Prémios Sophia: E os vencedores são…

Pronto, já passou aquela noite do ano que os profissionais de cinema portugueses dedicam a celebrar os melhores filmes de 2016. Como diz o outro: foi bonita a festa, pá. E o vencedor dos vencedores? Foi Cartas de Guerra
Por Rui Monteiro |
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A entrega dos prémios da Academia Portuguesa de Cinema, entre a festa e a contestação à política governamental para o sector, devidamente moderada por alguma solenidade, teve vários vencedores nas muitas categorias disponíveis. Mas nove troféus… Quer dizer, colocam Ivo Ferreira e a escrita de Lobo Antunes bem à frente do pelotão.

Prémios Sophia: E os vencedores são…

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Nove, foi a conta que a Academia fez

Como se costuma dizer, em boa hora teve Ivo Ferreira a ideia de pôr em cinema as cartas que o escritor António Lobo Antunes escreveu à mulher quando a Guerra Colonial os afastou. As quais, só por si, depois de adaptadas pelo realizador e por Edgar Medina, valem parte considerável do filme. Contudo, Cartas de Guerra é mais do que a adaptação de um belo conjunto de textos. É um filme que corresponde a uma ideia de cinema. Uma ideia de cinema que prefere a arte ao entretenimento mas mantém os pés na terra, por assim dizer. Daí que das suas 11 nomeações tenha ficado com os prémios Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado, mais Melhor Montagem (Sandro Aguilar), Melhor Direcção de Fotografia (João Ribeiro), Melhor Som (Ricardo Leal), Melhor Guarda-Roupa (Lucha d’Órey), Melhor Direcção Artística (Nuno G. Mello), Melhor Maquilhagem e Cabelos (Nuno Esteves).

 

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Desilusão

Desapontados ficaram decerto os que trabalharam em Cinzento e Negro (que ainda há uma semana brilhara no Prémio Autores), pois das suas 14 nomeações, que o colocavam naturalmente à frente das expectativas, o filme de Luís Filipe Rocha apenas recolheu prémios nas categorias Melhor Actor Principal (Miguel Borges), Melhor Banda Sonora Original (Mário Laginha) e Melhor Argumento Original (Luís Filipe Rocha).

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Outros momentos altos da noite

Entre a homenagem da Academia ao actor Ruy de Carvalho com o prémio Mérito e Excelência, e o anúncio da criação dos Prémios Nico, baptizados com o diminutivo porque era conhecido Nicolau Breyner, e destinados a incentivar os novos valores do cinema português, muito galardão foi entregue. Ana Padrão, por exemplo, recebeu, pela sua participação em Jogo de Damas, dirigido por Patrícia Sequeira, o prémio Melhor Actriz Principal. Já Manuela Maria e Adriano Carvalho, respectivamente Melhor Actriz Secundária e Melhor Actor Secundário, deram alguma visibilidade a A Mãe é que Sabe, de Nuno Rocha; enquanto Refrigerantes e Canções de Amor, de Luís Galvão Telles, subiu ao palco pela mão de Sérgio Godinho e Filipe Raposo, compositores de Sobe o Calor, tema do filme e Melhor Canção Original. 

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Deixai vir a mim os estudantes (e as curtas e os documentários)

O prémio Sophia Estudante, por sua vez, foi entregue a A Instalação do Medo, de Ricardo Leite, enquanto Menina, de Simão Cayatte, recebeu o troféu para Melhor Curta-Metragem de Ficção, sendo a Melhor Curta-Metragem de Animação Estilhaços, de José Miguel Ribeiro. Finalmente, mas nem por isso menos importante, o documentário. E aí o talento cinematográfico de Nélson Guerreiro e Pedro Fidalgo, e a brilhante carreira de José Mário Branco como compositor, cantor, arranjador e produtor, valeram o prémio Melhor Documentário em Longa-Metragem a Mudar de Vida, José Mário Branco, vida e obra. Já Leonor Teles, depois de o ano passado receber o Urso de Ouro no Festival de Cinema Berlim, ganhou agora Melhor Documentário em Curta-Metragem com a já célebre Balada de um Batráquio.

Especial Prémios Sophia

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