O melhor que ouvimos em Março

Os novos discos de Lo Moon, Rhye e Typhoon foram os melhores que ouvimos em Março. Mas não foram os únicos

Milosh

Mais um mês, mais uma remessa de discos. E, desses discos, uns quantos ficaram-nos no ouvido (e no coração), das canções anglo-saxónicas de Van Morrison ou dos Typhoon à música portuguesa de Medeiros/Lucas e do indie rock clássico dos Superchunk e Yo La Tengo às electrónicas de Recodinte, P. Adrix ou DJ Nigga Fox. Sem esquecer o r&b noir de Lo Moon e Rhye, autores de dois dos melhores discos que ouvimos em Março.

O melhor que ouvimos em Março

Recondite - Daemmerlicht

4 /5 estrelas

Há poucas coisas mais irritantes do que filas. Seja a da Segurança Social, seja uma fila mais filosófica, interna, como se tivéssemos uma porrada de gente a tapar--nos a entrada num objectivo de vida. A música de Recondite tem muito dessa energia, nunca mais lá chegamos, só que esta fila de espera de 12 faixas tem uma diferença enorme: é só uma fila, não há nada no final. Depressa nos apercebemos que as expectativas são acessórias e que o melhor é aproveitarmos isto, enquanto aqui estamos. Ainda que tenhamos de domar uma espécie de vulto, um ser superior e intocável, uma sonoridade épica e transcendental, a querer tragédia.

Este Daemmerlicht, quinto LP de Lorenz Brunner, podia quase ser encarado como uma espécie de música clássica electrónica, mas esta é uma orquestra vagarosa, ainda que cheia de endurance, é um fitness do submundo. Ao mesmo tempo é um paradoxo estranho, estamos num lugar que por ser tão afastado – tão cheio de ecos e daqueles barulhos que nos fazem erguer os braços que nem um pugilista – e sombrio nos acalma, as criaturas maléficas estão demasiado longe para nos deitar a mão.

Apetece dizer que um produtor, um DJ com a agenda e o reconhecimento de Recondite, também tem direito a isto, a não querer sempre festa, a não querer sempre os níveis do bass no limite dos decibéis, a não querer sempre um techno abrasivo. Daemmerlicht é da melhor música ambiental que nos passou pelo estreito nos últimos tempos. E bem sabemos como o ambiente precisa de apoio.

Miguel Branco

P. Adrix - Álbum Desconhecido

4 /5 estrelas

À medida que o ouvinte separa as camadas que formam os temas do primeiro álbum de P. Adrix, produtor afrodescendente nascido em Lisboa e residente em Manchester, é uma surpresa perceber a diversidade de texturas, estímulos, ambientes e idiomas solidamente alojados em peças que não passam de um, dois minutos de vida. A agitação digital do kuduro reinventado pode ser o tom dominante em Álbum Desconhecido, mas por diversas vezes não fornece mais do que os contornos para composições que habitam outros países.

A ilusão sonora parece-
-kuduro-mas-será-que-é-mesmo? sente-se logo na faixa de abertura, “Zelda Shyt”, com a sua linha melódica obstinada, descentrada e conducente à hipnose sobre um ritmo furioso que descende de The Aphex Twin (a bênção de Richard D. James também paira no bem mais alarmante “6.6.6”, só que transposta para uma selva feita de pixels). Ofegante, “Abertura da Roda” parece possuída por uma entidade maligna e pela câmara de eco do dub – à beira dela, “Sonhos” é quase um cintilante sedativo trip-hop (quase; e é elogio). “Viva la Raça” tem a espessura da synthpop cósmica e o negrume do techno dos primórdios, assentes numa exuberância rítmica deste século.

Suspeita-se fortemente que as faixas têm imaginação e fôlego para durarem o dobro ou o triplo do tempo que lhes é alocado. Acontece em várias, mas um bom exemplo está em “Estação de Queluz”, que neste contexto passa por devaneio melancólico, cinemático e nocturno, uma abertura em busca de uma sinfonia; outro rasgo sinfónico, neste caso em tom fabril e motorizado, passa pelo telegráfico e brilhante “Tejo”. Esta brevidade quase masoquista é, também, uma marca do talento que corre em
P. Adrix.

Jorge Lopes

Superchunk - What A Time To Be Alive

4 /5 estrelas

No activo desde 1989, os Superchunk são uma instituição indie. E no 11º álbum não acusam a idade. A fórmula é a mesma de sempre: power-pop com vitalidade punk, música directa e jubilatória. Mas isto é redutor. What A Time To Be Alive não é só um disco de indie rock certeiro e urgente, está sintonizado com a actual realidade sociopolítica americana e as suas canções reflectem a revolta de uma certa esquerda. Todavia evita referências directas a pessoas ou situações, garantindo a sua intemporalidade – uma excepção é a menção da activista e denunciante americana Chelsea Manning, em “I Got Cut”; ou a homenagem aos Reagan Youth na faixa homónima, também uma meditação sobre a capacidade (ou a incapacidade...) de a música popular efectuar mudanças sociais duradouras.

