Entrevista a Ari Aster: “Sempre gostei de coisas subversivas”

'Hereditário', o primeiro filme de Ari Aster, deu que falar em Sundance. Falámos com o realizador
Hereditary
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Foi a grande história de sucesso deste ano no festival de Sundance: Hereditário, um filme de terror sobrenatural devastador que dominou as redes sociais. Falámos com o realizador nova-iorquino Ari Aster, de 31 anos, que se estreou atrás das câmaras com este filme.

 

Qual é a tua relação com o cinema de terror?

Quando tinha 12, 13 anos era obcecado por filmes de terror. Mas mesmo obcecado. Tinha uma pasta cheia de imagens imprimidas da internet – imagens do Pinhead e assim. Era uma acumulação compulsiva.

E valeu a pena. De que filmes é que gostas agora?

Eu sempre gostei de coisas subversivas. Há uns quantos filmes de terror que adoro, como A Semente do Diabo [de Roman Polanski]. Aquele Inverno em Veneza, do Nicolas Roeg, também foi uma grande referência para nós. Vejo o Hereditário como um parente espiritual desse filme, porque no fundo é sobre a mágoa. É uma meditação sobre a mágoa.

É isso que está a faltar ao género: profundidade e domesticidade?

Talvez. Há tantos filmes que funcionam como viagens de montanha-russa e, no final, está tudo bem e tu vais para casa. Eu foi muito claro para com a minha equipa: não vamos pensar nisto como um filme de terror. É uma tragédia familiar que se transforma num pesadelo. Assistimos a alguns filmes do Mike Leigh – que é capaz de ser meu cineasta favorito. O Tudo ou Nada e o Segredos e Mentiras. Eu estava numa de assistir a dramas familiares vívidos.

O Hereditário é o teu primeiro filme. Como foi dirigir a Toni Collette em frenesi materno?

Foi definitivamente stressante e houve uma curva de aprendizagem, embora tenha sido um grande alívio perceber que estava a trabalhar com pessoas que sabem o que estão a fazer. O que eu peço aos actores é difícil. É emocionalmente atlético – violento, até.

O burburinho em torno do filme em Sundance era enorme – as pessoas estavam a usar frases como “um marco do cinema de terror” e “um novo Exorcista”. Como é que lidas com isso?

Estou preocupado com o que vou fazer a seguir. [Risos] Tem sido divertido lidar com a hipérbole. Mas acho que não é saudável. Eu não estava a fazer um marco do cinema de terror – estava a tentar fazer um filme de terror de que eu gostasse. Porque eu não gosto de nenhum há muito tempo.

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