Global icon-chevron-right Portugal icon-chevron-right Lisboa icon-chevron-right Lola, a nova rainha da cidade

Lola, a nova rainha da cidade

Lola Herself foi coroada Miss Drag Lisboa 2018 na segunda edição do concurso que escolhe a melhor drag queen da cidade. Falámos com ela.

Lola Herself
Miguel Bartolomeu
Por Clara Silva |
Publicidade

Prepare-se para muitas expressões em inglês ao longo  desta entrevista. Lola Herself, a  nova rainha da cidade, começou como go go dancer nas festas da Conga até se tornar em Setembro a segunda Miss Drag alfacinha. O show que apresentou no concurso no Estúdio do Time Out Market é dedicado à mãe e foi inspirado em looks de Rihanna e Shania Twain.

Quando é que a Lola apareceu na tua vida?
Dizer que ela apareceu é falar do momento em que eu decidi libertá-la para o mundo, em  Outubro de 2016. A Lola Herself, ou Miss Lowla if you pay by check, é uma parte de mim e da minha personalidade.

O que levou a que ela aparecesse? Alguma outra personagem serviu de inspiração?
Apareceu num momento em que estava um pouco lost no que queria fazer da minha vida.  Sempre me interessei por moda, design e artes performativas, e sempre foi difícil escolher  entre elas. A Lola veio manter o equilíbrio e harmonia de tudo. A Rihanna, a Naomi Campbell a nova rainha da cidade Lola, e Rupaul Charles sem dúvida foram inspirações – e ainda são – para todo o processo.

E de onde veio a ideia para o nome?
Há um musical da Broadway, Kinky Boots, que conta a história da parceria de uma fábrica de sapatos que está em decline com uma drag queen de cabaré que se chama Lola. Partilhamos essa paixão: sapatos altos. Quanto mais altos melhor. Herself, cuz there’s no other like me darling.

Quando é que actuaste pela primeira vez?
O meu percurso começou como animadora de festa, go go dancer. Tive a oportunidade de trabalhar para as festas do Conga Club. É óptimo, o ambiente deixa-me mais solta na dança, não existe tanta troca de roupa, é algo mais clubbing. Depois tive a oportunidade de trabalhar com a Thug Unicorn.

Experiências muito diferentes?
O ambiente é completamente diferente. Se estava habituada a estar entre pessoas da minha faixa etária, 25-35 [anos], aqui estava rodeada de teenagers. Foi brutal. Fiz três lip sync, algo que não é usual no ambiente go go dancer. Quando subi ao palco para o primeiro, foi surreal a energia que senti do público. Fizeram-me sentir uma celebridade.

Agora já és. O que te levou a participar na segunda edição do concurso Miss Drag Lisboa?
Já estava familiarizada com o show. Fui assistir à primeira season e no final fiquei com  aquele gostinho de ‘damn, quem me dera ter participado’.

Houve muito treino ou és uma natural?
Houve muito treino. Eu sou uma natural em clubbing. Aqui foi algo mais pensado, uma narrativa construída ao longo de todas as categorias. A parte mais difícil para mim foi a ansiedade, posso dizer que sou perfeccionista.

Em que te inspiraste para criar os looks que usaste no concurso?
Para a a primeira categoria, “Motherland Realness”, escolhi Angola, o país da minha mãe.  Todo o outfit foi inspirado na terra cheia de riquezas, com lindas cores e com uma óptima  cultura, daí o pano africano. Para a prova de glamour a minha inspiração foi o vestido que a  Rihanna usou quando foi receber o award da CFDA [Council of Fashion Designers of America], o Swarovski. Para o lyp sync final, aí foi a Shania Twain uma das inspirações, tal como um editorial em que a Naomi Campbell aparece a correr na selva com um leopardo ao lado.

Qual achas que foi o teu grande trunfo?
Não sei se foi um trunfo ou não, mas ter-me preparado bem e ter  juntado uma narrativa pode ter  ajudado. Infelizmente a minha mãe faleceu no início deste ano e todo o meu trabalho foi um show de tributo para a magnífica mãe que era. E vencer seria, para mim,  a validação de que ela aprovou tudo aquilo que preparei. Ter um dark chocolate back dancer, of course que também ajudou.

O que mudou na tua vida nestas semanas depois do prémio?
Gurlllll, imenso. Muito amor, posso começar por aí. Sinto mais amor de quem segue o meu  trabalho e de quem me começou a seguir.

Continua a ser difícil arranjar trabalho como drag queen na cidade?
Tornou-se mais fácil depois de ter vencido o concurso e porque tenho uma agência que acreditou no meu potencial e que me está a ajudar a preparar para espectáculos melhores e maiores. O mercado hoje está mais receptivo a este tipo de performance, e programas como o RuPaul’s Drag Race tornaram este tipo de espectáculo mais mainstream.

Este ano actuaste no Arraial Pride, no Terreiro do Paço, onde conheceste Pabllo Vittar. Como foi?
Omg, o que posso dizer? Foi amazing, o primeiro contacto foi entre changing outfits e foi algo super-rápido como ‘omg, you so cute’ e ele ‘tu é que és um arraso, menina’. Depois conseguimos  dar mais umas palavrinhas, foi lindo.

Onde vamos poder ver-te nos próximos tempos?
Tenho uma agenda a ser construída mas podem seguir-me na minha página do instagram (@lolaherself) ou no Facebook. Aproveito já para dizer que serei host na próxima festa da Groove Ball, nos Maus Hábitos, no Porto, no dia 26 de Outubro.

Como rainha drag, alguma ordem que queiras dar à cidade?
A minha primeira ordem como queen é just be happy and don’t forget nobody pays your bills, so WTP [work the pussy].

Mais LGBT+

Purex
Fotografia: Ana Luzia
Noite

Os melhores bares gay de Lisboa

Os primeiros bares gays em Lisboa começaram a espreitar pela fresta do armário nos anos 60. Hoje, os dedos de duas mãos não chegam para os contar. Este é só um sinal de que a cidade está cada vez mais arejada e pronta para acolher toda a gente.

Publicidade