Luís Filipe Rodrigues

Yo La Tengo - There’s A Riot Going On

4 /5 estrelas

Os Yo La Tengo são um bom exemplo de longevidade e consistência: andam nisto desde 1984 e os fundadores Ira Kaplan e Georgia Hubley tocam com James McNew desde 1991. O novo álbum, There’s A Riot Going On, partilha o nome com um discaço de Sly and the Family Stone, sai na sexta-feira e foi gravado pelo trio ao longo de vários meses, no seu estúdio, sem engenheiros nem produtores a mandarem bitaites. As canções foram aparecendo de forma natural e orgânica e isso nota-se. É um disco nocturno e vasto, desapressado, onde faixas distorcidas de cinco minutos ou mais coexistem com pequenas canções de dois minutos, mas nem sempre nem por isso mais directas. Pode estar a haver distúrbios lá fora, como anuncia o título, mas os Yo La Tengo continuam na sua. Fazem eles bem.

Luís Filipe Rodrigues

Van Morrison - Versatile

4 /5 estrelas

Há pessoas, músicos também, que estão sempre lá, dos quais só nos lembramos muito de vez em quando, mas que estão sempre lá. Para o melhor e para o pior. Van Morrison é um desses músicos. Em 53 anos de carreira, não há um disco seu que seja mau, ou até sofrível. E são muitos, quase 40, se não contarmos com os dos Them, no início de carreira. Todos discos acima da média, sempre disponíveis para que os ouçamos, resistentes às modas, perenes que nem rochedos. Van Morrison inventou um estilo, uma vocalização meio declamada meio improvisada, que espraia sobre orquestrações que tanto devem ao jazz, como ao blues e à música celta. Os últimos CD são quase excepção: este é só jazz, o anterior, de finais de 2017, era quase só R&B e blues. Dois terços de standards (Gershwin, Porter), um terço de originais, sem surpresas, apenas o regular Morrison e um septeto com metais em destaque. Ou seja, a velha rotina, entre o bom e o muito bom.

Manuel Morgado

Anna Burch - Quit the Curse

4 /5 estrelas

A voz de Burch é límpida e fresca, as guitarras são vivas, as melodias são orelhudas e as harmonias vocais ensolaradas, o que pode fazer com que não se repare que as letras dão testemunho de uma vida sentimental conturbada: paixão não correspondida (“2 Cool to Care” e “Yeah You Know”), solidão (“Tea-Soaked Letter”), toxicodependência (“Asking 4 a Friend”), relações malsãs (“What I Want”).

“Fiz coisas muito tontas e dolorosas/ A culpa fez-me dar voltas nos lençóis/ E deixei entrar na minha vida demasiados homens/ Que me sufocaram com ciúme e orgulho”, canta ela em “Belle Isle”. Porém, os tormentos emocionais de Burch são temperados por alguma ironia e em “What I Want” a cantora acaba por concluir que “A autodestruição está tão gasta/ E o mesmo vale para a autocomiseração e a insegurança”, que mais vale encarar a vida pela positiva: “Let’s try to be okay”.

O contraste entre a acidez das confissões e a doçura da música é refrescante e o songwriting é escorreito – este é o álbum de estreia de Burch em nome próprio, mas esta cantora e guitarrista de Detroit fez parte dos Frontier Ruckus e dos Failed Flowers e colaborou com os Minihorse e Fred Thomas. Quit the Curse não traz novidades do ponto de vista formal – na verdade, faz lembrar a pop deliciosamente agridoce de Juliana Hatfield – mas nunca faltará lugar no mundo para mais canções assim.

José Carlos Fernandes

Lo Moon - Lo Moon

5 /5 estrelas

Especialistas em neurologia, como Lamberto Maffei, autor de Elogio da Lentidão, e em psicologia, como o Prémio Nobel Daniel Kahneman, autor de Pensar: Depressa e Devagar, explicam-nos que na mente humana coexistem diferentes mecanismos: um veloz, sumário e falível, para atender solicitações prementes, e outro, lento e pesado, mas capaz de reflexões elaboradas, consistentes e fiáveis. Na nossa era de velocidade vertiginosa, recompensa instantânea, vídeos virais e memória efémera, tem-
-se exaltado excessivamente o primeiro mecanismo, mas é o segundo que continua a produzir resultados mais gratificantes.

