O melhor da nova temporada de música da Gulbenkian

Seleccionamos uma vintena de concertos entre as largas dezenas de propostas da nova temporada 2018/19 da Fundação Gulbenkian.
Orquestra Gulbenkian
©Márcia Lessa
Por José Carlos Fernandes |
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A temporada 2018/19 da Fundação Gulbenkian está tão recheada de grandes eventos que a dificuldade será arranjar tempo e dinheiro para dela desfrutar. A divulgação da temporada só aconteceu esta sexta-feira, a venda de bilhetes só terá início a 24 (online) e 26 de Junho (na bilheteira) e o concerto inaugural só terá lugar a 7 de Setembro. Todavia, atendendo ao padrão dos anos anteriores, é previsível que os concertos mais apetitosos esgotem muito rapidamente, pelo que convirá estar atento, caso contrário corre o risco de, quando regressar de férias e acabar de remover os últimos restos de areia infiltrados no seus pertences pessoais, descobrir que não há lugares livres para os concertos mais apetitosos.

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Revelada a temporada de música 2018/19 da Gulbenkian

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Música, Clássica e ópera

Jordi Savall & Hespèrion XXI

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O maestro e gambista catalão visita a Gulbenkian todos os anos e traz sempre um programa diferente. O da próxima temporada – “As Lágrimas das Musas: As Guerras dos Três Reinos” – tem o especial atractivo de dar a ouvir Savall num contexto em que já há muito não se apresentava por cá: com o Hespèrion XXI assumindo o formato de ensemble de violas da gamba. O programa tem por pano de fundo a agitada história das Ilhas Britânicas no século XVII (do final da Guerra da Irlanda, em 1603, à Restauração da Monarquia, em 1660) e é preenchido por peças de compositores hoje esquecidos: se Dowland e Purcell têm alguma popularidade, Brade, Ferrabosco, Gibbons, Jenkins, Lawes e Locke são conhecidos apenas por aficionados da música seiscentista inglesa. Todavia, quer uns quer outros, compuseram peças de inigualável nobreza e refinamento, que merecem ser descobertas.

[“My Selfe”, de Anthony Holborne, pelo Hespèrion XXI, do CD The Teares of the Muses (Alia Vox)]

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Música, Clássica e ópera

Handel: Serse

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A ária “Ombra Mai Fu” é – justamente – uma das mais célebres compostas por Handel, mas são muito raras as oportunidades de ouvir na íntegra a ópera Serse (1738), de que faz parte. Ter o papel de Serse (remotamente inspirado no rei Xerxes I da Pérsia) interpretado pelo contratenor Franco Fagioli, secundado pela mezzo-soprano Vivica Genaux e pela contralto Delphine Gallou e pela orquestra de instrumentos de época Il Pomo d’Oro, é um luxo com que nem Xerxes, o Rei dos Reis, poderia sonhar.

[“Ombra Mai Fu”, pelo contratenor Franco Fagioli e Il Pomo d’Oro, dirigido por Zefira Valova, do muito recomendável CD Handel Arias (Deutsche Grammophon). Não se estranhe o protagonismo da árvore no videoclip: o enlevo que Serse exprime na ária tem mesmo por objecto um plátano]

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Música, Clássica e ópera

Arcadi Volodos

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O pianista russo é presença usual na temporada Gulbenkian, mas o programa deste ano tem um atractivo especial: centra-se em dois compositores russos da viragem dos séculos XIX-XX que foram também pianistas excepcionais e em cuja interpretação Volodos é superlativo. Um é Sergei Rachmaninov, representante maior da fase derradeira do Romantismo, de quem Volodos disse “para mim, é um Deus”; o outro é Aleksandr Scriabin, bem menos conhecido, mas possuidor de uma inspiração fervilhante e uma originalidade que só têm par em Debussy.

[Étude-Tableau op.39 n.º 8, de Rachmaninov, por Arcadi Volodos, do CD Live at Carnegie Hall (Sony)]
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Música, Clássica e ópera

Angela Hewitt

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Se Volodos não tem ninguém acima dele em Rachmaninov, a pianista canadiana Angela Hewitt está em situação similar no que a Bach diz respeito. As suas gravações para a Hyperion das Variações Goldberg, O Cravo Bem Temperado, A Arte da Fuga, as Suítes Francesas, as Suítes Inglesas, as Toccatas e os concertos para tecla figuram infalivelmente nas recomendações da crítica para discos de Bach. A Lisboa traz as Variações Goldberg, que já gravou por duas vezes, em 1999 e 2015.

[Excertos da segunda gravação (2015) das Variações Goldberg, por Angela Hewitt (Hyperion)]

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Música, Clássica e ópera

Coro & Orquestra Gulbenkian: Ode Marítima

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Lorenzo Viotti, o novo maestro titular da Orquestra Gulbenkian, é “novo” em mais de um sentido: tem apenas 28 anos, assume na temporada 2018/19 a direcção da orquestra (embora já a tenha dirigido pontualmente em ocasiões anteriores) e gosta de inovar e correr riscos. É assim que surge este programa original que articula três obras criadas com poucos anos de intervalo: La Mer, de Debussy, a Sinfonia n.º 2, de Szymanowski, e a Ode Marítima, de Álvaro de Campos (declamado por João Grosso).

