10 canções para quando os dias começam a encurtar

As primeiras chuvas e a queda das folhas incutem nos escritores de canções uma disposição melancólica. Eis dez canções e dois instrumentais que combinam com os dourados e carmins das folhas e o cinzento dos céus.
Yo La Tengo
Yo La Tengo
Por José Carlos Fernandes |
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10 canções para quando os dias começam a encurtar

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“October”, dos U2

O álbum October (1981), o segundo dos U2, não está entre os mais populares da banda e esta breve e singela canção, completamente desalinhada com a sonoridade enérgica e áspera que a banda cultivava na altura, há muitos anos que desapareceu do alinhamento dos concertos dos U2. É feita só de piano (tocado por The Edge) e voz e tem uma melancolia decididamente outonal.

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“Late October”, de Harold Budd/Brian Eno

Harold Budd e Brian Eno são dois nomes cimeiros da música ambiental e têm ambos uma longa e aclamada discografia, mas talvez nunca tenham conseguido, individualmente, criar um disco tão encantatório como The Pearl (1984), que marca um refinamento da estética inaugurada na colaboração Ambient 2: The Plateaux of Mirror (1980). Esta melancólica paisagem sonora faz parte de The Pearl e não é obrigatório esperar pelo fim de Outubro para a desfrutar.

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“Autumn”, de Roger Eno

Esta plácida aguarela outonal provém de Between Tides (1988), o segundo álbum de Roger Eno, autor que está longe de gozar da popularidade do seu irmão Brian. O seu ramo de actividade é também a música ambiental, mas numa declinação neo-clássica e que emprega instrumentos acústicos – piano, cordas, oboé – em vez da electrónica. Diz muito da perversidade dos mecanismos que regem a popularidade que Roger Eno seja tão pouco conhecido, enquanto Max Richter, que é, no seu melhor, uma derivação tardia e desinspirada do universo sonoro de Between Tides, seja celebrado como um génio.

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“Autumn Sweater”, dos Yo La Tengo

Neste desajeitado encontro amoroso, ele está tão atrapalhado e inseguro que quando ouve bater à porta ainda se pergunta se não será possível cancelá-lo. Ele não é capaz de articular palavra, mas está visivelmente fascinado pela camisola outonal que ela usa. A canção faz parte do álbum I Can Hear the Heart Beating As One (1997), o oitavo dos Yo La Tengo, que marca uma diversificação do som da banda: o indie rock de guitarras acolhe influências de bossa nova, trip hop e krautrock. “Autumn Sweater” dispensa aliás guitarras, assentando num groove dançável, num órgão minimal e num baixo de sintetizador. Sim, já vai sendo altura de ir buscar as roupas mais quentes ao fundo das gavetas.

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“October Song”, dos Audible

Os Audible não conseguiram fazer-se ouvir, apesar das suas óbvias qualidades para criar canções pop apelativas, e Sky Signal (2005), de onde provém esta “October Song”, editado pela Polyvinyl, é o único álbum desta banda de Filadélfia, formada por dois ex-membros dos Matt Pond PA. Há algo da faceta mais luminosa e desanuviada dos The Cure nesta concisa canção que regista que o frio chegou e “agora os dias são curtos, mas tu irás desperdiçá-los de qualquer modo”.

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“One October Song”, de Nico Stai

Park Los Angeles (2006), o único álbum de Nico Stai, um natural de Espanha radicado em Los Angeles, é um disco “caseiro”, feito apenas com voz, guitarra acústica e percussão pontual e discreta. É nele que vem esta canção breve (2’25), cuja presença na banda sonora de dois episódios da série televisiva Chuck não evitou que Nico Stai mergulhasse no olvido. A canção é triste e magoada, como quase tudo o que Stai cantou.

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“This Fire of Autumn”, dos Tindersticks

The Something Rain (2012), o nono álbum dos britânicos Tindersticks, está abençoado por momentos inspirados – como é o caso de “This Fire of Autumn” – após substanciais mudanças na formação e alguns álbuns que tinham dado sinais de esgotamento criativo. Stuart Staples canta que “todas as palavras que ficaram por dizer” de nada servirão, pelo que melhor será entregá-las às chamas, juntamente com tudo o que não se pode esquecer.

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“Autumn Story”, dos Firekites

Este prodígio de singeleza e sensibilidade faz parte do álbum de estreia, The Bowery (2008), desta banda de Newcastle, na Nova Gales do Sul (Austrália). A sua simplicidade e ingenuidade têm eco na animação do videoclip em giz sobre ardósia. No final, a voz fica a repetir, em tom sonhador, que não quer que estes dias alguma vez cheguem ao fim – e também quem ouve este encantamento sonoro deseja que ele possa prolongar-se indefinidamente.

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“Autumn Tree”, dos Milo Greene

A relação acabou e sob a árvore ficou a cadeira onde ela costumava sentar-se, no pátio juncado de folhas outonais. Ficou também a sua recordação, que não há maneira de se desvanecer e impede o “narrador” de recomeçar a sua vida. “Autumn Tree” é canção que encerra o álbum de estreia, homónimo, de 2012, desta banda de Los Angeles que pratica uma folk-pop rendilhada e onírica. Os Milo Greene têm a particularidade de ter três cantores no mesmo plano (Robbie Arnett, Marlana Sheetz e Graham Fink), que se articulam em envolventes harmonias vocais.

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“Last Leaves of Autumn”, de Beth Orton

Beth Orton diz-se suspensa na sua vida como as derradeiras folhas de uma árvore no Outono – é possível aceitar a perda, desde que se tenha fé em que tudo poderá recomeçar na Primavera. A canção faz parte do quinto álbum de Orton, Sugaring Season (2012).

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