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Música, Jazz, Billie Holiday
@William P. Gottlieb Billie Holiday, 1947

Dez versões clássicas de “I Can't Get Started”

Uma canção sobre alguém que alcançou tudo o que poderia almejar no mundo, mas é incapaz de seduzir a mulher dos seus sonhos

Por José Carlos Fernandes
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Com música de Vernon Duke e letra de Ira Gershwin, “I Can't Get Started” foi composta para o musical Ziegfeld Follies of 1936 e estreada em palco por Bob Hope, a 30 de Janeiro de 1936. Foi alvo de uma primeira gravação por Red McKenzie & His Rhythm Kings, dois meses depois, mas só se implantou no meio jazzístico a partir do início dos anos 40.

Em tempos mais recentes, a composição tem perdido favor entre cantores, pois a letra está ancorada no mundo de 1936, quando dar a volta ao mundo num avião era uma proeza, em Espanha eclodira uma Guerra Civil, a Metro-Goldwyn-Mayer era um dos principais estúdios de Hollywood, Franklin D. Roosevelt era presidente dos Estados Unidos, Robert Taylor era um actor famoso e o crash bolsista de 1929 estava ainda fresco na memória (“Em 1929 especulei na bolsa” reza a letra a dado passo).

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Dez versões clássicas de “I Can't Get Started”

1. Billie Holiday

Ano: 1938

Esta versão registada a 15 de Setembro de 1938 tem o atractivo adicional de incluir um solo do saxofonista Lester Young, alma-gémea da cantora. A banda é formada por Buck Clayton (trompete), Margaret “Countess” Johnson (piano), Freddie Green (guitarra), Walter Page (contrabaixo) e Jo Jones (bateria).

2. Lester Young

Ano: 1952
Álbum: The President Plays with the Oscar Peterson Trio (Norgran reed. Verve)

Lester Young (que tinha a alcunha de “The President”) regressou a “I Can’t Get Started” 14 anos depois, no seu encontro com o trio (quarteto, na verdade) do pianista Oscar Peterson com Barney Kessell (guitarra), Ray Brown (contrabaixo) e J.C. Heard (bateria). A sessão de 28 de Novembro de 1952 deu origem a três LP de 10’’ editados pela Norgran em 1954 e 1956, que seriam, em 1957, reunidos pela Verve num LP de 12’’ com 12 faixas.

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3. Coleman Hawkins

Ano: 1952
Álbum: The Hawk Talks (Decca)

The Hawk Talks é uma compilação, editada em 1955, de sessões com diferentes formações realizadas em 1952-53 pelo saxofonista Coleman Hawkins. “I Can’t Get Started” foi gravada em Chicago a 30 de Julho de 1952.

4. Gerry Mulligan

Ano: 1953
Álbum: Gerry Mulligan Quartet vol. 2 (Pacific Jazz)

Em 1952-53, o notável quarteto do saxofonista barítono Gerry Mulligan com o trompetista Chet Baker, actuou regularmente no clube The Haig, em Hollywood, e gravou várias sessões para a Pacific Jazz, reunidas em dois LPs de 10’’ com oito faixas cada e o título Gerry Mulligan Quartet, o primeiro em 1952 e o segundo em 1953. Gravou também outros dois LPs de 10’’ com Lee Konitz, reunindo sessões de estúdio em Los Angeles e concertos no The Haig em 1953, com os títulos Lee Konitz Plays with the Gerry Mulligan Quartet e Lee Konitz and the Gerry Mulligan Quartet. Os dois volumes de Gerry Mulligan Quartet foram reeditados em CD em versão muito expandida e o vol. 2 tem entre as faixas extra esta versão de “I Can't Get Started” gravada a 20 de Maio de 1953 por Mulligan, Baker, Carson Smith (contrabaixo) e Larry Bunker (bateria).

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5. Paul Bley

Ano: 1953
Álbum: Introducing Paul Bley (Debut)

Este foi o álbum de estreia do pianista canadiano Paul Bley (1932-2016), cuja carreira, que cobriu vasto espectro de colaborações e estilos, se estendeu até 2010, ocasião em que deu o seu derradeiro concerto, no Festival de Jazz de La Villette, em Paris. O seu opus 1 contou com dois parceiros de envergadura, Charles Mingus (contrabaixo) e Art Blakey (bateria), e foi lançado pela editora co-fundada no ano anterior por Mingus e Max Roach.

A introdução dissonante e angulosa a “I Can’t Get Started”, em piano solo, deixa claro que Bley não é apenas “mais um pianista”.

6. Lee Konitz & Warne Marsh

Ano: 1955
Álbum: Lee Konitz with Warne Marsh (Atlantic)

Este álbum marca o primeiro encontro de uma dupla de saxofonistas da escola cool. Para Wayne Marsh foi o primeiro disco como líder (ou melhor, co-líder), enquanto Lee Konitz tinha no curriculum um álbum como líder, Subconscious-Lee, e colaborações com Gerry Mulligan e Miles Davis. Em “I Can’t Get Started” Konitz e March têm como secção rítmica Billy Bauer (guitarra), Oscar Pettiford (contrabaixo) e Kenny Clarke (bateria).

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7. John Lewis

Ano: 1956
Álbum: Grand Encounter: 2º East, 3º West (Pacific Jazz)

A carreira do pianista John Lewis no Modern Jazz Quartet faz por vezes esquecer a sua extensa e rica discografia em nome próprio. O título do álbum alude ao encontro entre músicos da Costa Leste (Lewis e o contrabaixista Percy Heath) e da Costa Oeste (o saxofonista Bill Perkins, o guitarrista Jim Hall e o baterista Chico Hamilton). Em “I Can't Get Started” a formação reduz-se a Lewis, com discreto acompanhamento de Heath e Hamilton.

8. Frank Sinatra

Ano: 1959
Álbum: No One Cares (Capitol)

No One Cares, que teve arranjos de Gordon Jenkins, faz parte dos álbuns de Sinatra que têm como fio condutor os temas da solidão e da depressão e cujos antecessores são In the Wee Small Hours, Where Are You e Frank Sinatra Sings for Only the Lonely.

Sinatra tenta libertar a letra do mofo de 1936 e, entre outras alterações, substitui o verso “Settled revolutions in Spain” por “Designed the latest IBM brain”.

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9. Duke Ellington

Ano: 1961
Álbum: Piano in the Foreground (Columbia)

A (justa) fama de Ellington como chefe de orquestra ofuscou as suas qualidades excepcionais como pianista, que estão bem patentes nesta sessão em que tem apenas a companhia da secção rítmica da sua big band, Jimmy Woode (contrabaixo) e Sam Woodyard (bateria).

10. Ella Fitzgerald

Ano: 1961
Álbum: Ella Swings Gently with Nelson (Verve)

Em Novembro-Dezembro de 1961, Ella gravou dois discos com a orquestra de Nelson Riddle, Ella Swings Brightly with Nelson e Ella Swings Gently with Nelson, que não são tão diferentes quanto os títulos sugerem. É o segundo que contém “I Can’t Get Started”.

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@William P. Gottlieb

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