Daniela Vega, a mulher fantástica

A protagonista do filme "Uma Mulher Fantástica", que venceu o Teddy, é uma actriz transgénero e já há quem diga que pode ser a primeira trans nomeada para um Óscar
Daniela Vega
Daniela Vega
Por Clara Silva |
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“Se nascesse dez vezes, nasceria as dez vezes transexual”. A resposta é dada por Daniela Vega, protagonista de Uma Mulher Fantástica, a outra mulher transexual na plateia de um dos muitos talkshows chilenos onde a actriz foi apresentar o filme de Sebastián Lelio, que venceu o Teddy (o prémio para melhor filme LGBT) este ano assim que estreou em Berlim.

“Escolheria voltar a nascer mulher biológica sem todas estas complicações ou mulher transexual?” Transexual. Tal como Marina, a personagem que interpreta no filme Uma Mulher Fantástica, esta quinta-feira nos cinemas, e que é um dos nomeados para o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro (e possivelmente para Óscar).

Marina é uma mulher trans apaixonada e numa relação com um homem 20 anos mais velho, Orlando (Francisco Reyes). Uma noite, Orlando sente-se mal e acaba por morrer no hospital, deixando Marina desamparada e numa luta com a sua família, que nunca aprovou a relação entre os dois e que a força a deixar a casa onde viviam.

“Um universo autêntico, firmemente apoiado pela performance fascinante e natural de Daniela Vega”, afirmou o júri do Teddy Award. “Sebastián Lelio encheu a história de compreensão e compaixão, iluminando a discriminação e a marginalização das pessoas transgénero em todo o mundo.”

No Chile, por exemplo, onde não existe uma lei de identidade de género e onde ser transgénero continua a ser “ilegal” – palavras da própria actriz de 28 anos. Daniela fez a transição há 13 anos, teve o apoio dos pais (que costumam dar o seu depoimento em entrevistas), mas continua sem ver o seu género feminino reconhecido legalmente. “Se for presa ou for para um hospital, tenho de ir para a ala masculina”, lamentou noutra entrevista.

Há quem especule que Daniela pode ser a primeira actriz transgénero nomeada para um Óscar mas a chilena disse ao jornal El Dínamo “estar a levar as coisas com calma”. “Estou a trabalhar e a caminhar para onde o filme me leve.”

O filme já valeu ao realizador o Urso de Prata para Melhor Argumento. A sua longa-metragem anterior, Gloria, de 2013, sobre uma mulher divorciada que começa a interessar-se por um homem mais velho, também tinha valido à protagonista, Paulina Garcia, o Urso de Prata de Melhor Actriz.

Gloria marca o fim de uma etapa”, escreve o realizador num comunicado enviado pela distribuidora Alambique. “Com Uma Mulher Fantástica quis responder à pergunta: o que se passa quando morremos nos braços da pessoa errada?” Tinha a ideia, mas faltava-lhe a personagem principal. “Tentei tudo, mas a história não convencia”, continua. “Um dia tive uma iluminação: escolher uma mulher transgénero. (…) A Daniela foi a terceira pessoa que encontrámos. Depois de falarmos com ela percebi que seria impossível fazer o filme sem uma actriz transgénero.” Aliás, talvez essa seja a grande força do filme. “Aproxima o filme, se não do documentário, pelo menos do documento”, diz o realizador. Confere-lhe uma alma realista, empurra-o para um território cinematográfico mais complexo, mais provocante e mais precioso.”

Uma Mulher Fantástica está nos cinemas a partir desta quinta-feira, dia 21. 

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