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Música, Rock, Bruce Springsteen
©DRBruce Springsteen

Oito canções para correr (ao som dos anos 70)

Uma playlist de canções com bom andamento e palavras que nos inspiram a dar à sola.

Escrito por
João Pedro Oliveira
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Sabe que mais? Ponha-se a andar. Só uns passinhos para aquecer, claro. Depois corra. Se lhe faltar motivação, nós damos uma ajuda. Poucas coisas animam mais uma corrida do que uma canção com bom andamento e boa onda. A pensar nisso, a Time Out criou esta série de playlists temáticas para o ajudar a dar corda aos sapatos. Fomos ao baú e reunimos uma parada de êxitos por cada década, escolhidos sempre com dois critérios: ritmo (nunca menos que 100 batidas por minuto) e uma letra que convide a dar de frosques. Nesta lista, recuamos até aos anos 70 e reunimos uma série de músicas maiores de 40 anos, capaz de encorajar uns 40 minutos de corrida.

Siga a lista no Spotify, ou comece já a ouvi-la aqui:

Recomendado: Dez canções para correr (ao som dos anos 80)

Canções para correr (ao som dos anos 70)

“Run Through The Jungle”, Creedence Clearwater Revival

(1970) 3m10s a 136 bpm

O título e a letra da canção, somados à data da sua edição, levaram naturalmente toda a gente a assumir que se tratava de uma toada de protesto contra a guerra do Vietname, na linha do que os Creedence Clearwater Revival haviam feito noutros temas como “Fortunate Son”, lançado um ano antes (e que, já agora, também dá uma bela banda sonora para corrida a 132 bpm). Numa entrevista datada de 2016, porém, John Fogerty garantiu que a canção era, afinal, sobre a proliferação de armas nos Estados Unidos. Mas enfim, nestas coisas da arte, já se sabe, tão ou mais importante quanto o que o autor quis dizer é o que o ouvinte lá descobriu. Nós, por exemplo, descobrimos aqui um tónico inspirador para desarvorar por aí, de preferência a correr pelo meio do mato.

“Move on Up”, Curtis Mayfield

(1970) 8m55s a 139 bpm

Incluída em Curtis, o álbum de estreia de Curtis Mayfield, “Move on Up” é hoje um clássico da soul e um hino inspiracional. Dirigida a uma anónima criança negra de uma América ainda segregada, fala de resiliência e superação, de manter o foco e perseguir objectivos mesmo quando tudo em redor lhe diz que esta corrida não é para si, que a meta não está ao seu alcance, que o melhor é ficar por ali mesmo. Não fala de corridas, é certo, mas nada inspira mais a apertar o passo que ouvir o falsete de Mayfield a repetir “moove on up” e “keep on pushing”. Escolhemos a versão originalmente gravada no LP, que se estica no instrumental e se alonga por um total de quase nove minutos. Numas orelhas com boas pernas, isto é coisa para entreter quase dois quilómetros.

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“Long Train Running”, The Doobie Brothers

(1973) 4m40s a 117 bpm

“When the big train runs / When the train is movin' on, I got to keep on movin' /Keep on movin' / Won't you keep on movin'? /Gonna keep on movin'”. Tudo nesta canção dos Doobie Brothers nos empurra para a frente com a imagem de um comboio em andamento. Do próprio texto às percussões de ritmo ferroviário, passando pela harmónica de Tom Johnston, que parece mimetizar um apito de locomotiva das antigas, toda a peça concorre para nos pôr na linha. E o resultado é altamente propulsivo. Também dos Doobie Brothers, aconselha-se “Listen to the Music” (3m47s a 112 bpm), single lançado um ano antes. O texto nada tem que ver com correrias, mas a canção também corre num ritmo inspirador.

“Born to Run”, Bruce Springsteen

(1975) 5m33s a 144 bpm

Esta já convocámos para uma outra lista, dedicada a canções inspiradoras para tempos de resiliência. “Born to Run” é a canção-título do álbum que em 1975 acelerou Bruce Springsteen para o estrelato. É escrita como uma carta de amor de um rapaz para uma jovem chamada Wendy, pedindo-lhe que pegue na trouxa e fuja com ele. Mas esse é só o pretexto para dizer muito mais. Aquilo de que realmente aqui se fala é da vontade de nos pormos a milhas de onde não estamos bem e da esperança de começar de novo, tão longe quanto possível. Acresce que o solo de saxofone por “The Big Man” Clarence Clemons é capaz de deixar qualquer um com vontade de passar sebo nas canelas e correr contra o vento.

