O melhor da nova temporada do Teatro Nacional de São Carlos

O nosso teatro de ópera oferece um programa variado de Setembro a Junho de 2019. Eis os momentos que merecem reserva na agenda
©Alfredo Rocha
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Desde óperas que estão entre as favoritas do público e que regressam periodicamente aos palcos nacionais, como La Bohème, até à estreia de uma ópera de um compositor português do nosso tempo, e da "grande farsa desopilante" de L’Étoile, de Chabrier, ao mergulho nos abismos mais sombrios da alma humana, em O Castelo do Barba Azul, de Bartók – não falta variedade à temporada lírica do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC). E o mesmo pode dizer-se da temporada sinfónica, que também estreia obras encomendadas a compositores portugueses, ao mesmo tempo que revisita obras “canónicas” de Beethoven, Berlioz ou Tchaikovsky.

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O melhor da nova temporada do Teatro Nacional de São Carlos

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Música, Clássica e ópera

Tippett: A Child of Our Time

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A oratória A Child of Our Time foi composta num dos períodos mais sombrios da história, entre 1939 e 1941, e contrapõe ao clima de violência, intolerância e opressão que então assolava o mundo, uma mensagem de pacifismo e reconciliação. É uma das obras mais famosas do compositor britânico Michael Tippett (1905-98), mas é raramente apresentada pelas nossas paragens, pelo que esta ocasião não deverá ser desperdiçada.

[Excerto por Cynthia Clarey (mezzo-soprano), Philip Langridge (tenor) e City of Birmingham Symphony Chorus & Orchestra, com direcção de Simon Rattle, Birmingham, 1995]

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Bartók, Beethoven, Schumann

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Três grandes concertos, cada um de uma época diferente, numa única noite: o Concerto para violino (1806), de Beethoven, o Concerto para violoncelo (1850), de Schumann, e o Concerto para viola (1945), de Bartók.

[Excerto do I andamento do Concerto para violoncelo, de Schumann, por Jacqueline Dupré e New Philharmonia Orchestra, com direcção de Daniel Barenboim]

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Dvorák: Stabat Mater

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O hino Stabat Mater expressa a dor e desolação de Maria perante a crucificação de Jesus, mas é válido para qualquer mãe que tenha perdido um filho – ou para um pai que tenha perdido uma filha, que foi o que aconteceu a Antonín Dvorák a 21 de Setembro de 1875, Quando viu morrer a recém-nascida Josefa, o que o motivou a esboçar uma primeira versão do Stabat Mater. A partitura tinha sido posta de parte Quando, poucos meses depois, Dvorák ficou sem a filha Ruzena (a 13 de Agosto de 1876) e sem o filho Otokar (8 de Setembro de 1876), o que terá pesado na decisão do compositor de expandir e concluir a obra, que estreou em Praga em 1880.

[“Eja Mater, Fons Amoris”, por Collegium Vocale Gent, Filarmónica Real Flamenga, com direcção de Philippe Herreweghe (Phi)]

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Côrte-Real: A Canção do Bandido

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Estreia de uma ópera com música de Nuno Côrte-Real e libreto de Pedro Mexia. O curriculum de Côrte-Real como compositor de ópera inclui A Montanha (encomenda da Fundação Gulbenkian), O Rapaz de Bronze (segundo Sophia de Mello Breyner, encomenda da Casa da Música) e Banksters (com libreto de Vasco Graça Moura, encomenda do TNSC). Pedro Mexia é conhecido como poeta, colunista, crítico literário e dramaturgo e tem aqui a sua estreia na ópera.

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Strauss, Tinoco, Walton

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A Orquestra Sinfónica Portuguesa comemora em 2018 o seu 25.º aniversário e encomendou a Luís Tinoco, um dos nossos compositores mais proeminentes, uma obra para assinalar a data. Terá estreia neste concerto em que tem a companhia de Also Sprach Zarathustra, de Richard Strauss, e do Concerto para violoncelo, de William Walton.

 

[I andamento do Concerto para violoncelo, de Walton, por Julian Lloyd Webber e Academy of St. Martin-in-the-Fields, com direcção de Neville Marriner (Philips)]

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Berlioz: Oratório L’Enfance du Christ

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Não há noite em que Herodes não acorde banhado em suores frios – sonha com o nascimento de uma criança que irá destroná-lo. Consultados os especialistas na Cabala, estes confirmam os receios do rei e apontam-lhe uma solução: o extermínio de todos os recém-nascidos. Após sopesar os argumentos, Herodes decide seguir o conselho – e é a ordem do massacre dos inocentes que dá azo ao único momento verdadeiramente dramático e turbulento de uma obra incaracteristicamente doce e lânguida para o padrão de Hector Berlioz, cuja inclinação para contrastes exacerbados e clímaxes bombásticos é conhecida.

A oratória (ou “trilogia sagrada”, como Berlioz lhe chamou) L’Enfance du Christ estreou em 1854, embora alguma da sua música tivesse sido reciclada de obras anteriores. É uma escolha bem-vinda para abrilhantar a quadra natalícia.

 

[“Adeus dos Pastores à Sagrada Família”, pelo Coro René Duclos e a Orquestra da Sociedade de Concertos do Conservatório de Paris, com direcção de André Cluytens]

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Gluck: Alceste

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Alceste tem como ponto de partida um episódio da mitologia greco-romana que levanta uma questão de pertinência intemporal: alguém (Alceste) que está disposto a sacrificar a sua vida para que aquele que ama (o esposo, Admeto, rei da Tessália) se salve. A ópera, com libreto de Ranieri de’ Calzabigi, estreou em Viena em 1767, em versão italiana, e conheceu uma versão francesa (com libreto de Le Blanc Du Roullet), estreada em Paris em 1776 (é a segunda que irá ouvir-se).

