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Taxi Driver
DR Taxi Driver

Os 12 melhores filmes de Martin Scorsese

“O Irlandês”, de Martin Scorsese, estreia-se na Netflix na quarta-feira. Fizemos uma selecção dos filmes mais significativos do realizador americano.

Por Eurico de Barros
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Realizado para a Netflix e interpretado por Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, e com três horas e meia de duração, O Irlandês marca o regresso de Martin Scorsese aos filmes de gangsters, apresentando uma história que cobre várias décadas e está relacionada com o desaparecimento de Jimmy Hoffa, o carismático líder sindicalista americano que estava em conluio com a Mafia. A propósito desta estreia, fomos passar em revista a rica filmografia de Martin Scorsese (que fez 77 anos há poucos dias) e escolhemos aquelas que consideramos ser as suas 12 melhores fitas.

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Os 12 melhores filmes de Martin Scorsese

Os Cavaleiros do Asfalto (1973)

Nova Iorque, Little Italy, mafiosos de várias idades e postos, violência à flor da pele e a manifestar-se onde quer que seja, relações familiares tensas, catolicismo, dilemas existenciais, sentimentos de culpa. O essencial – ou grande parte – do que seria o cinema de Martin Scorsese e o seu ecossistema visual, emocional e espiritual, já está contido, anunciado, a levantar fervura, em Os Cavaleiros do Asfalto. E já lá se encontram também, ainda muito novos, dois dos seus actores favoritos, Robert De Niro e Harvey Keitel.

Alice Já Não Mora Aqui (1974)

As mulheres não costumam ser personagens principais no cinema de Martin Scorsese, o que é uma razão extra para apreciarmos a Alice Hyatt de Alice Já Não Mora Aqui. Ela perdeu o marido num acidente, tem um filho de 11 anos, gostava de ser cantora mas regressa à cidade natal para fazer pela vida e arranja um emprego de criada num modesto restaurante. É um retrato feminino magnificamente realista e nunca redutoramente melodramático, e Helen Burstyn ganhou o Óscar de Melhor Actriz pela sua interpretação.

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Taxi Driver (1976)

Escrito por Paul Schrade, este é o filme que consagrou Martin Scorsese com um mais importantes realizadores da sua geração e Robert De Niro como um dos seus actores mais representativos. Taxi Driver é um vigilante movie muito mais complexo e torturado do que o habitual no género, um dos mais intensos e originais de ressaca do Vietname e um dos mais realistas, frontais e gráficos já rodados em Nova Iorque, ficando como um documento fundamental desses tempos de uma cidade em crise, cruzada pelo táxi de um homem tão perturbado como revoltado com o que vê à sua volta.

O Touro Enraivecido (1980)

Um dos mais crus e mais originais filmes de boxe já feitos, que é também o retrato do pugilista Jake LaMotta, um homem que transpôs para a sua vida pessoal e familiar a violência que era o seu ganha-pão e que só parecia estar bem a bater em alguém ou a levar pancada de outra pessoa. Robert De Niro não só ganhou peso para o papel como parece ter mesmo mudado fisionomicamente e Scorsese filma os combates como se a sua intenção fosse tirar às pessoas a vontade de voltarem a ver boxe para sempre.

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O Rei da Comédia (1982)

Impressionado pelo assassinato de John Lennon, Martin Scorsese filmou esta comédia negra sobre a obsessão pela celebridade, que tem vindo a ganhar cada vez mais relevância. Robert De Niro é o patético Rupert Pupkin e Jerry Lewis faz Jerry Langford, o famoso apresentador de talk shows, divertido e exuberante perante as câmaras, mas bisonho e antipático na realidade, que aquele venera e depois rapta, na sua ânsia de ser aparecer na televisão e ser famoso. Cada gargalhada de O Rei da Comédia vem acompanhada por um arrepio.

