O cinema também gosta (e muito) de vinho

Aproveitámos a estreia de 'Aquilo que nos Une', de Cédric Klapisch, passado na França vinícola, para recordar uma dezena de filmes que têm o vinho como tema

Sideways

Dos anos 50 aos nossos dias, realizados em Hollywood ou em França, eis dez fitas onde o vinho tem um lugar preponderante, sejam elas dramas, comédias, histórias de família ou até mesmo policiais

O cinema também gosta (e muito) de vinho

‘Esta Terra é Minha’, de Henry King (1959)

O meio vinícola da Califórnia nos anos 30 é o pano de fundo para este melodrama tipicamente hollywoodesco, em que Jean Simmons interpreta Elizabeth Rambeau, uma rapariga inglesa que vai viver nos EUA com os tios, ricos donos de grandes vinhas naquela região. Além do interesse romântico, que junta as personagens de Simmons e de Rock Hudson, que faz de primo ilegítimo de Elizabeth, Esta Terra é Minha é também um documento sobre o negócio e a economia do vinho nos EUA, e na Califórnia muito em especial, durante a Lei Seca.

‘O Segredo de Santa Vitória’, de Stanley Kramer (1969)

Ambientada em Itália, nos últimos tempos do regime de Mussolini, esta turbulenta comédia tem Anthony Quinn no papel de Bambolini, o bêbado residente da cidadezinha de Santa Vitória, situada numa região produtora de vinho. Na confusão que se vive depois da queda do governo fascista, Bambolini vê-se nomeado presidente da Câmara. Quando descobre que os alemães pretendem ocupar Santa Vitória e confiscar todo o precioso vinho lá existente, tem que pensar num plano para impedir que isso suceda. Também com Anna Magnani.

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‘O Ano do Cometa’, de Peter Yates (1992)

Escrito por William Goldman, um dos nomes maiores do argumento do cinema americano, e realizado pelo inglês Peter Yates, este filme é uma divertida comédia romântica e policial que se centra numa raríssima garrafa de vinho francês que pertenceu a Napoleão, que muita gente quer possuir, por meios legais ou sujos. A atarefada intriga começa na Escócia e termina em França, envolvendo a filha de um grande comerciante de vinhos (Penelope Ann Miller), o guia e guarda-costas desta (Tim Daly), um cientista francês amoral (Louis Jourdan) e vários outros vilões.

‘Um Passeio nas Nuvens’, de Alfonso Arau (1995)

O actor mexicano Alfonso Arau assina este drama romântico passado na região dos vinhos da Califórnia, logo após o fim da II Guerra Mundial. Um soldado regressado da Europa (Keanu Reeves) conhece uma rapariga mexicana-americana (Aitana Sánchez-Gijón), que regressa a casa da universidade, para ajudar a família na vindima, em Napa Valley. A jovem está grávida de um professor e cheia de medo da reacção do seu autoritário pai (Giancarlo Gianinni). O soldado oferece-se para fingir que é o marido dela, até que as coisas se resolvam, e acaba apaixonado pela rapariga e pelo cultivo do vinho.

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‘Sangue e Vinho’, de Bob Rafelson (1996)

Um policial que remete para a idade de ouro do género de Hollywood, embora se passe em Miami, onde faz sempre sol e seja filmado em vibrantes cores estivais pelo sempre sólido Bob Rafelson. Jack Nicholson personifica Alex Gates, um comerciante de vinhos com uma mulher alcoólica e à beira da falência. Para salvar o negócio, e juntamente com o seu amigo Victor (Michael Caine), um arrombador de cores veterano, Alex leva a cabo um assalto em casa de um casal de ricos clientes. A partir daí, o sangue vai correr mais que o vinho.

‘Conto de Outono’, de Éric Rohmer (1998)

Último filme da série Contos das Quatro Estações do realizador francês, este Conto de Outono tem como principal protagonista Magali (Béatrice Romand), uma viúva que explora uma vinha na região de Ardèche, e à qual a sua melhor amiga, Isabelle (Marie Rivière), bem como a namorada do filho, Rosine (Alexia Portal), querem arranjar um marido. Encontros, desencontros e inesperados das relações amorosas, subtil e sensualmente orquestrados por mestre Éric Rohmer, no tempo em que as uvas estão prontas para ser colhidas e transformadas em vinho e a vida das personagens principais entra na fase outonal.

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‘Sideways’, de Alexander Payne (2004)

Uma história de frustração existencial sob a forma de uma comédia dramática passada no “país dos vinhos” dos EUA. Miles (Paul Giamatti), um divorciado, escritor gorado, professor e apreciador de vinho, vai ser o padrinho de casamento do seu grande amigo Jack (Thomas Haden Church), um actor que já teve os seus dias e irá trabalhar com o sogro no imobiliário. Os dois homens vão passar uma semana na região vinícola californiana antes de boda e travam conhecimento com duas amigas, Maya (Virginia Madsen) e Stephanie (Sandra Oh). Todos os seus sonhos mortos, angústias e temores virão ao de cima e Alexander Payne usa o vinho como metáfora para a condição do quarteto de protagonistas.

‘Um Ano Especial’, de Ridley Scott (2006)

Nesta adaptação do best-seller de Peter Mayle, Russell Crowe interpreta Max Skinner, um corretor inglês que herda a casa e os terrenos que o seu tio favorito tinha em França, na Provença e onde passou muitas férias de Verão. Max pretende vender a propriedade o mais depressa possível, mas uma série de circunstâncias fazem com que se demore lá e que descubra que dois dos locais estão a fazer vinho usando ilegalmente uvas dos seus terrenos. Entretanto, além de se ter apaixonado pela dona de um café da vila (Marion Cottilard), Max começa também a recuperar os laços afectivos que tinha com a propriedade e com a região.

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‘Duelo de Castas’, de Randall Miller (2008)

No dia 24 de Maio de 1976, realizou-se em Paris uma prova cega, que colocou frente-a-frente uma selecção de vinhos franceses e outra de vinhos da Califórnia. Os vinhos americanos ganharam em todas as categorias e a prova ficou conhecida para a posteridade como O Julgamento de Paris. Este filme é uma recriação bastante fiel do acontecimento, com Alan Rickman no papel de Steven Spurrier, o comerciante de vinhos inglês e reputado enólogo residente em Paris, que teve a ideia da prova. O melhor elogio que podemos fazer a este filme é que o vemos com todo o interesse, mesmo que não tenhamos o menor interesse em vinhos ou sejamos totalmente ignorantes sobre o tema.

‘Tu Seras Mon Fils’, de Gilles Legrand (2011)

Um enredo que envolve vinhos e conflitos de família na afamada zona vinícola francesa de Saint-Émilion. Paul Marseul (Niels Arestrup) é o proprietário de um castelo e um prestigiado e dedicado vitivinicultor da região, que não vê com bons olhos que o filho, Martin (Laurànt Deutsch) lhe suceda à frente do negócio, por achar que ele não tem a paixão, a visão e o talento para o gerir. Qualidades que Paul encontra em Philippe (Nicolas Bridet), o filho do seu director, para o qual se vira, para desgosto e revolta de Martin. Gilles Legrand filma a forma como o amor ao vinho pode dividir um pai e um filho, e os problemas da transmissão do conhecimento e da tradição nesse meio. Inédito em Portugal.

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