Charlize Theron: maternidade e honestidade

Charlize Theron entra em 'Tully', uma comédia dramática sobe a maternidade, sem medo de dizer algumas verdades
Tully
Tully
Por Gail Tolley |
Publicidade

Já foi descrito como uma espécie de “Mary Poppins para millennials”, mas Tully é mais do que isso. Charlize Theron interpreta Marlo, que está grávida do terceiro filho. Antecipando o stress e as horas sem dormir ao virar da esquina, o seu irmão e a mulher dele contratam uma ama, a tal Tully, interpretada por Mackenzie Davis, uma jovem de 26 anos e espírito livre. Com direcção de Jason Reitman (o realizador de Juno) e escrito por Diablo Cody (também de Juno), o filme está cheio de frases certeiras e atitudes directas e desbocadas. Mas o mais importante é a maneira honesta e sensível como a parentalidade e o crescimento são retratados.

 

Poucas vezes a parentalidade foi retratada de uma maneira tão realista. Foi uma história que achaste que tinha de ser contada?

O meu filho mais novo tinha mais ou menos seis meses quando eu li o guião e, já tendo criado duas crianças, a história pareceu-me muito familiar. Foi refrescante ver alguém a contar a verdade sobre certas coisas, sem querer saber do estigma que se abate sobre os pais que são honestos.

Os diálogos da Diablo Cody são certeiros, como de costume. Houve alguma frase de que gostasses particularmente?

Sim, ela é hilariante. Há uma frase no guião que eu adoro: “As raparigas não cicatrizam, se olhares de perto estamos todas cobertas de corrector.” É mesmo a cara dela. Também gosto muito da forma como usa aquelas expressões que as mães estão sempre a dizer sobre ter filhos, que “é uma bênção” e “a melhor coisa de sempre”. Eu estou sempre a dizer isso e, pela primeira na vez na vida, dei por mim a pensar: “Porque é que eu digo isto?”

Tiveste de ganhar 20 e tal quilos para fazer este filme. Foi uma grande transformação física. O que é que aprendeste com isso?

As mulheres ganham esse peso, ou até mais, sempre que engravidam. Por isso não foi um problema. Estava a interpretar esta mulher e queria sentir-me mais próxima dela. Acho que não vale a pena concentrarmo-nos nisso.

Como foi trabalhar com recém-nascidos?

Tínhamos dois pares de gémeos. Um desses pares passou o filme comigo, por isso acabei por ficar a conhecer esses bebés. Na verdade eram dois rapazes a fazer de Mia, e eram muito queridos. Não eram nada difíceis.

Como é que as pessoas têm reagido ao filme?

Tem sido muito interessante ver raparigas novas e que não têm filhos ficarem emocionadas com esta história, porque partilham a perspectiva da Tully. As mulheres mais novas vêem o filme pelos olhos da Tully: Como vai ser a minha vida? Com quem me vou casar? Vou ser feliz? Qualquer pessoa consegue empatizar com aquele momento em que tem de abdicar de parte de si antes de mudar de vida. Em última análise, a história da Marlo é sobre isso.

Há outros filmes sobre parentalidade que adores?

O Kramer contra Kramer é um filme interessante, porque apesar de algumas pessoas acharem que a mãe é vilanizada, eu não vejo as coisas assim. Há qualquer coisa de belo em admitir que nem todos nos podemos comportar como é esperado que os pais se comportem.  E algumas pessoas cometem erros horríveis. Esse filme marcou-me.

Gostavas de voltar a interpretar Imperator Furiosa, a tua personagem de Mad Max: Estrada da Fúria?

Adorava. Se o George [Miller, o realizador] me ligasse amanhã eu dizia logo que sim. Adorei trabalhar com ele e adorei a personagem. Passei muito tempo com ela no deserto e senti-me muito próxima dela. Seria óptimo voltar a fazer esse papel.

Conversa filmada

Wes Anderson
© Rob Greig
Filmes

Wes Anderson: “O cinema e a televisão estão cada vez mais próximos”

Não há outro realizador como Wes Anderson. O mestre do estilo, o defensor do irrisório, o apreciador de paletas de cor muito específicas… Independentemente do gosto pessoal, os seus filmes são sempre espantosos. Ilha dos Cães é o mais recente, e o segundo de animação, após O Fantástico Senhor Raposo. Uma adorável aventura canina que se passa numa ilha perto do Japão para onde todos os canídeos do país foram banidos depois de um surto de “gripe canina”. Tem toda a riqueza visual que se espera de um filme de Wes Anderson, bem como uma mensagem altamente positiva sobre a importância da tolerância. Ah, e Harvey Keitel a uivar.

Joaquin Phoenix
Mathew Brazier
Filmes

Joaquin Phoenix: “Os clichés dos filmes de acção deixam-me nervoso”

Joaquin Phoenix ainda mal acordou quando abre a janela e começa a fumar. É sábado de manhã em Londres, muito cedo, mais ainda mais para ele, meio abananado pelo jet lag – um homem no seu próprio fuso horário. Na verdade, ele parece estar assim desde que o vimos em Lar, Doce Lar... às Vezes (1989), de Ron Howard, quando tinha apenas 14 anos. É uma anti-estrela de cinema que faz as coisas à sua maneira, sempre um pouco desalinhado e com o mundo a girar à sua volta.

Publicidade
Filmes

Todd Haynes: "Sempre gostei de ser estranho"

Todd Haynes já anda nisto desde os anos 90, foi um pioneiro do new queer cinema, trabalhou com grandes actores e actrizes. O Museu das Maravilhas é o seu mais recente filme, uma história sobre duas crianças mudas em Nova Iorque, mas em tempos diferentes. Uma nos anos 20 e outra nos anos 70. O filme foi o ponto de partida para uma conversa com o realizador.  

Publicidade