Nova Iorque Fora de Horas (1985)

Martin Scorsese transforma um encontro aparentemente inofensivo entre um homem (Griffin Dunne) e uma mulher (Rosanna Arquette) que mal se conhecem, num pesadelo acordado para aquele, que se vê transmutado numa versão moderna e cómica do Job bíblico, tantas e tão hilariantes são as situações que tem que enfrentar ao longo de uma noite em que quanto mais se esforça para voltar para casa, em mais confusões se mete e mais gente estranha e hostil cruza. E Nova Iorque é aqui o negativo da cidade dos filmes de Woody Allen.

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Tudo Bons Rapazes (1990)

Scorsese cresceu com gangsters como o Henry Hill deste filme, depois tornado delator, e por isso Tudo Bons Rapazes vibra com a verdade humana e com o profundo conhecimento que o realizador tem da mentalidade, da vida, das taras e das relações entre estes “quadros médios” da Mafia. O filme é como que a descrição do sonho americano traduzido em termos da vida de um criminoso na Nova Iorque dos anos 50 e 60 e está cheio de sequências inesquecíveis, tal como o são as interpretações de Ray Liotta, Robert De Niro e Joe Pesci, este num psicopata que mata por dá cá aquela palha.

A Idade da Inocência (1993)

Homem das mean streets por excelência, Scorsese parecia ser um realizador muito pouco indicado para filmar um romance da escritora Edith Wharton passado na Nova Iorque do século XIX, ambientado entre as suas famílias mais abastadas e envolvendo uma história de amor reprimido. Mas ele prova aqui que é capaz de recriar um mundo totalmente alheio ao seu e já desaparecido, um mundo de riqueza, privilégio, sofisticação e sentimentos disfarçados ou escamoteados, com sumptuosidade, elegância, meticulosidade e contenção emocional. A Idade da Inocência é o filme “viscontiano” de Martin Scorsese.

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Casino (1995)

Por ter sido feito depois do electrizante Tudo Bons Rapazes, Casino é muitas vezes desfavoravelmente comparado com este. E também injustamente. Casino quer ir ainda mais longe e mais fundo do que aquele foi no seu mergulho no mundo do crime organizado, e também ter uma aura operática. Por isso, Scorsese instalou-o em Las Vegas, meca do jogo, da ganância e do pecado, com um alinhamento de actores irresistível: De Niro e Joe Pesci de novo, e ainda James Woods, Don Rickles e Sharon Stone, fabulosa numa arrivista que consegue bater os homens que a rodeiam no jogo deles.

Por um Fio (1999)

Este é decerto um dos filmes mais subvalorizados de Martin Scorsese e merece ser redescoberto e reconsiderado. Nicolas Cage, num dos seus grandes papéis – também ignorado –, personifica um paramédico do 112 de Nova Iorque que está à beira de um colapso, e que procura manter a sanidade, ao longo de três turnos nocturnos. Scorsese filma-os como uma espécie de provação que a personagem atravessa, entre o tangível e o sobrenatural, e que envolve situações reais dilacerantes e visões fantasmagóricas inquietantes. Nova Iorque é aqui, de novo, uma cidade tudo menos acolhedora.

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O Lobo de Wall Street (2013)

Um filme deliberadamente excessivo sobre excessos. Os de Jordan Belfort, um corretor de Wall Street insondavelmente trafulha (excelente Leonardo DiCaprio) e dos seus associados burgessos; e por associação, os da própria Wall Street, seca da ética e imune às leis que orientam a conduta e governam a existência comum dos mortais. Scorsese tira do saco toda a sua artilharia pesada cinematográfica para contar esta história de vigarice em grande escala, ganância sem freio, novo-riquismo vertiginoso e boçalidade arrogante.

Silêncio (2016)

Martin Scorsese levou 25 anos até conseguir apoios para filmar o livro homónimo do escritor japonês católico Shusaku Endo, e fê-lo sob a forma de um thriller espiritual com muita tortura da carne e muito tormento da alma. Esta história, baseada em factos reais, de missionários jesuítas portugueses supliciados no Japão do século XVII, reflecte as interrogações morais e religiosas que têm acompanhado o realizador ao longo da sua vida, e encontrado eco na sua filmografia. No final de Silêncio, e tenhamos ou não convicções religiosas, a grande vitória é a da crença no poder estético, narrativo e dramático do cinema.

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