O alemão Christoph Willibald Gluck (1714-87) foi figura cimeira da transição do Barroco para o Classicismo e, após ter dominado o meio operático vienense, instalou-se sob a protecção de Maria Antonieta, em Paris, onde apresentou várias óperas (inéditas ou remakes em francês das óperas em italiano estreadas em Viena) que foram decisivas para a evolução do género em França.

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Bartók: O Castelo do Barba Azul + Poulenc: La Voix Humaine

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Barba Azul rapta Judith à sua família para a tomar por esposa. Judith segue-o voluntariamente mas fica intrigada com sete portas fechadas que vê num salão do sombrio castelo de Barba-Azul. Uma curiosidade irreprimível leva Judith a querer ver o que as portas escondem e Barba Azul, contrariado, acaba por aceder às suas súplicas e abrir as portas. Do que cada porta oculta e do desfecho desta via sacra em que cada porta é uma estação, melhor será nada dizer. A ópera de Béla Bartók, sobre libreto Béla Balázs (inspirado em Charles Perrault) estreou em 1918 e é uma das obras-primas do século XX.

Terá a companhia de outra ópera célebre do século XX: La Voix Humaine (1959), de Francis Poulenc, a partir da peça homónima de Jean Cocteau – tal como esta, tem requisitos minimais de elenco (uma mulher) e adereços (um telefone).

[Excerto do episódio “A Quinta Porta”, por Nadja Michael (Judith), Mikhail Petrenko (Barba Azul) e Orquestra da Metropolitan Opera de Nova Iorque, com direcção de Valery Gergiev, Metropolitan Opera, 2015]

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Chabrier: L’Étoile

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Quem aprecie a opéra bouffe oitocentista tem aqui uma oportunidade que só surge uma vez na vida. Emmanuel Chabrier não é um compositor célebre, as óperas não são a faceta mais conhecida da sua produção e L’Étoile, a primeira ópera que concluiu e que estreou em Paris em 1877, é raramente levada à cena em França e é quase ignorada fora do "hexágono". Portanto, se perder esta oportunidade, é provável que passem 142 anos até que a L’Étoile volte a subir a um palco lisboeta.

Embora seja pouco tocada, L’Étoile mereceu elogios dos contemporâneos de Chabrier: Duparc classificou-a como o equivalente francês de Os Mestres Cantores de Nuremberga e Hahn viu nela "uma fina pérola da opereta francesa". Isto, claro, para quem se pele por um "uma grande farsa desopilante".

[”Romance de l’Étoile”, por Collete Alliot-Lugaz (Lazuli) e a Orquestra da Ópera de Lyon, com direcção de John Eliot Gardiner, na Ópera Nacional de Lyon, em 1986 – uma das raras gravações integrais da ópera]

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Rossini: La Gazza Ladra

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La Gazza Ladra (1817) tem no seu centro uma acusação injusta: uma infeliz conjugação de eventos faz com que Ninetta, criada da família Vingradito, seja a principal suspeita do desaparecimento de talheres do faqueiro de prata da casa. Ninetta, que está apaixonada por Giannetto, o filho dos patrões, tem de enfrentar os avanços do Podesta (uma mistura de presidente da câmara e chefe de polícia), que lhe oferece a absolvição e a libertação em troca dos seus favores amorosos. Ninetta recusa e Quando está prestes a ser executada a sentença de morte (uma pena desproporcionada para o crime em questão), descobre-se que o autor dos furtos é uma pega (“gazza”, em italiano).

La Gazza Ladra tem a peculiaridade de a sua abertura se ter tornado muito mais conhecida do que a ópera em si mesma, que, não está entre as mais representadas de Rossini, pelo que esta é uma ocasião relativamente rara para a ver ao vivo (ainda que seja, nesta ocasião, apresentada, bizarramente, em versão de concerto).

[“Di Piacer Mi Balza il Cor”, pela soprano María Bayo e o ensemble Concerto Italiano (em instrumentos de época), com direcção de Rinaldo Alessandrini]

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Mais clássica

Joana Carneiro
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Concertos gratuitos de Jazz & Clássica em Julho

Chega o Verão e com ele uma vasta oferta cultural. O programa de concertos gratuitos de Julho oferece música nos mais diversos estilos e para as mais variadas formações em diferentes sítios da cidade. Estas sugestões permitem-lhe ouvir música ao vivo durante quase todo o mês sem gastar um cêntimo. Em igrejas, jardins, parques e museus. Para que se oriente e organize a agenda, nós dizemos-lhe os concertos gratuitos de jazz e clássica que não pode perder em Julho em Lisboa.

Orquestra Gulbenkian
©Márcia Lessa
Música

O melhor da nova temporada de música da Gulbenkian

A temporada 2018/19 da Fundação Gulbenkian está tão recheada de grandes eventos que a dificuldade será arranjar tempo e dinheiro para dela desfrutar. O concerto inaugural só terá lugar a 7 de Setembro, mas é previsível que os concertos mais apetitosos esgotem muito rapidamente, pelo que convirá estar atento, caso contrário corre o risco de, quando regressar de férias e acabar de remover os últimos restos de areia infiltrados no seus pertences pessoais, descobrir que não há lugares livres para os concertos mais apetitosos.

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