Dez filmes gays essenciais

Do pioneiro 'Os Rapazes do Grupo' ao recente e melancólico 'Carol', eis uma dezena de filmes fundamentais sobre relações homossexuais
Boys Don't Cry
Por Eurico de Barros |
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São estes dez, como poderiam ser dez outros, ou ainda mais alguns. Na certeza de que a dezena de filmes que compõem esta lista conseguem abordar vários matizes, registos e temas ligados à realidade gay e à sua múltipla (e nem sempre consensual) representação no cinema. Entre os realizadores destas fitas estão nomes como William Friedkin, Jonathan Demme, Robert Towne, Wong Kar-Wai e o português João Pedro Rodrigues, e as suas histórias decorrem em várias épocas e em países tão diversos como os EUA, a França ou a Argentina, e em cidades como Nova Iorque, Hong Kong ou Lisboa. 

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Dez filmes gays essenciais

1
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‘Os Rapazes do Grupo”, de William Friedkin (1970)

Baseado na peça pioneira de Mart Crowley, que também escreveu o argumento, esta fita de William Friedkin fez, no cinema, para os gays, o que aquela havia feito no palco: dar um retrato realista, sincero e corajoso da existência, dos estilos de vida, dos pontos de vista e dos comportamentos sociais de um grupo de homossexuais nova-iorquinos que se juntam na festa de aniversário de um amigo; e por extensão, falar da atitude para com eles de um mundo que ainda não os aceitava e preferia ignorar, hostilizar ou ridicularizar. Crowley disse na altura que Os Rapazes do Grupo não era uma obra de activismo, mas "uma espécie de resposta às atitudes sociais” das pessoas que o rodeavam e “às leis em vigor no tempo”.

2
Camera

‘O Preço da Vitória’, de Robert Towne (1982)

Um dos primeiros filmes de Hollywood com personagens explicitamente lésbicas, O Preço da Vitória passa-se no meio do atletismo feminino de alta competição. Mariel Hemingway interpreta Chris, uma jovem que ambiciona fazer parte da equipa olímpica dos EUA e ganhar medalhas, e que se envolve com outra atleta, mais velha e experiente, Tory (Patrice Donnelly, ela própria uma atleta olímpica), que toma como modelo para atingir os seus objectivos desportivos. Mas Chris é bissexual e começa também um romance com Denny (Kenny Moore), um jogador de pólo aquático.

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3
Camera

‘Companheiros de Sempre’, de Norman René (1989)

Este foi o primeiro filme americano mainstream a abordar o tema da sida e do seu impacto na comunidade gay. Passado entre 1981, quando a primeira menção à doença surgiu no The New York Times como “cancro gay”, e 1989, a fita centra-se num grupo de amigos gays e na irmã heterossexual de um deles, e descreve a devastação que a sida espalha entre eles durante aquele período de tempo, e a forma como altera as vidas dos que não são atingidos por ela. Com Campbell Scott, Bruce Davison, Dermot Mulroney, Patrick Cassidy e Mary-Louise Parker.

4
Camera

‘Filadélfia’, de Jonathan Demme (1993)

Inspirado num facto real ocorrido nos anos 80, este filme de Jonathan Demme utiliza o modelo clássico do melodrama de “doença fatal” para contar a história de um advogado de Filadélfia, interpretado por Tom Hanks, que é despedido da sua firma por ter contraído sida. E o único colega (Denzel Washington) que aceita representá-lo no processo que move contra os seus antigos empregadores, é homofóbico. Antonio Banderas faz o amante da personagem de Hanks neste filme que teve um importante papel no despertar colectivo para a luta contra a sida nos EUA, e na oposição à estereotipação e demonização dos gays, sobretudo os atingidos pela doença. Hanks ganhou o Óscar de Melhor Actor.

