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Os melhores filmes de gangsters

Os espectadores gostam de se identificar e se rever nos malfeitores. É o que acontece nos melhores filmes de gangsters

Por Editores da Time Out Lisboa
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Desde cedo se percebeu que os espectadores nem sempre se identificam com os bons da fita. Antes pelo contrário. Há quase sempre algo de sedutor nos malfeitores que se passeiam pelo grande ecrã (mesmo quando são inspirados em figuras reais). Seja pelo seu carisma, pela camaradagem criminal, ou até, no limite, pelo desrespeito por certas regras da sociedade que todos fantasiamos quebrar – mesmo quando não o admitimos. De Scarface, o Homem da Cicatriz aos mânfios de Tudo Bons Rapazes e Pulp Fiction, passando por O Padrinho, Vito Corleone, há muito do que (e de quem) gostar nestes filmes de gangsters.

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Os melhores filmes de gangsters

1. Scarface, o Homem da Cicatriz (1932)

As coisas são como são. Por exemplo: o filme de Howard Hawks sobre o crime na era da Lei Seca em Chicago, uma versão mal disfarçada da história de Al Capone, começou por ser considerado pelo estúdio matéria demasiado controversa para ser exibido. A razão principal era a de que glamorizava, por assim dizer, o crime e os criminosos, numa época, a Grande Depressão, em que o desemprego e a fome não deixavam alternativas a muitos. Era verdade, mas ainda assim a realização de Hawks é um trabalho excepcional, que não contempla julgamento moral na sua procura por uma outra versão da verdade através da exploração dos novos códigos estéticos permitidos pelo cinema sonoro. As interpretações exemplares de Paul Muni e Ann Dvorak são um grande contributo ao trabalho do realizador, mas é sem dúvida George Raft quem se faz notar e quem melhor encarna o carácter primário da personagem.   

2. Bonnie e Clyde (1967)

Há muito que o cinema era acusado de glamorizar o crime e os criminosos. Pois foi exactamente isso que Arthur Penn fez ao contar a história de dois miseráveis desajustados e iludidos. Mais, além de tornar os cruelmente famigerados Bonnie (Faye Dunaway) e Clyde (Warren Beatty) numa espécie de Romeu e Julieta do crime de pé-descalço que realmente representavam, glamorizou em magníficas imagens a violência dos seus actos e, mais do que tudo, a sua barbárica captura e execução pelas forças policiais numa sequência tão chocante como fascinante.

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3. O Padrinho (1972)

Realizado por Francis Ford Coppola, a partir do romance homónimo e campeão de vendas de Mario Puzo, O Padrinho é frequentemente considerado o melhor filme de gangsters de sempre. E um dos melhores filmes de sempre, ponto. É uma história de violência mafiosa e, ao mesmo, um melodrama familiar, acompanhando o poderoso clã Corleone ao longo de uma década, entre 1945 e 1955. Com um elenco de luxo que inclui, entre outros, Marlon Brando, vencedor do Óscar de melhor actor pela interpretação de Vito Corleone, James Caan, Robert Duvall ou Al Pacino, todos eles nomeados para o Óscar de melhor actor secundário.

4. O Padrinho: Parte 2 (1974)

Se o primeiro O Padrinho é um grande filme e o último uma teoria de conspiração verosímil mas mal-amanhada, a Parte 2 da saga é a obra excepcional que afirmou Francis Ford Coppola como um realizador capaz de influenciar o cinema do futuro. O que ele de facto fez, abrindo caminho e ganhando o dinheiro e o prestígio suficientes para realizar Apocalipse Now e mais uma mão-cheia de filmes notáveis. Se Marlon Brando derramou talento no primeiro volume, é Robert De Niro (Óscar para Melhor Actor Secundário), interpretando o mesmo Vito Corleone enquanto jovem meliante, quem brilha neste episódio da saga, que é, em simultâneo, prólogo e sequela da obra que transformou a visão comum sobre o crime e os criminosos, pelo mecanismo simples de abordar a sua vida familiar, mostrando como um assassino ama os seus filhos, mesmo que não hesite em matar o irmão.

