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Sete policiais franceses para noites de insónia

Croissants e Jacques Brel não são as únicas exportações francesas a ter em conta. Eis sete argumentos que o comprovam

Por Rui Monteiro e Tiago Neto
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Para eles é noir ou polar, o que nem interessa, pois o cinema policial francês – descendendo de e por vezes imitando o padrão norte-americano – tem toda uma vida à parte, preenchida por crimes filmados com agilidade, requinte e substância. Não há como negar que clássicos como O Acossado de Godard, O Salário do Medo de Henri-Georges Clouzot ou O Carteirista, de Robert Bresson, são peças inestimáveis de cinematografia que nos levam de viagem durante horas. Aproveitando esse facto, decidimos dar-lhe sete policiais franceses para as noites de insónia que, garantidamente, são fórmulas bastante úteis de aproveitar noites em branco.

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Sete policiais franceses para noites de insónia

"O Salário do Medo", Henri-Georges Clouzot (1953)

Henri-Georges Clouzot criou, com este filme protagonizado por Jean Gabin, a primeira obra-prima do cinema policial francês. Graças a uma ardilosa mistura de géneros, o que parece uma arriscada missão profissional torna-se em road movie e película de investigação, antes de desembocar num suspense denso, que permite ao realizador explorar as mais profundas e negras, digamos, deficiências de carácter dos seres humanos, traçando o seu retrato como uma delirante orgia de misoginia, sadomasoquismo e ganância.

"Rififi", Jules Dassin (1955)



Tony sai da prisão mas não vem totalmente reabilitado e logo se junta a antigos parceiros com planos de assalto. Porém, tendo em conta a modéstia do projecto, propõe outro mais ousado, mais lucrativo, mais perigoso. Corre tudo bem, mas com um quarto de milhão no bolso, um dos membros da quadrilha comete um erro, pequeno, mas importante o suficiente para despertar a inveja e a vontade de vingança de um gangue rival.

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"O Carteirista", Robert Bresson (1959)

Robert Bresson apresenta o caso de um homem incapaz de controlar o seu desejo de roubar como se fosse um estudo científico: uma investigação ao interior de um cérebro que, depois de uma estada na prisão, decide ficar à parte e não se regular pelas regras sociais. Bresson explora a queda de Michel (Martin LaSalle) para o roubo como um vício, introduzindo dose considerável de psicanálise nesta aventura de pecado e redenção.

"O Acossado", Jean-Luc Godard (1960)

Ainda se desenhavam os contornos do cinema engendrado pela nouvelle vague quando Jean-Luc Godard e o argumentista François Truffaut meteram mãos a esta homenagem ao cinema americano. O realizador chamou-lhe um documentário sobre Jean Seberg e Jean-Paul Belmondo, mas O Acossado está longe do documental na sua desembestada narrativa das aventuras do bandido de meia-tijela e sangue na guelra Michel Poicard, em fuga para Paris depois de matar um polícia.    

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"A Piscina", Jacques Deray (1969)



Foi um pequeno escândalo em Portugal quando Jacques Deray expôs o peito nu de Romy Schneider e a censura deixou passar. Tirando o fait-diver numa sociedade puritana e atrasada, A Piscina é uma espécie de derivado do policial com grande percentagem de drama psicológico na sua disputa de favores sentimentais e carnais

"Diva", Jean-Jacques Beineix (1981)



O impressionismo e o existencialismo nunca foram alheios à obra de Jean-Jacques Beineix, mas no dealbar da década de 1980, no seu primeiro filme, estas eram ainda pistas para o futuro do seu cinema. Com este filme estilizado e plástico o realizador iniciava uma nova tendência do cinema policial francês (como se verá, mais tarde, com Luc Besson e Leos Carax) com a história de um fanático de ópera que grava clandestinamente o recital de uma diva.

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"De Tanto Bater Meu Coração Parou", Jacques Audiard (2005)



Cinema negro e realismo social não são os companheiros mais habituais, mas na película de Jacques Audiard (a partir de Fingers, um filme menor de James Toback) são unha com carne. A obra acompanha a vida do filho de um bandido encarreirado para prosseguir a tradição familiar, até descobrir no piano uma possível alternativa de vida. A vida, porém, é mais crua, e o dilema interpretado por Romain Duris torna-se um drama violentamente radical.

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