Novos Olhares na Cinemateca – Parte II da Parte II

Mais uma semana, mais uma mão cheia de filmes da segunda parte de Cinema Português: Novos Olhares, ciclo que a Cinemateca dedica, até final de Maio, à nova geração de cineastas.
matamba joaquim
Capitão Falcão
Por Rui Monteiro |
Publicidade

Semana diversa, esta, com filmes de várias metragens e diversos interesses e maneiras de ver. Filmes que podem ser documentais da mais pura escola, experiências plásticas, cinema social e biográfico e até um filme de carácter marcadamente nostálgico e comercial. Eis o que pode esperar da segunda parte do ciclo Novos Olhares na Cinemateca.

Novos Olhares na Cinemateca – Parte II da Parte II

Camera

Homenagem a Quem Não Tem Onde Cair Morto/ Quatro Horas Descalço/ Antero/ Luminita/ Brother

Sessão destinada a correr em clima de terror e suspense e géneros adjacentes, logo a começar, dando o tom, por Homenagem a Quem Não Tem Onde Cair Morto, de Patrick Mendes, um dos realizadores que melhor tem explorado esses territórios. Como acontece com Ico Costa (Quatro Horas Descalço, Antero), embora este, com as suas histórias de vingança e fugas, vagueie mais entre géneros e entre registos dramáticos sem assentar na ficção nem no documentário. André Marques, por seu lado, tem nesta sessão a sua obra mais recente, Brother, e ainda a viagem de luto de dois irmãos de Luminita.

Segunda, 17, 19.00

Camera

Ama-San

Este filme de Cláudia Varejão (que venceu Competição Nacional do DocLisboa o ano passado) nasceu de uma viagem da realizadora ao Japão, onde encontrou inspiração e protagonistas para esta história de três mulheres de diferentes gerações, todas caçadoras de pérolas e de qualquer coisa no fundo do mar que valha uns tostões. Mais do que documentar esta tão arriscada como antiga actividade, Varejão mostra também uma comunidade que, em muitos aspectos, parou no tempo, mantendo uma estrutura familiar semi-matriarcal rara na actualidade.

Terça, 18, 21.30

Publicidade
Camera

Magiae Naturalis/ Apanhar Laranjas/ Square Dance, Los Angeles County, Califórnia, 2013/ Maio Maduro Maio/ Longe/ Adeus Lisboa

Espírito independente? Formas artesanais de trabalho? É aqui, nesta sessão que reúne a exploração poética da memória, segundo Sílvia Fadas, José Oliveira e João Rodrigues. Realizadores distintos, embora de certa forma complementares, exemplos de uma maneira de ver o cinema para quem a memória, geralmente biográfica, é melhor representada em directa ligação com a história do cinema, ou melhor, através da citação/ homenagem aos seus cineastas preferidos, que é, naturalmente, expressão da sua cinefilia.

Quarta, 19, 19.00

Camera

Pé na Terra/ Lacrau

Uma curta e uma longa-metragem mostram como a fronteira do cinema documental é território experimentado por João Vladimiro. O que lhe valeu, com Lacrau, a consideração de ser o Melhor Filme Português do IndieLisboa, em 2013. Em ambas as películas o realizador cria, ou observa interventivamente territórios fechados, universos autónomos em convívio com a realidade, excepções no tecido social e político e estético, sobre a vida e a natureza.

Quinta, 20, 19.00

Publicidade
Camera

Imaculado/ Capitão Falcão

Um filme de Gonçalo Waddington, ou dois filmes com Gonçalo Waddington, é que é esta sessão. O primeiro é uma visão do actor por detrás da câmara, uma deriva dramática e narrativa (com, além do realizador, Isabel Abreu, Carla Maciel e Helena Oliveira) sobre a história de um homem, habitante de um interior rural qualquer, capaz de viver com uma estranha mudança no seu corpo. Já o segundo filme da sessão, Capitão Falcão, é uma farsa sobre super-heróis e salazarismo, isto é, super-heróis salazaristas sempre prontos a combater a democracia e o comunismo, dirigida por João Leitão.

Sexta, 21, 21.30

Camera

Estrela da Tarde/ Cruzeiro Seixas – As Cartas do Rei Artur

Com a presença de Madalena Miranda e Cláudia Rita Oliveira, realizadoras, respectivamente, de Estrela da Tarde e Cruzeiro Seixas – As Cartas do Rei Artur, a discussão será decerto sobre o estado do documentário. Antes, porém, os documentários propriamente ditos. No primeiro encontramos a rotina de uma dona de casa vivendo nos arredores de Lisboa, repetindo tarefas acompanhando-se por música que, talvez, lhe permita ausentar-se por algum tempo da sua condição. No dirigido por Cláudia Rita Oliveira está uma visão peculiar sobre a vida do artista plástico Cruzeiro Seixas, elaborada a partir da sua correspondência e da sua relação pessoal e artística com Mário Cesariny.

Sábado, 22, 21.30

Publicidade
Camera

As Operações SAAL

Na véspera de comemorar a revolução nada mais apropriado que um clássico do movimento social pós-25 de Abril, como foi o programa de alojamento social Serviço Ambulatório de Apoio Local (ou SAAL), documentado por João Dias. Este programa governamental, realizado entre 1974 e 1976, visava, com o apoio de muitos arquitectos, entre os quais Siza Vieira, a “reconstrução urbana de um Portugal pós-revolucionário e empobrecido”. E o que o realizador faz, em 2007, é reunir imagens de arquivo e protagonistas numa espécie de relato e balanço dessa iniciativa única de aliança entre arquitectos e cidadãos.

Segunda, 24, 19.00

Camera

Praxis/ O Medo à Espreita

Ainda integrado no – digamos – programa de festas do 25 de Abril, esta sessão leva, com Praxis, de Bruno Cabral (que foi Melhor Curta-Metragem Portuguesa no DocLisboa, em 2011), ao mundo das praxes académicas e à consequente polémica sobre estas práticas de carácter quase sempre autoritário e humilhante. Já o filme de Marta Pessoa, sobre a vida de cidadãos perseguidos pelo regime salazarista e seus presos políticos, mostra muito do ambiente de perseguição política do Estado Novo aos seus opositores.

Segunda, 24, 21.30

Todos à Cinemateca

paula rego nova
©Manuela Morais
Arte, Pintura

Cinco filmes que Paula Rego recomenda ver na Cinemateca

Esta é a semana de Paula Rego: o documentário Paula Rego: Histórias e Segredos, uma conversa íntima com o filho, Nick Willing, estreia quinta-feira e na sexta inaugura uma exposição com o mesmo nome na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. Através das suas obras, algumas nunca expostas em Portugal, ou dos segredos que o filho capta no filme, descobre-se que a vida e a obra desta pintora são um contínuo, sem separações. Algumas das fontes de inspiração para as suas obras vão estar durante todo o mês de Abril na Cinemateca Portuguesa, no ciclo "Carta Branca a Paula Rego". São dez filmes escolhidos pela artista que vive em Londres e que contam com a sua presença e apresentação na primeira sessão, esta quarta-feira, às 19h, para ver Quando os Sinos Dobram, de Michael Powell e Emeric Pressburger. Olhámos para as escolhas de Paula Rego e escolhemos cinco que mostram como são ecléticas. Leia mais sobre o documentário e a exposição na Time Out desta semana. Cinemateca Portuguesa, Rua Barata Salgueiro, 39. Seg-Sáb. 3,20€

Publicidade