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5. Era Uma Vez na América (1984)

Sergio Leone, apesar da consideração ganha com Por Um Punhado de Dólares e Aconteceu no Oeste, procurava ainda a sua legitimação como cineasta capaz de criar filmes que lhe retirassem a tabuleta de curiosidade criada pelos seus western spaghetti. Nunca conseguiu a tal legitimidade. Porém, na sua única incursão pelo cinema americano, e com um elenco luxuoso, onde pontificava Robert De Niro e brilhavam James Woods, Elizabeth McGovern, Joe Pesci, ou Danny Aiello, realizou o seu desejo com mérito e distinção. Embora perseguido pela controvérsia desde a estreia, no Festival de Cannes, em parte pela sua exibição descarnada da violência, em parte pela sua duração (quatro horas e meia severamente retalhadas pelo estúdio na versão exibida nos Estados Unidos), Era Uma Vez na América cobre, por assim dizer, cinco décadas de vida criminal no submundo nova-iorquino com uma elegância ímpar.

6. Os Intocáveis (1987)

Durante os anos da Lei Seca, Al Capone (Robert De Niro) controlava quase todos os aspectos da vida de Chicago, a partir das sombras. Até que, neste filme de Brian de Palma com argumento de David Mamet que ficcionaliza e adapta o que realmente se passou, o agente Eliot Ness (Kevin Costner) e os seus Intocáveis se cruzaram com o poderoso chefão do crime de Chicago. Sean Connery, no papel do polícia Jim Malone, venceu o Óscar e o Globo de Ouro para melhor actor secundário pela sua interpretação.

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7. Balas Sobre a Broadway (1994)

É no mundo teatral da Broadway, em finais dos anos 20, que se localiza o enredo desta comédia que mete ao barulho dramaturgos, gangsters, actores e actrizes. John Cusack é um jovem e ambicioso autor que, para conseguir dinheiro para montar a sua peça, concorda em incluir no elenco Olive (Jennifer Tilly), a amante sem ponta de talento de um gangster, e descobre que o brutamontes que lhe serve de guarda-costas, Cheech (Chazz Palminteri), tem um talento nato para o teatro e lhe dá preciosas sugestões para a produção. A selecção musical de música da época é, mais uma vez, brilhante.

8. Tudo Bons Rapazes (1990)

A discussão continua em aberto sobre se o melhor filme de bandidagem mafiosa é O Padrinho, de Francis Ford Coppola, a sua continuação, pelo mesmo realizador, ou Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese. Sendo todas excelentes obras cinematográficas, e estando as películas a anos-luz da concorrência, é uma discussão estéril. Certo é que, além das muito notáveis prestações de De Niro e, melhor ainda, de Ray Liotta e Joe Pesci, e do mesmo muito bem urdido argumento de Nicholas Pileggi a partir do seu romance, a realização de Scorsese é uma viagem à vida interior de um gangue dirigida como uma montanha russa desenfreada com os carrinhos à beira de serem projectados dos carris.

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9. Cães Danados (1992)

O primeiro filme de Quentin Tarantino, realizado em 1992, com ele próprio na interpretação, acompanhado por Harvey Keitel, Tim Roth, Michael Madsen, Steve Buscemi e Chris Penn, é uma espécie de amostra do que estava para vir deste cineasta entrado de rompante no círculo do cinema alternativo norte-americano. Nesta obra inicial, apesar de uma pitada de humor sádico, a violência, entre os membros desta quadrilha a quem correu mal o planeado assalto a uma joalharia, é rainha e apresentada como uma trágica estratégia de sobrevivência, totalmente desprovida de moral, numa sucessão de planos e sequências que são um petisco cinéfilo.

10. Pulp Fiction (1994)

Depois da auspiciosa recepção a Cães Danados, Quentin Tarantino ultrapassou a difícil prova da segunda longa-metragem realizando o primeiro filme pós-moderno a invadir a corrente dominante e nela ganhar um lugar de honra. De uma assentada, o realizador criou (com Roger Avary) uma história permanentemente à beira do abismo narrativo, onde humor corrosivo e violência descabelada convivem harmoniosamente, utilizando por tudo e por nada referências à cultura pop, no processo reabilitando a carreira de John Travolta, fazendo a sua personagem brilhar num elenco onde se encontraram Uma Thurman, Samuel L. Jackson, Tim Roth, Bruce Willis e Maria de Medeiros.

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