Enquanto há bandas que vão do primeiro ensaio na garagem às centenas de milhões de visionamentos no YouTube em poucos meses, foram precisos cinco anos para que a primeira demo de “Loveless” se convertesse no single surgido em Setembro de 2016. Passou mais um ano até que os Lo Moon dessem novamente sinais de vida, com o single “This is It”, e só no final de Fevereiro de 2018 surgiu o álbum de estreia. A espera valeu a pena, pois as outras faixas são gemas tão esmeradamente lapidadas como “Loveless” e “This is It”. As canções, de aura nocturna e fatalista, tendem a abrir em atmosfera despojada, com a voz de Matt Lowell em registo de melancolia resignada, mas vão ganhando groove e densidade num crescendo épico, a que Lowell confere um tom trágico.

Nesta música dominada por teclados e de groove preguiçoso e hipnótico, há vínculos com a synthpop dos anos 80 e em particular com The Blue Nile, célebres pelos seus escrúpulos perfeccionistas. Por muito que se apreciem os doces frutos da lentidão, quem ouça esta estreia fulgurante vai fazer figas para que a banda não imite os The Blue Nile ao legar-nos apenas quatro álbuns nas próximas três décadas e meia.

José Carlos Fernandes

Typhoon - Offerings

5 /5 estrelas

O quarto álbum dos Typhoon marca uma inflexão de rumo: até então a banda usara a sua panóplia instrumental – a dezena de elementos da banda, acrescidos de colaboradores pontuais, desdobra-se por guitarras, baixo e outras cordas dedilhadas, cordas friccionadas, sopros, teclados, bateria e percussões várias – para criar canções que, embora raiadas de melancolia, tinham toada positiva e coros arrebatadores (com afinidades com os Arcade Fire dos primeiros tempos). Mas em Offerings, Kyle Morton, voz e dínamo criativo dos Typhoon, mergulhou em reflexões sobre a perda da memória pelo indivíduo e a perda do sentido histórico pelo colectivo. Temas de candente actualidade num tempo em que a sobrecarga de informação está a gerar amnésia, indiferença e desorientação e em que o passado se dissolve e apenas resta um sufocante e aniquilador presente.

O resultado foi um álbum conceptual de quase 70 minutos, de atmosfera sombria e atormentada, que deixa menos espaço às influências folk patentes nos álbuns anteriores e em que o pendor optimista apenas assoma no final da derradeira canção. Canção não será a expressão mais adequada para identificar as componentes de um disco em que as faixas, algumas a atingir os oito e os 12 minutos de duração, se encadeiam sem interrupção e são estruturadas em várias secções, onde não é possível discernir elementos de construção como estrofes e refrães. Muitas faixas começam de forma singela, apenas com a voz de Morton e um dedilhado de guitarra acústica, mas outros instrumentos vão somando-se e não tarda que a textura se adense e a toada se torne épica.

Offerings é uma obra caleidoscópica e complexa, cuja descoberta requer tempo e atenção, dois recursos escassíssimos no Admirável Mundo Novo Digital.

José Carlos Fernandes

Brandi Carlile - By the Way

4 /5 estrelas

Um dos maiores contributos da country à música pop é aquele jeito de contar histórias com sentimento e uma moral. Os blues, mais sofridos, são também mais secos. Nada como a country para puxar a lágrima, frequentemente para lá do razoável. Isto, claro, quando não se tem bom gosto e bom senso. Brandi Carlile vem da country, tem muito senso e ainda mais bom gosto, é bem-vinda na indie e sente-se muito à vontade na pop, como este sexto disco deixa claro. As histórias que conta são densas, amargas, como a vida muitas vezes é. “Party of One” diz quase tudo no título e encerra o disco da melhor maneira. “The Mother”, num registo acústico e íntimo, e a perturbante “Sugartooth” são outros grandes momentos de um disco para o qual a etiqueta country é demasiado redutora.

Manuel Morgado

Medeiros/Lucas - Sol de Março

4 /5 estrelas

A memória que mais nos assalta durante a audição deste disco é a de José Afonso. Nada a ver com empenhamento político, apenas o posicionamento estético e o risco da criatividade. Como pegar em ritmos e sonoridades de vários quadrantes, África e América Latina à cabeça, fazer a ponte da tradição popular para a contemporaneidade, aqui vincada com um recurso repetitivo ao minimalismo, e tudo isso servido por uma graciosidade serena da voz, às voltas com versos que fogem da facilidade.

Ouça-se, por exemplo, “Podre Poder” ou “Galgar”. Há umas décadas que não ouvíamos música assim, com esta sede de perfeição. Este é o terceiro de uma série de discos que Carlos Medeiros (voz) e Pedro Lucas (composição) iniciaram, em 2015, com Mar Aberto, dedicado às emoções, e prosseguiram, em 2016, com uma obra mais colada ao corpo, Terra do Corpo. Agora, com letras de João Pedro Porto, chegamos ao terceiro capítulo, centrado na razão. Filosofia aural.