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5
Camera

‘Felizes Juntos’, de Wong Kar-Wai (1997)

Tony Leung e Leslie Cheung, duas das maiores estrelas do cinema de Hong Kong, interpretam um casal de namorados que parte de férias para a Argentina, com a intenção de tentarem manter-se juntos, já que a sua relação tem sido afectada por discussões e uma sucessão de rupturas e reconciliações. Uma vez lá chegados, têm mais uma discussão e separam-se. Enquanto um deles arranja um emprego num clube nocturno de tango, o outro empenha-se em fazer-lhe ciúmes e magoá-lo. Armado com o seu virtuosismo estilístico e um título profundamente irónico, Wong Kar-Wai filma aqui a complicada e dolorosa desintegração de uma relação homossexual.
6
Camera

‘Os Rapazes Não Choram’, de Kimberley Pierce (1999)

A história verídica de Brandon Teena, que foi assassinado por dois dos seus amigos numa pequena cidade do Nebraska depois de se ter descoberto que era na realidade Teena Brandon, um transgénero que passava por homem para ser aceite socialmente e poder aproximar-se de mulheres. Hilary Swank interpreta Brandon/Teena nesta tragédia de identidade sexual, com Chloe Sevigny no papel de Lana Tisdel, a rapariga que se torna sua namorada e não o repudia depois de descobrir a verdade (o que não aconteceu com a verdadeira Tisdel).
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7
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‘O Fantasma’, de João Pedro Rodrigues (2000)

A primeira longa-metragem de João Pedro Rodrigues é também o primeiro filme português com um tema clara e assumidamente gay (em 1997, o realizador tinha já feito uma curta do mesmo género, Parabéns!). Ricardo Meneses interpreta Sérgio, um rapaz que trabalha na recolha nocturna do lixo em Lisboa. Uma colega, Fátima, sente-se atraída por ele, mas Sérgio não lhe liga porque está fascinado por um biker que, por sua vez, não lhe presta atenção. Sérgio deixa-se levar pelos seus impulsos sexuais mais imediatos e crus. O filme esteve em competição no Festival de Veneza.

8
Camera

‘O Segredo de Brokeback Mountain’, de Ang Lee (2005)

Ao longo das décadas de 60 e 70, dois cowboys (Heath Ledger e Jake Gyllenhaal) mantêm uma ligação amorosa intermitente, ora relutante, ora ardente, ao mesmo tempo que ambos se casam e têm filhos. Adaptando um conto de Annie Proulx, Ang Lee descreve com sensibilidade, pudor e verosimilhança uma relação complexa entre dois homens que não se assumem claramente como homossexuais, e que é tornada ainda mais problemática pela época e pela região dos EUA em que a história se passa, bem como pelo meio social e profissional em que ambos se mexem e ganham a vida. O filme conquistou o Leão de Ouro no Festival de Veneza e ainda três Óscares, entre os quais o de melhor realização.

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9
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‘A Vida de Adèle’, de Abdellatif Kechiche (2013

Um intenso, sensual e explícito filme de iniciação à maturidade através da iniciação ao amor e ao sexo (aqui, lésbico), bem como às decepções do coração, que Abdelatif Kechiche assinou a partir de uma banda desenhada de Julie March (que depois da estreia da fita o acusaria de ter filmado cenas íntimas gratuitas e em excesso). Adèle Exarcopoulos personifica Adèle, uma adolescente que sonha com rapazes e com um grande amor, e cuja vida é virada do avesso quando, após um breve namoro com um colega de liceu, encontra Emma (Léa Seydoux), uma rapariga mais velha que tem os cabelos pintados de azul. Venceu o Festival de Cannes.

10
Camera

‘Carol’, de Todd Haynes (2015)

O romance The Price of Salt, de Patricia Highsmith, passado nos anos 50, que Todd Haynes adapta aqui, contém elementos autobiográficos, já que a criadora de Tom Ripley teve uma série de experiências amorosas infelizes com mulheres casadas quando era nova. Há, assim, muito de Highsmith na personagem de Therese (Rooney Mara), a jovem empregada de uma grande loja de Nova Iorque que se envolve numa relação lésbica com Carol (Cate Blanchett), uma mulher mais velha, presa num casamento infeliz e de condição social superior à sua. Um filme tão delicado e contido como melancólico e desesperançado, rodado tal e qual ao estilo dos dramas românticos heterossexuais feitos na época em que decorre.

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