Sete filmes essenciais de George A. Romero

O mestre do cinema de terror e "pai" do filme de zombies morreu aos 77 anos. Evocamos aqui os seus sete filmes mais significativos, com destaque para os três primeiros da lendária série dos "mortos-vivos"
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Por Eurico de Barros |
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Criou o filme de "zombies" moderno, e os "zombies" como hoje os conhecemos, em finais da década de 60 e revolucionou o cinema de terror. George A. Romero fica para a história do cinema com um dos realizadores supremos do género. 

Sete filmes essenciais de George A. Romero

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‘A Noite dos Mortos-Vivos’ (1968)

No cinema, os zombies eram, até aqui, mortos devolvidos à vida que caminhavam lentamente, num transe, sob o efeito de feitiçaria, geralmente em filmes passados nas Caraíbas. Neste filme, George Romero reinventou estas criaturas e criou o moderno filme de zombies, transformando-os em canibais e dando-lhes os traços de pessoas comuns, que podiam viver na casa ao lado da nossa, no nosso bairro. “Eu quis criar um novo tipo de monstros. Eles eram os nossos vizinhos, e apareciam sem que se soubesse como e porquê”, explicou depois o realizador. A princípio, Romero chamou-lhes ghouls (“espíritos macabros”, em português), mas o nome zombie depressa pegou. A Noite dos Mortos-Vivos revolucionou o cinema de terror e instaurou a matriz do filme de zombies. Estes, para desagrado do cineasta, passariam de criaturas lentas a velozes, “por culpa dos jogos de vídeo”, como ele explicava. E frisava sempre nas entrevistas: “Os mortos-vivos não correm!Não se esqueçam disso”.

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‘Guerra ao Vírus da Loucura’ (1973)

Originalmente intitulado The Crazies, esta filme de George Romero é pioneiro na exploração do tema do terror feito por mão humana. Uma arma de guerra biológica, um vírus que causa a loucura e a morte naqueles que atinge, é inadvertidamente lançado sobre um cidadezinha da Pensilvânia, espalhando o caos e transformando os habitantes atingidos em assassinos tresloucados. Os militares entram em acção com ordens para atirar a matar, e aqueles que não estão infectados têm que não só fugir aos que o foram, como também à tropa de gatilho fácil. Guerra ao Vírus da Loucura é um filme de terror “realista”, com um elemento de crítica política e anti-militarista, mas nunca se transforma num panfleto.

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‘Martin’ (1978)

Um dos mais originais e inquietantes filmes de vampiros de sempre, que ainda por cima não é um filme convencional do género, sem qualquer elemento sobrenatural Martin (John Amplas) é um adolescente que está perfeitamente convencido que é um vampiro com 84 anos, tem visões vampirescas e bebe o sangue de mulheres que adormece com narcóticos. Enviado para ir viver com o tio-avô e a prima devido á morte da família imediata, Martin é tratado por aquele, um emigrante lituano católico, como se tivesse realmente características e poderes de vampiro, o que provoca a troça do rapaz. Primeira colaboração entre Romero e o perito em efeitos especiais Tom Savini, Martin é uma história de inquietação existencial e confusão sexual adolescente, rodada de uma perspectiva inédita e recorrendo a elementos do cinema de terror tradicional.

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‘Zombie: A Maldição dos Mortos-Vivos’ (1978)

George Romero resistiu durante alguns anos a rodar uma continuação de A Noite dos Mortos-Vivos, porque não queria ficar confinado nem ao filme de zombies, nem ao cinema de terror tout court. Mas acabou por ceder e fez Zombie: A Maldição dos Mortos Vivos, instado pelo seu colega italiano Dario Argento, que colaborou com ele no argumento. O filme passa-se praticamente todo num enorme centro comercial onde um grupo muito variado de sobreviventes se refugia dos mortos-vivos, que são cada vez mais e provocaram o colapso da sociedade. Os sobreviventes criam um simulacro de existência “normal” dentro da grande superfície comercial, enquanto que cá fora, os mortos-vivos tomam conta do mundo. Além de um magnífico filme de terror apocalíptico, Zombie: A Maldição dos Mortos- Vivos é também uma sátira negra à sociedade de consumo de massas.

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‘Os Cavaleiros da Lenda’ (1981)

Quando conseguiu escapar-se ao cinema de terror, George Romero realizou aquele que se transformou no seu filme favorito, esta história de uma trupe de artistas itinerantes que fazem justas em feiras vestidos como se fossem cavaleiros medievais, mas montados em modernas motos. Ed Harris interpreta Billy, o director da trupe, cujos membros procuram seguir um código de conduta tão estrito como aquele que regia os cavaleiros da lenda da Távola Redonda e do Rei Artur. No entanto, as crescentes pressões comerciais e do mundo do espectáculo pairam sobre o grupo, e Billy procura resistir-lhes e opor-lhes os seus ideais e valores “arturianos”, mas é um combate incerto. Um fascinante e irrotulável cruzamento de biker movie e de filme de cavalaria com roupas modernas.

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‘Creepshow: Contos de Terror’(1982)

Escrito por Stephen King, que também interpreta um dos cinco segmentos, este filme em episódios é uma homenagem às revistas de terror clássicas publicadas pela DC e pela EC Comics, caso de Tales From the Crypt ou The Vault of Horror, que fizeram as delícias de King, de George Romero na sua adolescência, bem como de toda uma geração de leitores. O tom das histórias, a personalidade visual do filme e os efeitos de terror reflectem, por isso, os daquelas publicações, e o prólogo e o epílogo remetem explicitamente para elas (o miúdo que aparece em ambos é Joe Hill, filho de Stephen King, hoje também autor de livros da especialidade). Entre os actores, surgem Ed Harris, Adrienne Barbeau, Leslie Nielsen E.G. Marshall, Viveca Lindfors ou Ted Danson.
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‘O Dia dos Mortos’ (1985)

Este terceiro filme da série dos mortos-vivos estava para ser, segundo George Romero, “o E Tudo o Vento Levou dos filmes de zombies”. No entanto uma redução drástica no orçamento levou o realizador a pôr de parte esta ideia, a reduzir a escala da narrativa e a fazer mais uma fita em que os protagonistas, tal como nas duas anteriores, estão confinados a um espaço limitado, agora um bunker subterrâneo na Florida, onde um grupo de cientistas, enquadrados por militares, procura uma solução para a praga dos mortos-vivos. E o cientista que lidera a equipa de investigadores, alcunhado de “Frankenstein”, julga ter conseguido domesticar um morto-vivo, que lhe obedece, recorda-se de partes da sua vida anterior e tem comportamentos caricaturalmente humanos. No entanto, as condições de vida no bunker degradam-se, a tensão entre militares e cientistas aumenta e os mortos-vivos acabam por invadir as instalações e voltamos a ter um final pessimista, como mestre Romero gostava deles.

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