Manuel Morgado

DJ Nigga Fox - Crânio EP

4 /5 estrelas

É por estas e por outras que, pelo menos internacionalmente, o som da Príncipe Discos passou a chamar-se batida, ao invés de kuduro. E com toda a razão. Seria de uma tremenda preguiça, um simplismo redutor, chamar kuduro a estes efeitos sonoros disruptivos, electrónica por opção dessincronizada, videojogos antigos de tiros espaciais, manípulos de slot machines encravados. Sim, há uma aura mecânica – monta e desmonta cabos eléctricos – neste Crânio, primeiro EP assinado por DJ Nigga Fox na mítica Warp, que já tinha editado uma canção dele na primeira compilação Cargaa, com outros artistas da Príncipe. Olhar para o catálogo da editora é saber que por lá estão os melhores da electrónica experimental/ambiental e, sim, Nigga Fox é um dos melhores.

Repita-se: kuduro não chega. É óbvio que nestes seis temas de Nigga Fox todos esses recantos mecanizados, volta não volta, se aproximam de um afrobeat 3.0, de um deep-house a querer viver o dia, de um techno tropical. Ou seja, não é kuduro, mas facilmente estamos em África com percussões em latas metalizadas e sons que por vezes podiam ser vuvuzelas utilizadas para fins benignos. Dito isto, é notório que o ambiente que este Crânio sugere se aproxima bem mais de um club europeu do que de uma festa de rua africana. Mas vai bem nas duas maneiras, aliás, vai bem em todas, desde que haja o equipamento necessário. Como já percebeu, são seis músicas de paisagem ambivalente e que são essencialmente muitíssimo bem construídas, sempre ligadas àquela noção de dança trôpega, a que dificilmente apanharemos o jeito. E sim, isso é bom sinal. É um sinal do caraças.

Miguel Branco

Rhye - Blood

5 /5 estrelas

Entre o primeiro álbum, Woman (2013), e este segundo, os angelinos (por adopção) Rhye viram-se amputados de 50% dos seus efectivos, na pessoa do produtor e multi-instrumentista dinamarquês Robin Hannibal, e a metade restante do duo, o cantor canadiano Mike Milosh, separou-se da sua esposa, a actriz Alexa Nikolas, a musa que inspirara Woman. Se a criação artística se regesse por uma lógica estritamente racional, as agências de rating musical desaconselhariam que se investissem grandes expectativas em Blood, mas Milosh converteu as perdas em forças e o novo disco galgou vários patamares: a matriz de r&b aveludado mantêm-se, mas o songwriting apurou-se, a voz tornou-se mais expressiva e magoada, a componente synth-pop ganhou peso, o groove funk ganhou elasticidade e subtileza e a atmosfera ensombrou-
-se. Os arranjos deixaram de ser um ornamento polido e convencional e são agora parte integral das canções, com as cordas a dar um contributo decisivo para o dramatismo de temas como “Waste”. É provável que à metamorfose não seja alheio o facto de Woman ser um disco de laboratório e de Blood ter sido construído em tournée, com o contributo activo da banda que acompanha Milosh.

A voz andrógina e narcoléptica de Milosh evoca, nas faixas
lentas e despojadas, os Cigarettes After Sex e também se sente a sombra crepuscular de The Blue Nile, mas as afinidades maiores de Blood são com o álbum de estreia dos Lo Moon – que também têm base em Los Angeles –, que foi lançado com escassos dias de intervalo e já mereceu elogios por aqui. L.A. foi, durante as décadas de 1940 e 1950, a capital do film noir e em 2018 parece perfilar-se como capital do r&b noir.

José Carlos Fernandes

O melhor que ouvimos antes

O melhor que ouvimos em Fevereiro

Comecemos pelo mais importante: o novo disco de Cristina Branco, Branco, foi o melhor que passou pelos ouvidos dos críticos da Time Out em Fevereiro. Noutra ponta do espectro melódico nacional, Castle Spell, dos Sunflowers, foi uma boa surpresa. , dos Clã, foi mais um que não desiludiu. Tirando isso, aproveitámos para dar a atenção merecida a uns quantos exemplares da colheita de 2017 que nos tinham passado ao lado, como Sterilize dos Unsane ou Stranger in the Alps de Phoebe Bridgers.

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Por Editores da Time Out Lisboa

O melhor que ouvimos em Janeiro

Não se passa grande coisa em Janeiro. Pelo menos do ponto de vista comercial e editorial, nos discos e não só. É, por isso, a altura perfeita para escrever e ouvir os discos que não tiveram a atenção merecida nos últimos meses do ano anterior, como por exemplo os últimos dos U2. Ao mesmo tempo, há sempre espaço, tempo e atenção extra para ouvir e escrever sobre as novidades que valem a pena, do Ephorize de CupcakKe ao Misfit de The Legendary Tigerman.

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Por Editores da Time Out Lisboa
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