Wes Anderson: “O cinema e a televisão estão cada vez mais próximos”

Wes Anderson está de volta e traz consigo um bando de rafeiros. Falámos com o realizador sobre 'Ilha dos Cães'
Wes Anderson
© Rob Greig
Por Gail Tolley |
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Não há outro realizador como Wes Anderson. O mestre do estilo, o defensor do irrisório, o apreciador de paletas de cor muito específicas… Independentemente do gosto pessoal, os seus filmes são sempre espantosos.

Ilha dos Cães é o mais recente, e o segundo de animação, após O Fantástico Senhor Raposo. Uma adorável aventura canina que se passa numa ilha perto do Japão para onde todos os canídeos do país foram banidos depois de um surto de “gripe canina”. Tem toda a riqueza visual que se espera de um filme de Wes Anderson, bem como uma mensagem altamente positiva sobre a importância da tolerância. Ah, e Harvey Keitel a uivar. Telefonámos ao realizador umas semanas antes da estreia e ele foi encantador.

Ouvi dizer que Ilha dos Cães foi inspirado por indicações e sinais rodoviários para a verdadeira Isle of Dogs [Ilha dos Cães], em Londres. Isso é verdade?

É verdade, mas eu tinha-me esquecido completamente. O nosso produtor, Jeremy Dawson, que também trabalhou em O Fantástico Senhor Raposo, deu uma entrevista e contou a alguém [essa história]. Foi quando percebi que a ideia inicial do filme nasceu das indicações para Isle of Dogs – que eu nem sabia o que era. Estava apenas a imaginar o que poderia ser.

Há uma importante mensagem subjacente ao filme sobre inclusão e tolerância. Os recentes desenvolvimentos políticos foram uma inspiração?

Nós começamos a trabalhar no filme há mais ou menos seis anos e o mundo mudou muito enquanto estávamos a fazê-lo. Tanto que começámos por nos inspirar nos livros de História e, durante o desenvolvimento do filme, demos por nós a olhar cada vez mais para as primeiras páginas dos jornais em busca de inspiração. O que estava a acontecer à nossa volta reflectia o que estava a acontecer na narrativa.

O fato do protagonista de O Fantástico Senhor Raposo foi inspirado num fato teu. Alguma peça de roupa tua foi parar a Ilha dos Cães?

A única ligação pessoal é que o cão principal do filme se chama Chief e eu cresci com um labrador preto que se chamava Chief.

O Chief com que tu cresceste tinha uma personalidade semelhante à da personagem do filme?

Não acho que tivesse a mesma complexidade. Era muito básico.

A Greta Gerwig interpreta uma estudante de intercâmbio dos Estados Unidos que visita o Japão no filme. Ela é ótima – querias trabalhar com ela há muito tempo?

Sim. Conheço a Greta há muito tempo porque o [seu companheiro] Noah Baumbach e eu somos grandes amigos há anos. Por isso, eu estava mais ou menos à espera de ter algo que fazer com ela mais cedo ou mais tarde.

O Bill Murray também entra no filme. É certo e sabido que entrar em contacto com ele é muito difícil. Ainda tens que deixar uma mensagem e esperar que ele te ligue de volta ou têm uma ligação directa?

Eu podia até ter uma ligação directa, mas isso não quer dizer que alguém vá atender.

Vários cineastas de primeiro plano fizeram séries televisivas recentemente. Tens algum projecto na manga?

Nem por isso, mas acho que o cinema e a televisão estão cada vez mais próximos. Podemos apresentar os nossos projectos como quisermos – há essa liberdade. Portanto é provável que eventualmente faça algo assim. Por acaso eu gosto da experiência de estrear um filme nos cinemas, que é visto por pessoas sentadas numa sala, juntas: isso é o que um filme é para mim. Mas também vejo muitos filmes noutros contextos, de outras formas, como toda a gente, e não posso dizer que seja uma má maneira de ver uma história.

O teu estilo visual é muito distinto e feliz – isso reflecte-se no resto da tua vida de alguma forma? Gosto de imaginar que a tua casa é como o Grand Budapest Hotel.

Não. É bastante simples, até. Num filme estás a tentar criar algo que alguém vai ver durante 90 ou 100 minutos, uma ilusão e um mundo em que eles vão viver. É diferente se tiveres de viver lá todo o tempo.

Última pergunta. A julgar por este filme, julgo que sejas uma pessoa mais dada a cães. Estarias disposto a fazer filme para as pessoas que gostam mais de gatos? Reino dos Gatos, talvez?

A história foi escrita por mim, pelo Jason Schwartzman e o Roman Coppola – somos todos amigos há muito tempo. O Jason tem um cão com quem vive há 11 anos ou assim e é 100% fã de cães. O Roman tem um gato e adora-o. E eu não tenha nem um nem outro. Temos um par de cabras na nossa casa em Kent, mas só isso. Posso garantir--te que não são o meu animal favorito. Simplesmente gosto dos cães enquanto personagens. Para mim, os cães na nossa história são pessoas.

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