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Barbarians
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‘Barbarians’ lembra os filmes históricos romanescos de antanho

Se fosse um exame de História, ‘Barbarians’, da Netflix, tinha um bom menos.

Por Eurico de Barros
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Se tivesse sido feita há 30 ou 40 anos, Barbarians (Netflix) seria não uma produção para streaming e televisão, mas uma longa-metragem. Só que o filme histórico de aventuras está quase extinto e o formato mudou de meio. Esta série alemã segue um modelo clássico: pega num acontecimento histórico e embrulha-o num enredo com personagens e situações verdadeiras e ficcionais. Barbarians recorda a Batalha de Teutoburgo, travada na floresta do mesmo nome no ano IX d.C., e em que três legiões romanas foram massacradas por várias tribos germânicas.

A história centra-se na figura real de Armínio, um germânico tirado aos pais e à tribo ainda criança e romanizado, e nos seus dois grandes amigos de infância (inventados), que se reencontram para derrotar os opressores romanos. Uma das boas ideias da produção foi pôr os romanos a falar latim e os germânicos alemão. A recriação da época é aceitável, as personagens familiares e o enredo reconhecível mas absorvente, com um agradável travo aos filmes históricos romanescos de antanho. A batalha final decepciona, envolvendo umas magras centenas de participantes, longe das mais de 100 mil que a travaram, e filmada numa câmara lenta irritante de tão solene. Se fosse um exame de História, Barbarians tinha um bom menos, mas à justa.

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São duas famílias bascas, unidas por antigos e fortíssimos laços de amizade. A violência terrorista da ETA e a reacção repressiva do Estado espanhol vêm dividi-las, fazer com que voltem costas uma à outra e até obrigar uma delas a abandonar a cidade natal. Baseada no bestseller de Fernando Aramburu, Pátria (HBO) centra-se em duas mulheres, Bittori (Elena Irureta) e Miren (Ane Gabarain), que deixam de ser grandes amigas quando o marido da primeira, um empresário, é assassinado pela ETA, e o filho da segunda, que poderá ser o assassino, é preso.

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A série preserva o essencial da estrutura de The Turn of the Screw e, sobretudo, é fiel aos preceitos da tradição da ghost story à inglesa. O terror é de pavio longo, de elaboração pausada, dependente da exposição narrativa e do desenvolvimento da intriga, quase sempre sugerido e elíptico, que se pressente mas pouco se vê, manifestando-se nas sombras dos enquadramentos ou em fundo nos planos. E é um terror ligado aos ambientes da história e incarnado nas personagens, que elas arrastam consigo, surdo e torturado, de gerar incómodo e calafrios, e não choques e estrondos. A qualidade homogénea das interpretações e a consistência inquietante das atmosferas, reforçam a recomendação da visita a esta mansão assombrada.

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