NOS Alive: dez concertos a não perder

Há vida para além dos cabeças-de-cartaz do NOS Alive '18. Estudámos o cartaz e encontrámos 10 concertos obrigatórios

Photograph: Courtesy the artist

Já se sabe que, num festival com a dimensão do NOS Alive, há muita coisa, muita música, por onde escolher. Há bandas e artistas para todos os gostos, do fado ao indie rock, passando pela electrónica e alguma pop, pelo que duas pessoas podem ter experiências diametralmente opostas. E ainda bem que assim é.

A pensar nisso, percorremos o cartaz do primeiro ao último dia e do maior palco ao mais pequeno coreto, e escolhemos uma dezena de concertos obrigatórios. Não são obrigatoriamente os maiores, são os melhores. De Bryan Ferry aos Pearl Jam, passando por The National e Yo La Tengo.

NOS Alive: 10 concertos a não perder

Bryan Ferry

É recordado como o fundador e vocalista (além de teclista e compositor) dos seminais Roxy Music, mas tem uma longa e valorosa carreira a solo desde os anos 70. Começando no glam rock e impondo-se eventualmente como crooner e autor de uma pop sofisticada e  influenciada pela soul, Ferry lançou o último disco, Avonmore, em 2014. Não obstante, essas canções mal se ouvem na actual digressão – o alinhamento é dominado por material dos Roxy Music e uns quantos êxitos a solo dos 80s.

Queens of the Stone Age

Desde que nas nasceram das cinzas dos Kyuss, em 1996, os Queens of the Stone Age já tiveram muitas vidas. Josh Homme, ao lema da banda, tem sido a única constante, ao ponto do grupo se confundir com um projecto pessoal dele. Foram uma banda de stoner rock sem truques (no álbum de estreia homónimo), um supergrupo louco e genial (na sua melhor fase, por altura de Rated R e Songs for the Deaf), uma instituição do rock pesado (Lullabies to Paralyze e Era Vulgares) e hoje uma máquina hard rock perfeitamente oleada (é ouvir Villains, do ano passado). Em palco, essas múltiplas vidas e fases esbatem-se numa grande celebração do rock'n'roll.  

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Yo La Tengo

Os Yo La Tengo são os maiores. São um bom exemplo de longevidade e consistência, seriedade. Andam nisto desde 1984 e os fundadores Ira Kaplan e Georgia Hubley tocam com James McNew desde 1991. É este trio que vem a Oeiras e que, há uns meses, lançou There’s A Riot Going On, que partilha o nome com um discaço de Sly and the Family Stone. Um disco nocturno e vasto, desapressado, onde faixas distorcidas de cinco minutos ou mais coexistem com pequenas canções de dois minutos, mas nem sempre nem por isso mais directas. Ao vivo andam a tocar quase todas as novas, mas têm tempo para revisitar canções de mais oito ou nove discos deles.

The National

É certo e sabido que o público português tem um fraquinho por cantores de rock melancólicos, sobretudo se charmosos e bem-falantes, mas não é só cá que The National são um fenómeno. Lá fora eles também enchem estádios, dão música a filmes e séries, gravam discos de ouro. Neste regresso a Portugal, Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf vão concentrar as atenções no álbum Sleep Well Beast. É mais do mesmo rock literato a que nos habituaram, ocasionalmente numa versão mais desgrenhada, menos polida.

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Japandroids

E que tal esquecer o último dos Japandroids? Lançado no ano passado, Near to the Wild Heart of Life é um disco bem feito – este é o melhor (o único) elogio que alguém lhe pode fazer e também o seu maior problema. Porque a música dos Japandroids nunca foi bem feita, as letras não eram particularmente inspiradas, os instrumentais idem. Só que tinham uma intensidade que faltava à maioria das bandas e isso não só fazia com que as suas canções transcendessem as suas limitações como as tornava transcendentes. É esperar que, ao vivo, oiçamos a banda de antanho, a que nos fazia acreditar que letras como “I just wanna worry about those sunshine girls” “After her / I quit girls” carregavam o peso do mundo, e não a que escutámos em 2017.

Pearl Jam

Não há muito de novo a dizer sobre os Pearl Jam. Eddie Vedder e companhia andam nisto desde o início dos anos 90, são lendas do rock e um fenómeno global e, nesta altura do campeonato, ninguém precisa de ouvir mais uma canção deles para ter uma opinião formulada e calcificada sobre a banda. Ainda assim, eles continuam a fazer e a lançar novas canções, a trabalhar. A mais recente, "Can't Deny Me", saiu este ano e deverá fazer parte de um novo disco da banda a editar no futuro.

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At The Drive In

A história dos At The Drive In parecia ter terminado em 2001, quando o sucesso ameaçava bater-lhes à porta. Só que não. Depois de uma primeira reunião entre 2009 e 2012, a banda texana regressou de vez em 2015 e editou no ano passado in•ter a•li•a, o primeiro disco desde o clássico Relationship of Command (2000), um dos melhores da década passada. Posto isto, há boas e más notícias. Primeiro as más: o novo álbum é uma desilusão e uma perda de tempo. Depois as boas: Relationship of Command continua a ser o disco mais tocado, e ainda tem havido espaço para um canção de In/Casino/Out (1998) e outra de Vaya (1999).

Real Estate

Ninguém pode acusar estes homens de não serem consistentes. Desde o primeiro disco, lançado em 2009, que os americanos vêm a aperfeiçoar um som nostálgico e sonhador, a meio caminho entre a ginga indie-pop dos Feelies e os Yo La Tengo mais outonais. Desenvolveram uma marca autoral muito própria, que se manteve relativamente inalterada apesar de saída de Matt Mondanile (Ducktails), guitarrista e um dos grandes responsáveis pelo som da banda. In Mind, o mais recente disco, saiu em 2017.

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800 Gondomar

Os 800 Gondomar são filhos do tédio. Putos do subúrbio capazes de fazer um hino garage-punk-brutamontes a partir do nada. Parece coisa pouca, mas é louvável. Afinal, não é fácil fazer uma canção, e menos fácil ainda é fazer uma canção que faz quem a ouve sentir o que quer que seja. E o primeiro álbum deles, Linhas de Baixo, está cheio disso. De música da boa, que merecia um palco maior do que o coreto. Talvez para o ano.

Primeira Dama

Manuel Lourenço, a Primeira Dama de que se fala, faz da sua vidae por arrasto da Lisboa onde cresceu e vai vivenda – canções pop. Não no sentido de serem êxitos de feira ou fenómenos transversais, mas porque pertencem a um povo, a um tempo e lugar. Isto é música popular portuguesa, mesmo que as suas influências também se encontrem do outro lado do Atlântico. Vivem aqui José Afonso, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Lena D'Água, B Fachada e as Pega Monstro. De uma maneira ou outra, mais ou menos abertamente, todos eles se ouvem nas suas canções. E graças a ele vamos ouvi-los a todos no maior festival de verão.

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