, até porque se o mundo pode parar por momentos lá fora, sabemos que o ambiente está lá sempre e a precisar que cuidemos dele. Por isso, na hora de comprar olhe para a etiqueta, para a pegada ambiental e para os pequenos negócios que, afinal de contas, parecem estar sempre aqui para nós mesmo nos tempos mais difíceis.

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