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Coração a bater forte na estreia em Portugal de "120 Batimentos Por Minuto"

Por Clara Silva
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Depois de deixar Cannes em lágrimas, 120 Batimentos Por Minuto, sobre a luta contra a sida nos anos 90, chega às salas de cinema nacionais. Contamos-lhe mais sobre o candidato francês ao Óscar.

Não foi preciso fazer grande pesquisa para se inspirar para 120 Batimentos Por Minuto, o filme sensação de Cannes, que conquistou o Grande Prémio do Júri e o Prémio da Crítica em Maio.

O realizador Robin Campillo, 55 anos, cenógrafo do também premiado filme francês A Turma (2008), foi ele próprio militante da Act-Up parisiense, o grupo activista que defende os direitos de todos os infectados com VIH e que é o centro das atenções do filme com um ritmo alucinante – daí o título. Campillo chegou à Act-Up no início dos anos 90, no auge da epidemia e “furioso depois de perceber que os gays estavam a ser fortemente rotulados pelo termo estigmatizante ‘grupo de risco’”, conta ao Le Monde. “A sociedade definiu-nos como vítimas da epidemia sem nos dar qualquer visibilidade.”

O realizador Robin Campillo

Fotografia: Céline Nieszawer

É essa visibilidade que surge em 120 Batimentos Cardíacos, que chega esta quinta-feira aos cinemas, e que teve a sua antestreia nacional na segunda-feira, com o realizador franco-marroquino presente. O filme acompanha Nathan (interpretado por Arnaud Valois e inspirado no próprio realizador), recém-chegado à associação Act-Up, e o activista veterano Sean (Nahuel Perez Biscayart), um dos infectados pelo vírus.

Reuniões, manifestações, violência policial, paixões, sexo, a doença… Tudo dá ritmo à terceira longa-metragem de Campillo, depois de Les Revenants (2004) e Eastern Boys (2013).

“O filme fala de injustiças e Robin Campillo conta a história de heróis verdadeiros que salvaram muitas vidas”, afirmou Pedro Almodóvar, presidente do júri deste ano em Cannes, para quem o filme era também o favorito à Palma de Ouro – acabou por ganhar o sueco O Quadrado, também em exibição.

“Podemos pensar que o filme é uma homenagem às pessoas que morreram, mas é também uma homenagem aos que sobreviveram e que continuam aqui e que ainda têm tratamentos pesados e estão em situações precárias porque quando eram militantes puseram as suas vidas entre parêntesis”, afirmou Campillo quando recebeu o prémio do júri.

Em Portugal, a antestreia do filme, poucos dias depois do Dia Mundial da Luta Contra a Sida, contou também com uma apresentação do activista Pedro Silvério Marques, seropositivo há 30 anos, quando não havia tratamentos, e actual colaborador da associação SER+. “Gostei muito do filme. Tem um grande rigor na definição das personagens e nota-se uma preocupação muito grande com o tipo de linguagem utilizada”, comenta Pedro, que chegou a conhecer alguns dos activistas da Act-Up. “Para mim é sempre uma preocupação, falar destas coisas com uma linguagem mais descomplicada e ligeira, mas que consiga passar mensagens correctas.” Porém, pelos vistos a tradução do francês pode falhar nisso. “A primeira coisa que me chocou no filme foi a tradução portuguesa porque algumas coisas estragavam o filme todo. Por exemplo, traduzirem ‘doentes de sida’ para ‘vítimas de sida’ é passar a mensagem completamente errada e que eles nunca quereriam passar.” 

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