“Devíamos exigir menos às mães, é como se tivessem de ser super heroínas”

Entrevista ao realizador finlandês Joonas Berghall, autor do documentário "Desejo de Mãe", em sala no Cinema City Alvalade.
Desejo de Mãe
Por Cláudia Lima Carvalho |
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O que têm em comum uma mãe astronauta e uma mãe a viver num bairro de lata? À partida diríamos que nada, mas o finlandês Joonas Berghall mostra-nos que estas duas mulheres têm muito mais em comum do que poderíamos imaginar. “Elas partilham o papel de mãe”, diz-nos o realizador de Desejo de Mãe, documentário de 2015 que só agora se estreou nos cinemas, depois de até já ter passado na televisão.

Em Lisboa, o filme pode ser visto no Cinema City Alvalade, onde o realizador esteve há cerca de uma semana a apresentar a obra, que segue dez mães em dez países diferentes. Desejo de Mãe, que contou com o apoio (e o aplauso) da Unicef, mostra-nos o que é ser mãe em diferentes partes dos mundo, com tudo o que se isso tem de belo e desafiante ao mesmo tempo. O nascimento de um filho, o primeiro dia na escola, a ausência, o divórcio dos pais. Está tudo aqui. Falámos com o realizador.  

Como é que apresentaria este filme?

É um filme sobre dez mulheres à volta do mundo. As histórias delas ligam-se através da astronauta Karen Nyberg, que as vê enquanto está numa missão no espaço.

Como é que surgiu a ideia para este filme?

Eu tinha feito dois documentários sobre a igualdade de género do ponto de vista do homem. Por isso, achei que estava na altura de olhar para as coisas da perspectiva da mulher. No início, eu tinha 16 a 20 cenas escritas num post-it, coladas na parede da sala de minha casa. Percebi que estavam todas ligadas aos direitos humanos e à mulher mas sentia-me num beco sem saída e pedi a um colega para vir ter comigo. Ele estava sentado no meu sofá e de repente percebeu que eu, sem saber, tinha escrito a declaração dos direitos humanos na minha parede.

Continuei a minha jornada e escrevi 16 cenas fortes focadas nos direitos das mulheres. O argumento incluía um capítulo sobre a relação com a minha mãe. Quando mostrei a ideia a um dramaturgo ele disse-me que a parte mais forte era a história com a minha mãe. Foi então que tive a ideia de perguntar à minha mãe quais é que eram os seus sonhos e os seus medos em relação a mim. Ela riu-se porque achava que seriam mais de cem coisas, mas eu insisti. Uma semana depois, ligou-me. Percebi que os seus medos e desejos para mim eram muito semelhantes à declaração dos direitos humanos. Foi quando o puzzle se começou a montar.

Como é que escolheu estas mulheres?

As histórias destas mulheres foram escolhidas de acordo com o argumento original, que era muito sobre os direitos humanos e a igualdade. Comecei a ler muitos artigos e publicações diferentes sobre o tema e através desse trabalho descobri, por exemplo, que no Nepal as raparigas raramente têm a possibilidade de ir para a escola. Depois deste trabalho de investigação, contactei uma organização de direitos humanos, uma empresa de produção e um assistente de realização no Nepal. Eles fizeram grande parte do trabalho, tinham de encontrar histórias que se enquadrassem no tema. De referir que nessa altura, não tínhamos financiamento para levar a produção toda para o Nepal e por isso o casting foi feito por eles.

Quanto tempo passou com as mulheres retratadas no filme?

Geralmente, quando ia a um país já sabia quem era a protagonista. Conheci estas mulheres, sentando-me à mesa com elas, bebendo um copo, etc. Eu tinha era de as conhecer muito depressa. Só tive sete dias em cada país, sendo que dois eram para as viagens. Basicamente tinha 5 dias inteiros com elas. Mas tenho uma longa experiência como realizador e por isso é fácil para mim fazer amizades e criar ligações de confiança. Acho que isso é visível no filme. Na verdade só tenho de ser eu, pés assentes no chão e muita atenção a ouvir as histórias, acho que é a chave para qualquer relação.

Ainda hoje tenho uma ligação às mulheres que aparecem no filme. É muito bom ir ouvindo como lhes vai correndo a vida.

O que é que o surpreendeu mais durante todo o processo?

Tivemos todos os tipos de surpresas. Foi um privilégio conhecer o dia-a-dia de uma mãe agricultora no Nepal, tal como foi entrevistar uma mãe que tinha estado seis meses no espaço. São experiências enormes que nunca esquecerei. Também assisti ao nascimento de um bebé, falei com mães na África do Sul… Nunca esquecerei estas coisas.

Qual é que é a maior dificuldade de ser mãe nos dias de hoje?

Acho que é o próprio papel de mãe. É como se as mães tivessem de ser super heroínas. No meu ponto de vista, acho que devíamos exigir-lhes menos. Elas têm de ser mães, ter uma carreira, e sabe-se lá mais o quê.

Apesar das diferenças culturais, temos mais em comum do que pensamos, não é verdade?

Eu acho que tinha uma ideia que foi ganhando força. Algumas mães podem ser pobres, outras ricas, mas o amor de mãe é sempre forte, não interessa de onde vens. Cuidar dos filhos, preocupar-te com eles, é forte e semelhante em todo o lado.

A sua mãe gostou do filme?

A minha mãe nunca gostou que realizasse e produzisse filmes. Sempre me apoiou, mas acho que nunca gostou porque viu como a minha carreira também foi destruindo a minha saúde. Mas este filme foi o primeiro pelo qual ela realmente se interessou. Estava sempre a perguntar como corria. No final, ela ter-me dito que tinha gostado é o mais importante para mim. Isso e todo o feedaback positivo que fui recebendo de várias organizações de direitos humanos.

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