Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Claire Foy: "Não sou possessiva em relação às personagens"

Claire Foy: "Não sou possessiva em relação às personagens"

A Isabel II de "The Crown" é Lisbeth Salander em "A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha". Falámos com a actriz.

Photo: Reiner Bajo
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Depois de duas temporadas na pele da rainha Isabel II, em The Crown, Claire Foy renunciou ao trono, por assim dizer. A actriz de 34 anos é a primeira a admitir que o papel e a série foram muito importantes para a sua carreira, mas agora prefere olhar para o futuro. E que futuro. Ainda há menos de um mês a vimos fazer de Janet Shearon, a mulher de Neil Armstrong, em O Primeiro Homem na Lua, de Damien Chazelle, e esta semana estreia-se no papel de Lisbeth Salander, em A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha, de Fede Álvarez. Falámos sobre o passado, o presente e o que vem aí.

Lisbeth Salander, a personagem principal de A Rapariga Apanhada na Teia de Aranha, persegue homens abusivos. O movimento #MeToo teve algum impacto no filme?

Isso estava tudo a acontecer quando começámos a filmar. A questão é que a Lisbeth não está exactamente preocupada em ajudar as mulheres. Ela só quer fazer os homens pagar. É uma questão de vingança. O que está a acontecer agora, no mundo, é completamente diferente. Mas sei que muitas pessoas vão fazer essa comparação.

Achas que o #MeToo mudou alguma coisa?

Superficialmente, sim. Mas é preciso mudar a maneira como a sociedade vê as mulheres. E será que isso vai ocorrer? As coisas mudaram um bocado, mas estou para ver o que é que acontece a seguir.

És a terceira pessoa que interpreta a Lisbeth. Viste os outros filmes?

Sim, vi os filmes anteriores. A Rooney [Mara] foi incrível no filme que fez e a Noomi [Rapace] foi espantosa nos três.

A Olivia Colman vai substituir-te no papel da rainha em The Crown. O que achas disso?

Falei com a Olivia quando lhe ofereceram o papel e disse que ela tinha de aceitar. É uma actriz extraordinária. Mal posso esperar por ver o que faz.

Vais ter saudades de interpretar a rainha?

Não. Vou ter saudades das pessoas. Adorei esse papel, mas não sou possessiva em relação às personagens. A minha parte da história está contada. Acabou.

Estavas à espera que a série fosse um sucesso desde o início?

Não, de todo. Não fazíamos ideia do que ia acontecer, até por ser na Netflix. A série podia estar simplesmente ali, ser só mais uma e ninguém querer saber. Era arriscado.

Mas acabou por abrir-te algumas portas, ou não?

Sim. A minha carreira agora é completamente diferente, só porque entrei em The Crown. Nunca pensei que isso pudesse acontecer.

E já se fala em O Primeiro Homem na Lua para os Óscares. Prestas atenção a isso?

Nunca tive de prestar. Não sei. É um mundo novo para mim, deixa que te diga. Só sei que o filme é incrível.

O que achaste de o Matt Smith ter sido mais bem pago do que tu em The Crown?

Só soube disso pelas notícias. Foi estranho. E de repente as pessoas estavam a fazer-me perguntas sobre isso. Acho esquisito que as pessoas esperem que tu tenhas todas as respostas – é o mesmo com a história do #MeToo. As pessoas esperam que tenhas uma opinião sucinta e sejas uma autoridade no assunto. E eu não sei o que dizer. Estou a aprender e a saber das coisas ao mesmo tempo que o resto das pessoas. Esta situação com as remunerações, para mim, foi um pouco assustadora, porque não queria mesmo dizer algo errado.

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