[Excerto de La Mer pela Orquestra Filarmónica de Berlim dirigida por Claudio Abbado, ao vivo em Berlim, 2009]
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Música, Clássica e ópera

Ibéria: Música entre Espanha e Portugal

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Mini-ciclo de quatro concertos com obras de compositores portugueses e espanhóis de diferentes épocas, por intérpretes de excelência: o cravista francês Pierre Hantaï (música para tecla ibérica dos séculos XVII e XVIII; sábado 24, 16.00), o Cuarteto Quiroga & Jonathan Brown (quartetos e quintetos de cordas de Almeida Mota, José Palomino e Haydn; Sábado 24, 19.00), a soprano portuguesa Ana Quintans e o contratenor catalão Carlos Mena (cantatas do compositor barroco catalão Jaime de la Té y Sagaú; domingo 25, 16.00) e o Coro Gulbenkian (polifonia ibérica de temática mariana dos séculos XVI e XVII, domingo, 19.00).

[Salve Regina, do português Diogo Dias Melgaz (1638-1700), mestre de capela na Sé de Évora durante três décadas e derradeiro grande nome da polifonia portuguesa, um dos compositores do programa do Coro Gulbenkian no dia 25 de Novembro; interpretação de The Sixteen, com direcção de Harry Christophers]
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Música, Clássica e ópera

Christian Gerhaher

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O alemão Christian Gerhaher é um dos maiores barítonos do nosso tempo e tem-se distinguido na ópera, na música sacra e nas canções. É considerado um mestre nos Lieder, que tem apresentado e gravado sempre na companhia do pianista Gerold Huber. A dupla tem coleccionado elogios e prémios, entre os quais um Gramophone Award em 2006, pelo CD Abendlieder, com canções de Schubert. A Lisboa, Gerhaher/Huber trazem um programa que tem a poesia de Goethe como fio condutor e vai do início do século XX (Schubert), passa pelo Romantismo tardio (Wolf) e pela Segunda Escola de Viena (Berg), para chegar ao nosso tempo (Rihm).

[“Wilkommen und Abschied” D.767, Lied de Schubert sobre texto de Goethe, por Christian Gerhaher e Gerold Huber, incluído no CD Abendlieder (RCA/Sony)]
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Música, Clássica e ópera

Piotr Anderszewski

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A temporada Gulbenkian oferece cinco datas para ouvir este extraordinário pianista polaco: quatro com a Orquestra Gulbenkian (no Concerto n.º 3 de Bartók, a 11 e 12 de Outubro, e no Concerto n.º 1 de Beethoven, a 14 e 15 de Fevereiro) e uma a solo.

Nesta última, a 2 de Dezembro, Anderszewski tocará as Variações Diabelli, de Beethoven, uma das obras mais emblemáticas da sua carreira, já que foi a escolhida para se estrear na Virgin Classics em 2000, num disco multipremiado que o catapultou para a primeira divisão do piano mundial.

[Excerto de um filme de Bruno Monsaingeon sobre a interpretação das Variações Diabelli por Piotr Anderszewski]
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Música, Clássica e ópera

Orquestra Juvenil Gustav Mahler

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A orquestra fundada por Claudio Abbado e que reúne jovens instrumentistas de toda a Europa, tem desempenhado papel fulcral nas temporadas Gulbenkian e em 2018/19 reforçará esse protagonismo com quatro concertos, com programas onde Mahler e os compositores do universo austro-germânico da viragem dos séculos XIX-XX são presença constante.

Sob a direcção de Tobias Wögerer, a orquestra tocará a Noite Transfigurada, de Schoenberg (segunda-feira 25 de Fevereiro, 20.00, 15-30€), a suíte extraída do bailado O Mandarim Maravilhoso, de Bartók, a Rapsódia sobre um Tema de Paganini, de Rachmaninov (com a pianista sérvia Anika Vavic como solista), e o poema sinfónico Scheherazade, de Rimsky-Korsakov (quinta-feira 28 de Fevereiro, 20.00, 25-50€). Com a mezzo-soprano Elena Zhidkova e o maestro Jonathan Matt, ouvir-se-ão a monumental Sinfonia n.º 3, de Mahler (terça-feira 5 de Março, 20.00, 30-70€), e os Ruckert-Lieder, de Mahler, as Três Peças para Orquestra, de Berg, e a Sinfonia n.º 15 de Shostakovich, um compositor fortemente influenciado por Mahler (quarta-feira 6 de Março, 20.00, 25-50).

[Excerto da Sinfonia n.º 9 de Mahler pela Orquestra Juvenil Gustav Mahler, dirigida pelo seu fundador, Claudio Abbado, em 2004]

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Música, Clássica e ópera

Martha Argerich & Stephen Kovacevich

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Martha Argerich ou Stephen Kovacevich, em separado, seriam razão suficiente para reservar bilhete para esta data. Mas a oportunidade de ver estes dois colossos no piano num programa de obras para dois pianos é única e, para mais, o programa não poderia ser mais apelativo: Prélude à l’Après-Midi d’un Faune, de Debussy, e Danças Sinfónicas, de Rachmaninov, ambos em transcrições para dois pianos da autoria dos próprios compositores.

[Prélude à l’Après-Midi d’un Faune, de Debussy, por Martha Argerich & Stephen Kovacevich, ao vivo na Philharmonie de Paris, 2017]
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O que aí vem

festival super bock super rock 2014
Fotografia: Arlindo Camacho
Música

Concertos em Lisboa

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LCD Soundsystem
©DR
Música

Os concertos mais aguardados até ao final do ano

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