'The Incredibles 2' não é só mais um filme de super-heróis

'The Incredibles 2 – Os Super-Heróis' é o melhor filme de super-heróis do ano. Falámos com o realizador Brad Bird
Incredibles 2
Incredibles 2
Por Helen O’Hara |
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Demorou, mas a continuação de The Incredibles – Os Super-Heróis (2004), da Pixar, está finalmente aí. E não é só mais um filme de super-heróis igual ao litro, com cenas de pancadaria ensopadas em efeitos especiais. O realizador Brad Bird explica porquê.

 

The Incredibles – Os Super-Heróis ocupam um lugar especial no coração de Brad Bird
“Apesar de, à primeira vista, parecer um filme muito comercial, tenho uma relação pessoal com estes personagens.” É assim que Brad Bird fala dos protagonistas de The Incredibles – Os Super-Heróis e respectiva continuação. Diz que nunca se divertiu tanto a fazer um filme, porque partiu dele e passou tudo por ele, ao contrário de O Gigante de Ferro (1999) ou Missão: Impossível – Operação Fantasma (2011). “A ideia foi minha e lembro-me de como tudo começou”, sumariza. “Ver tudo ganhar forma foi emocionante.”

Não é um filme de super-heróis.  A sério
The Incredibles – Os Super-Heróis é anterior a esta vaga de filmes de super-heróis, mas a sua sequela vai estrear-se num contexto muito diferente. “Há dois anos estava muito pouco entusiasmado com isto”, recorda o realizador. “Só que depois lembrei-me que a ideia originalmente não era fazer um filme de super-heróis, mas reflectir sobre a família.” Não é por acaso que os poderes de cada membro vão ao encontro de estereótipos familiares: o pai (super) forte, a mãe (elástica) que se desdobra para fazer de tudo, a adolescente tímida (e mesmo invisível), o rapaz com mais energia que um coelho a pilhas (super-rápido) e o bebé (estranho e) caótico. “A família dá pano para mangas. Muito mais que os super-heróis”.

As mulheres são quem manda aqui
As super-heroínas são uma minoria em Hollywood. Mas Helen, a Mulher-Elástica (Holly Hunter), é a estrela desta vez, com o Sr. Incrível (Craig T. Nelson) em casa a cuidar do super-bebé. “A Helen é uma boa mãe, mas voltar a trabalhar como super-
-heroína acorda uma parte dela que estava adormecida”, explica o realizador.

Mas o herói mais poderoso ainda usa fraldas
Os poderes do bebé Jack-Jack são uma bomba relógio prestes a rebentar. “Quando os bebés começam a gatinhar os pais estão sempre a um passo de uma tragédia.” E mais ainda quando, como é o caso, disparam raios laser, se teletransportam e conseguem mudar de aspecto de um momento para o outro.

Os outros super-heróis são uma anedota
“A maior parte dos super-heróis verdadeiramente relevantes foram assassinados no primeiro filme”, recorda Bird. Os que restam são heróis “de segunda linha”, com poderes muito específicos ou aspectos que não têm lugar na capa de um livro de banda desenhada. É o caso de Void (Sophia Bush), uma espécie de pistola de transporte. “O poder dela é muito porreiro, e ela idolatra a Helen. Quer saber tudo o que ela tem para ensinar, mas sem ser muito intrometida.”

O filme tem uma mensagem social
É favor desligar o telemóvel antes de o filme começar, porque o mau da fita usa os ecrãs para hipnotizar e controlar as pessoas. Uma crítica ao vício nos telemóveis? “Pode ser”, sorri o realizador. “Quando eu era pequeno passávamos muito tempo em frente à televisão, por isso não é nada de novo, mas achei que era um bom poder para um vilão.” O que vale aos heróis é que a acção decorre numa versão futurista da década de 60, num universo alternativo, portanto não há tantos ecrãs sempre ligados. Ainda assim, é melhor que não ir ao Facebook antes de sair da sala de cinema.

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