Fátima vista pelo cinema em seis filmes

No centenário das aparições de Fátima, eis cinco filmes de ficção portugueses e um americano sobre o tema, alguns contra e outros a favor, o mais antigo dos quais rodado nos anos 20
Fátima
©DR Fátima de João Canijo
Por Eurico de Barros |
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Eis seis perspectivas cinematográficas sobre o fenómeno de Fátima, feitas entre a década de 20 do século passado e 2017, e que contemplam opiniões bem diversas sobre o que terá acontecido há 100 anos naquela localidade, e o seu efeito sobre as pessoas

Fátima vista pelo cinema em seis filmes

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“Fátima Milagrosa”, de Rino Lupo (1928)

Assinada pelo italiano Rino Lupo, que fez filmes em Portugal durante vários anos nas décadas de 20 e 30, esta é a mais antiga longa-metragem sobre Fátima. A heroína é Maria Helena, uma jovem nobre da província arruinada, que vai servir para casa de outro aristocrata, em Lisboa, sem lhe revelar a sua origem. A filha do mordomo da casa sofre de paralisia e Maria Helena pede a intervenção de Nossa Senhora de Lourdes. Como o empenho não resulta, decide então ir em peregrinação a Fátima pedir pela rapariga, e dá-se o milagre. Combinando melodrama, devoção e propaganda a Fátima e à sua “superioridade”sobre outros santuários, o ainda mudo Fátima Milagrosa conta com a presença, em pequenos papéis, de Beatriz Costa, Manoel de Oliveira e do seu irmão Casimiro.

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“Fátima, Terra de Fé!”, de Jorge Bum do Canto (1946)

Um prestigiado médico ateu de Coimbra em crise familiar e profissional torna-se crente depois do seu filho, vítima de um acidente de equitação, ser curado por intervenção de Nossa Senhora de Fátima. Esta foi a quarta longa-metragem realizada por Jorge Brum do Canto, que a encarou à época como uma mera encomenda comercial, e nunca se mostrou muito entusiasmado com ela. Primeiro de uma nova produtora, a Filmes Portugueses, de José César de Sá, um director de fotografia, o filme inspira-se num facto real que deu muito que falar à altura em Portugal: a conversão do famoso médico Bissaia Barreto. No elenco, encontramos Barreto Poeira, Graça Maria, Teresa Gomes, Maria Lalande, Igrejas Caeiro e Oliveira Martins.

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“O Milagre de Fátima”, de John Brahm (1952)

Esta fita produzida pela Warner Bros. é uma rara incursão de Hollywood no tema de Fátima, embora se trate de uma produção de segundo plano, como se pode ver pelo orçamento, pelos meios técnicos e por um elenco quase sem actores conhecidos (Gilbert Roland é uma das poucas excepções). O filme, muito kitsch, e onde se ouve falar “portunhol”, além do inglês original, propõe-se recriar da forma o mais fiel possível os acontecimentos alegadamente testemunhados e protagonizados pelos três pastorinhos, Lúcia, Jacinta e Francisco, sendo assumidamente pró-católico e malhando forte e feio na personagens conotadas com o regime republicano da época dos acontecimentos, passando ainda, implicitamente, uma mensagem anti-comunista.

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“O Milagre Segundo Salomé”, de Mário Barroso (2004)

Baseado no livro homónimo de José Rodrigues Miguéis, este filme marcou a estreia na realização do director de fotografia Mário Barroso. A Salomé do título (a estreante Ana Bandeira) é uma jovem prostituta de um dos bordéis mais cotados de Lisboa, pela qual se apaixona um banqueiro que a leva para sua casa. A sua história vai acabar por se cruzar com a dos acontecimentos de Fátima em 1917, dos quais ela se torna numa importante e involuntária protagonista, ao ser confundida com a Virgem pelos pastorinhos. Ironica e claramente crítico do fenómeno fatimista, o filme mostra que, muitas vezes, as aparências iludem mesmo e acabam por ser confundidas com a realidade. Também com Nicolau Breyner, Paulo Pires, Filipe Duarte e Ana Padrão.

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“Jacinta”, de Jorge Paixão da Costa (2017)

No ano passado, o escritor Manuel Arouca publicou o livro Jacinta. A Profecia, sobre aquela que disse ser “a mais carismática” dos três pastorinhos de Fátima. Este filme de Jorge Paixão da Costa (Adeus, Princesa, O Mistério da Estrada de Sintra) que adapta o livro, e que também vai ser uma minissérie, foi feito propositadamente para coincidir com o centenário das aparições e está naturalmente alinhado com uma visão pró-Fátima, retomando o tom das produções portuguesas mais antigas sobre o tema. Jacinta é interpretada por Matilde Serrão, acompanhada por nomes como Dalila Carmo, Pedro Lamares, Rita Salema ou Almeno Gonçalves.

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“Fátima”, de João Canijo (2017)

Onze mulheres vêm de Vinhais, em Bragança, a pé até Fátima, cumprindo aquela que é a mais longe e dura das peregrinações feitas ao Santuário em Portugal. Este filme que João Canijo, partidário de um realismo minucioso e exaustivo, quis que se confundisse com um documentário, não é “pró” nem “contra” Fátima, apesar do realizador não ser crente. O que lhe interessa essencialmente são as relações entre as mulheres que formam o grupo (todas da mesma vila e com origens sociais semelhantes) e estão juntas 24 horas sobre 24 horas durante vários dias, e as consequências que o cansaço físico e psicológico, as dores, as feridas e as mazelas do caminho, têm sobre todas elas e sobre a determinação e a coesão deste pequeno colectivo feminino.

João Canijo e mais Fátima

Fátima
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Fátima

Desengane-se quem pensa que as peregrinações a Fátima são, por sistema, coisas muito espirituais, com muita reflexão religiosa, muita meditação. A julgar por Fátima, de João Canijo, onde 11 mulheres de Trás-os-Montes (interpretadas pela já habitual “companhia” de actrizes do realizador – Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida, Teresa Tavares, Ana Bustorff, etc.) percorrem a pé os mais de 400 quilómetros entre Vinhais e Fátima, as peregrinações são um misto de teste à capacidade de sofrimento individual e de incubadora de tensões, fricções, conflitos, alianças e rupturas dentro do colectivo feminino. 

A Time Out diz
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Jacinta
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Jacinta

Com o Papa a chegar a Fátima era de esperar que os produtos, culturais e não só, claro, relacionados com ele e com os acontecimentos metafísicos na origem da devoção, aumentassem. E aí está, agora em versão “o que aconteceu a Jacinta depois da aparição?” Jorge Paixão da Costa dirige, com argumento de Manuel Arouca e Raquel Palermo, e interpretação de Matilde Serrão, Henrique Mello e Renata Belo.

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