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“Peace of Mind”, Boston

(1976) 5m5s a 128 bpm

A canção fala do quanto os outros correm. “I don't care if I get behind / People living' in competition / All I want is to have my peace of mind”. Ora, peace of mind é mesmo das melhores coisas que uma corrida pode oferecer e, nesse sentido, os Boston deixam-nos aqui força suficiente para alimentar um quilómetro esforçado (terá de correr a 12 km/h para que a canção dure essa distância). Lançada no álbum de estreia da banda, foi escrita por Tom Scholz, guitarrista e fundador dos Boston, antes de conseguir um contrato discográfico e quando ainda tinha de trabalhar no escritório de uma grande empresa. Fala de como não é saudável andarmos em correrias a competir uns com os outros. Portanto, concentre-se na sua corrida e não faça caso se alguém passa por si em passo mais rápido. Outro hit single da banda, “More Than a Feeling”, não tendo nada a dizer sobre fugas ou correrias, também resulta lindamente a embalar 4m45s de jogging a 109 bpm.

“Psycho Killer”, Talking Heads

(1977) 4m21s a 124 bpm

Esta é especialmente indicada para corridas terapêuticas. Eis o diagnóstico: “I can't seem to face up to the facts / I'm tense and nervous and I can't relax / I can't sleep 'cause my bed's on fire / Don't touch me I'm a real live wire.” Ora, descontando o facto de isto ser escrito do ponto de vista de um serial killer, a verdade é que qualquer um de nós se consegue identificar com este estado de espírito, em tempos de trabalho apertado e outros stresses. Vai daí, eis a prescrição: “Fa-fa-fa-fa, fa-fa-fa-fa-fa, far better / Run, run, run, run, run, run, run away /Oh, oh, oh, oh, aye-ya-ya-ya-ya”. Lançado no álbum de estreia dos Talking Heads em 1977 (não tem nada que enganar: o álbum chama-se Talking Heads: 77), “Psycho Killer” já andava a rodar palcos desde 1975 e tornou-se no primeiro grande êxito de David Byrne e companhia.

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“Run Like Hell”, Pink Floyd

(1979) 4m23s a 117 bpm

Ora faça favor de atentar bem nas primeiras 16 palavras da letra: “Run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run, run…” Percebeu a ideia? Retirada do mítico The Wall, “Run Like Hell” tem a curiosidade de ter sido a última peça assinada a meias por Roger Waters e David Gilmour para os Pink Floyd. É escrita do ponto de vista de Pink, a rockstar alienada que é personagem desta distopia, e fala de perseguições violentas e da turba fascista alucinada em caça de minorias. Correr, aqui, significa mesmo correr pela vida. “You better run all day / And run all night / Keep your dirty feelings / Deep inside.” Mas não pensemos nisso agora. Melhor respirar fundo e deixar-se embalar pelos riffs cavalgantes da guitarra de Gilmour e pela passada constante marcada pela bateria de Nick Mason. E, claro, correr.

“Don’t Stop Me Now”, Queen

(1979) 3m32s a 160 bpm

A letra de “Don’t Stop Me Now” é, por si só, coisa para deixar qualquer um com vontade de se largar a correr esbaforido por aí afora, investindo contra qualquer obstáculo que se encontre pelo caminho. Acresce que “Don’t Stop Me Now” é um exemplar perfeito da fórmula feel-good para fazer canções: juntar a uma letra positiva um ritmo rápido (160 batidas por minuto) e uma composição em tom maior. E isto não somos nós a dizer. É o resultado de um estudo feito nos idos de 2015, que envolveu dois mil ouvintes e uma equipa de neurociência da Universidade de Groningen. Portanto, é coisa para levar a sério: “Don’t Stop Me Now” foi a canção mais citada pelas cobaias como sendo capaz de as fazer sentir bem. Outras canções amplamente citadas foram Dancing Queen, do ABBA, Good Vibrations, do Beach Boys, e Uptown Girl, de Billy Joel – qualquer uma delas, reconheça-se, também fica bem numa playlist pensada para toda a espécie de pista.

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Ah, as manhãs. Esse pedaço de discórdia da humanidade, ora pendendo para os que de nós acordam em euforia ora pendendo para os que odeiam tudo no começo do novo dia. Mas não se inquiete porque, ao contrário dos nossos antepassados, temos muitas e boas soluções musicais para superar a pior das manhãs.

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Não há páginas em branco. Não há perguntas por fazer, frases inacabadas. Tudo o que resta, no regresso a casa depois da tempestade, é a banda sonora e um caminho a percorrer que não precisa de grandes acrescentos. A lista que se segue é a cura necessária ao vazio, uma tradução silenciosa para ouvir de fones ou no carro, em 14 pedaços que explicam muito mais do que tristeza.

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