O melhor da nova temporada de música da Gulbenkian

Seleccionamos uma vintena de concertos entre as largas dezenas de propostas da nova temporada 2018/19 da Fundação Gulbenkian.
Orquestra Gulbenkian
©Márcia Lessa
Por José Carlos Fernandes |
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A temporada 2018/19 da Fundação Gulbenkian está tão recheada de grandes eventos que a dificuldade será arranjar tempo e dinheiro para dela desfrutar. A divulgação da temporada só aconteceu esta sexta-feira, a venda de bilhetes só terá início a 24 (online) e 26 de Junho (na bilheteira) e o concerto inaugural só terá lugar a 7 de Setembro. Todavia, atendendo ao padrão dos anos anteriores, é previsível que os concertos mais apetitosos esgotem muito rapidamente, pelo que convirá estar atento, caso contrário corre o risco de, quando regressar de férias e acabar de remover os últimos restos de areia infiltrados no seus pertences pessoais, descobrir que não há lugares livres para os concertos mais apetitosos.

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Revelada a temporada de música 2018/19 da Gulbenkian

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Música, Clássica e ópera

Orquestra Juvenil Gustav Mahler

icon-location-pin Fundação Calouste Gulbenkian, São Sebastião
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A orquestra fundada por Claudio Abbado e que reúne jovens instrumentistas de toda a Europa, tem desempenhado papel fulcral nas temporadas Gulbenkian e em 2018/19 reforçará esse protagonismo com quatro concertos, com programas onde Mahler e os compositores do universo austro-germânico da viragem dos séculos XIX-XX são presença constante.

Sob a direcção de Tobias Wögerer, a orquestra tocará a Noite Transfigurada, de Schoenberg (segunda-feira 25 de Fevereiro, 20.00, 15-30€), a suíte extraída do bailado O Mandarim Maravilhoso, de Bartók, a Rapsódia sobre um Tema de Paganini, de Rachmaninov (com a pianista sérvia Anika Vavic como solista), e o poema sinfónico Scheherazade, de Rimsky-Korsakov (quinta-feira 28 de Fevereiro, 20.00, 25-50€). Com a mezzo-soprano Elena Zhidkova e o maestro Jonathan Matt, ouvir-se-ão a monumental Sinfonia n.º 3, de Mahler (terça-feira 5 de Março, 20.00, 30-70€), e os Ruckert-Lieder, de Mahler, as Três Peças para Orquestra, de Berg, e a Sinfonia n.º 15 de Shostakovich, um compositor fortemente influenciado por Mahler (quarta-feira 6 de Março, 20.00, 25-50).

[Excerto da Sinfonia n.º 9 de Mahler pela Orquestra Juvenil Gustav Mahler, dirigida pelo seu fundador, Claudio Abbado, em 2004]

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Música, Clássica e ópera

Martha Argerich & Stephen Kovacevich

icon-location-pin Fundação Calouste Gulbenkian, São Sebastião
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Martha Argerich ou Stephen Kovacevich, em separado, seriam razão suficiente para reservar bilhete para esta data. Mas a oportunidade de ver estes dois colossos no piano num programa de obras para dois pianos é única e, para mais, o programa não poderia ser mais apelativo: Prélude à l’Après-Midi d’un Faune, de Debussy, e Danças Sinfónicas, de Rachmaninov, ambos em transcrições para dois pianos da autoria dos próprios compositores.

[Prélude à l’Après-Midi d’un Faune, de Debussy, por Martha Argerich & Stephen Kovacevich, ao vivo na Philharmonie de Paris, 2017]
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Música, Clássica e ópera

Bach: La Passione

icon-location-pin Centro Cultural de Belém, Belém
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A Gulbenkian habituou-nos a que a Páscoa seja assinalada com a execução de uma Paixão de Bach, segundo S. Mateus ou segundo S. João, pelo Coro & Orquestra Gulbenkian sob a direcção de Michel Corboz. Na próxima temporada, a tradição alia-se a uma inovação: o Coro & Orquestra Gulbenkian e Corboz serão protagonistas de La Passione, uma versão encenada por Romeo Castellucci da Paixão segundo S. Mateus, estreada em 2016 na Staatsoper de Hamburgo. É provável que a encenação seja sobretudo uma distracção e nada acrescente a uma obra cuja música e palavras já contêm todo o dramatismo necessário, mas é quase certo que La Passione suscitará maior curiosidade do público do que as apresentações “convencionais” das Paixões de Bach.

[Excerto de uma apresentação de La Passione no Festival de Música de Strasbourg de 2017]
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Música, Clássica e ópera

Grigory Sokolov

icon-location-pin Fundação Calouste Gulbenkian, São Sebastião
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O pianista russo Grigory Sokolov vem todos os anos à Gulbenkian e todos os anos esgota o Grande Auditório muito antes de o programa do recital ser divulgado. Tratando-se de Sokolov, que importa que as partituras sejam de Bach, Beethoven, Brahms, Chopin, Couperin, Mozart, Rameau, Schubert ou Schumann? Sokolov afirma “só toco aquilo de que gosto” e o público gosta de tudo aquilo que Sokolov toca.

[“Les Sauvages”, de Jean-Philippe Rameau, um dos encores de um recital de Sokolov na Berliner Philharmonie, 2013]
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Música, Clássica e ópera

Leif Ove Andsnes & Mahler Chamber Orchestra

icon-location-pin Fundação Calouste Gulbenkian, São Sebastião
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A Mahler Chamber Orchestra regressa oito meses depois e traz consigo outro pianista excepcional, o norueguês Leif Ove Andsnes, que conciliará funções de solista e maestro no Concerto n.º 21 de Mozart.

[II andamento do Concerto n.º 17 K.453, de Mozart, pela Orquestra de Câmara Norueguesa, com Leif Ove Andsnes no piano e direcção (Warner Classics)]
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Música, Clássica e ópera

Murray Perahia

icon-location-pin Fundação Calouste Gulbenkian, São Sebastião
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Encerrando um ciclo de piano de alto quilate, a Gulbenkian receberá a visita de Murray Perahia (n. 1947, Nova Iorque), que possui extensa discografia na Sony e tem dois Gramophone Awards no armário dos troféus. O programa ainda não foi divulgado, mas com Perahia o repertório raramente traz surpresas, pois as grandes obras de Bach, Mozart, Beethoven, Schubert, Chopin, Mendelssohn, Schumann e Brahms ocupam 99% da sua atenção.

[Étude op.10 n.º 4 de Chopin, por Murray Perahia]
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Música, Clássica e ópera

Puccini: Madama Butterfly

icon-location-pin Fundação Calouste Gulbenkian, São Sebastião
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A temporada fechará com uma das primeiras óperas a abordar o choque cultural entre Ocidente e Oriente, opondo o amor puro e cego de uma rapariga japonesa de 15 anos (Butterfly) ao cinismo distante de um oficial da marinha americana de passagem pelo Japão (Pinkerton). O exigente papel titular caberá à soprano Melody Moore e o Coro & Orquestra Gulbenkian serão dirigidos por Lawrence Foster, que foi maestro titular da Orquestra Gulbenkian entre 2002 e 2013 e, na qualidade de Maestro Emérito, regressa amiúde para a dirigir.

[“Un Bel Dí Vedremo”, por Renata Tebaldi, uma das mais carismáticas cantoras a encarnar a personagem de Cio-Cio-san, aliás Madama Butterfly, 1959]

O que aí vem

festival super bock super rock 2014
Fotografia: Arlindo Camacho
Música

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LCD Soundsystem
©DR
Música

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