10 encontros entre pop e cinema de animação

Os videoclips musicais são um fantástico campo de experimentação para os artistas gráficos e mostram que não é preciso dispor de grandes orçamentos para criar objectos deslumbrantes
"M(other)", de Sasanomaly
"M(other)", de Sasanomaly
Por José Carlos Fernandes |
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Na semana em que a Monstra - Festival de Animação de Lisboa invade a cidade, lembramos os melhores encontros entre a música pop e o cinema de animação. 

10 encontros entre pop e cinema de animação

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“Baloon”, dos People in the Box

Este trio japonês, formado em Fukuoka em 2003, possui uma prolífica discografia de nível consistentemente alto e invenção incessantemente renovada. O álbum Weather Report (2013), inclui este “Baloon” (Kykyu), cujo videoclip tem a particularidade de repetir a mesma narrativa básica em meia dúzia de versões diferentes e serve também para mostrar que o universo da animação japonesa comporta outros grafismos e imaginários para lá dos amplamente difundidos estereótipos da anime e das suas personagens com olhos do tamanho de pires.

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“The Rip”, dos Portishead

“The Rip” foi um dos singles de Third (2008), o terceiro álbum da banda de Bristol, após um interregno discográfico de 11 anos. A música é minimal e dominada por sintetizadores vintage e a letra, como usual nos Portishead, é lúgubre e parece falar de uma luta, de desfecho incerto, contra a depressão. Face ao desapontamento, à mágoa, à manipulação e às mentiras, o refrão deixa algum espaço à esperança – “Alvos cavalos selvagens/ Levar-me-ão para longe/ E a ternura que sinto/ Remeterá a escuridão para o fundo” – mas fica a dúvida sobre se a protagonista irá tomar este caminho. A relação entre letra e imagens é enigmática.

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“M(other)”, de Sasanomaly

O japonês Sasanomaly (n. 1991) pratica uma pop electrónica melódica e intimista, afim da dos americanos Owl City e Postal Service. Nas suas canções, Sasanomaly (que também exerce actividade como produtor, sob o nome de Nekobolo), ocupa-se de todos os instrumentos, da produção e da engenharia de som. Os videoclips das suas canções são obras-primas de grafismo requintado e apurada sensibilidade, criadas pelo ilustrador e realizador Atsushi Makino, recorrendo a uma original mescla de técnicas de animação, que oferece novas e deslumbrantes soluções a cada nova canção.

“M(other)” faz parte do EP homónimo surgido em 2016.

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“Black Crow”, de Angus & Julia Stone

“Black Crow” faz parte de Down the Way (2010), o segundo álbum do duo australiano, e a animação é de Nick Murray Willis. A canção tem um registo minimal e despojado – com correspondência nas imagens – o que faz a entrada da secção de cordas ter um efeito arrebatador.

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“Is a Woman”, dos Lambchop

O sexto álbum da banda de Nashville, Is a Woman (2002), marca um afastamento em relação aos arranjos elaborados dos discos anteriores. A canção-título começa como balada para voz e piano, em registo soturno e contido, e a meio ganha animação (moderada) e um inusitado balanço reggae. Na primeira metade, o videoclip, realizado por Shynola (um trio de artistas com base em Londres que tem trabalhado também com os Radiohead e os Massive Attack), assume a estética das estampas japonesas de paisagem dos séculos XVIII-XIX.

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“The Ancestor”, dos Darlingside

Os Darlingside são de Boston e praticam uma curiosa mistura entre folk e electrónica, que combina banjos, elaboradas harmonias vocais e programações – folktronica é um rótulo que faz sentido neste caso. “The Ancestor” é a canção de fecho do seu primeiro álbum, Pilot Machines (2012), mas ressurgiu, numa nova versão como faixa de abertura do seu segundo álbum, Birds Say (2015). A música deste videoclip, animado por Abraham Dieckman e realizado por Keith Boynton, corresponde à versão de 2012.

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“Ghosts Are Dancing”, dos Home & Dry

O obscuro (e entretanto extinto) grupo parisiense Home & Dry estreou-se em 2012 com o EP We Own Our Lives, que inclui esta canção, para a qual Maxime Causert & Gilles Deschaud realizaram um videoclip que aplica a técnica motion capture a imagens da cantora da banda, Laure Laffererie, e as usa como base para um fogo-de-artifício gráfico.

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“Neighborhood #2 (Laika)”, dos Arcade Fire

A canção faz parte de Funeral (2004), o álbum de estreia dos canadianos Arcade Fire. Segundo o vocalista Win Butler, a canção inspirou-se em Laika, a cadela que teve a duvidosa glória de, em Novembro de 1957, se ter tornado a primeira criatura a orbitar a Terra, mas a letra, sobre uma personagem chamada Alexander, não tem qualquer ponto de contacto com a sua história (só o refrão sugere que a mãe lhe devia ter dado o nome de Laika).

O videoclip, num registo surreal e com alusões pontuais ao universo soviético, foi realizado por Josh Deu.

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“Look Inside the Mirror”, dos Oceanlane

“Look Inside the Mirror” provém do quarto álbum, Crossroad (2009), dos Oceanlane, banda formada em Tóquio em 2001 pelos vocalistas/guitarristas Hajime Takei e Kay Naoe. Os Oceanlane não só são uma das poucas bandas japoneses a exprimir-se num inglês aceitável, como o videoclip de “Look Inside the Mirror” tem por cenário as intermináveis estradas e as amplas paisagens do sudoeste dos EUA (o que seria dispensável são os trechos de imagem real a cores, que não combinam com o traço a preto e branco).

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“Closing Forever Sky”, dos Firekites

A canção que dá título a Closing Forever Sky (2014), o segundo álbum dos australianos Firekites, é ilustrado por um videoclip animado e realizado por Joshua Bruce e protagonizado por fabulosas criaturas-máquinas que parecem um cruzamento steampunk entre um dinossauro, uma centopeia e um junco chinês. A letra parece falar da vertigem de imagens vãs e destituídas de significado que tomou conta do nosso mundo: “Capturado numa fotografia/ mas esquecido num piscar de olhos”.

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