Entrevista a Richard Linklater: "Dei por mim a pensar na guerra"

O realizador Richard Linklater continua a fazer as coisas à sua maneira no novo filme, 'Derradeira Viagem'. Falámos com ele
Richard Linklater
©WILSON WEBB
Por Joshua Rothkopf |
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Ao longo dos anos, em clássicos como Slacker, Juventude Inconsciente ou Boyhood – Momentos de Uma Vida, o realizador e argumentista Richard Linklater aprimorou um estilo de cinema descontraído e dialogante, revelando verdades escondidas nos momentos mais subtis. O último filme de Linklater, um drama de câmara íntimo sobre um trio de veteranos da Guerra do Vietname – interpretados por Bryan Cranston, Laurence Fishburne e Steve Carell – adapta um romance de Darryl Ponicsan de 2005. Conversámos com o realizador sobre o novo filme. E sobre política.

De um modo geral, os teus filmes são delicados, gentis. Mas Derradeira Viagem aborda questões políticas complicadas. O que é que te passou pela cabeça?

Dei por mim a pensar na guerra. É algo que te faz sentir impotente. Fazer um filme sobre isso foi uma óptima maneira de explorar sentimentos complexos que tinha em relação ao complexo militar: noções de patriotismo, sacrifício, verdade.

Sinto uma certa raiva aqui, dirigida a uma América que nem sempre merece o compromisso de vida e responsabilidade dos seus soldados.

Não é bem um apelo às armas. É só uma história sobre três homens e como as guerras afectam as pessoas, no imediato e no longo prazo, quando o pior acontece.

Alguma vez pensaste que uma história expressamente sobre o sofrimento e o luto militar pudesse ser tão oportuna?

[Risos] Temos uma pessoa muito insensível a mandar nisto, sem sensibilidade nem empatia, mas sabíamos no que nos estávamos a meter. Ele insultou a família de um herói de guerra durante a campanha eleitoral. Por isso não acredito que alguém esteja genuinamente surpreendido que ele não se comporte melhor.

Dos três protagonistas, o Steve Carell é a maior surpresa. Como é que soubeste que ele era capaz de desempenhar um papel tão calmo e absorto?

O Steve é o tipo de actor de que gosto. Muito esperto e engraçado, mas estóico. Acho que o pai dele era um veterano da Segunda Guerra Mundial. O Steve é hilariante, mas tem um lado mais pensativo, muito contemplativo. Foi óptimo vê-lo a lidar com as emoções do personagem.

Mostraste a Derradeira Viagem a veteranos?

Sim. Oiço sempre palavras como “cicatrizante” e “catárctico”. Isto é sobre eles. Retrata uma relação de amor-ódio que provavelmente é familiar a quase todos os que saem das forças armadas, porque está toda a gente lixada, sabes?

Os teus filmes são quase como conversas. Alguém ficou chocado por quereres fazer um filme de guerra?

A maior parte dos filmes de guerra fazem-me revirar os olhos. Eu não acredito neles – porque em última análise não sinto que sejam críticos da guerra. Gosto de coisas que se revelam lentamente e de modo orgânico através do comportamento humano. Inicialmente havia a ideia de que o livro não dava bem para fazer um filme. Mas eu achei que podia ser o meu tipo de filme. Que podia ser o meu filme de guerra.

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