O ocultismo psicadélico dos Moon Duo

Os Moon Duo dão um concerto em Lisboa, no MusicBox, na segunda-feira. Entrevista ao cabecilha Erik “Ripley” Johnson
Moon Duo
©DR Moon Duo
Por Luís Filipe Rodrigues |
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Erik “Ripley” Johnson não vai em modas. Membro dos Wooden Shjips e dos Moon Duo, é um dos nomes mais valorosos do rock psicadélico americano actual. Os seus Moon Duo tocam segunda-feira no MusicBox, e antes conversámos com ele.

 

Os vossos discos do ano passado chamam-se Occult Architecture [vol. 1 e vol. 2]. De onde é que vem esse  nome?

Tinha acabado de ler uma biografia do [místico e crítico social britânico] Aleister Crowley, e isso levou-me a uma série de livros mais esotéricos sobre o oculto e magia. Por essa altura, por coincidência, tínhamos dois volume de música focados na luz e na escuridão. Tematicamente fazia sentido.

Porque decidiram fazer dois discos tão diferentes?

Inicialmente queríamos fazer um disco mais negro e pesado. Estávamos a trabalhar no Inverno, e a música reflectia o nosso estado anímico. Só que acabámos as gravações com algum material que era muito leve e luminoso para entrar no disco, e por isso decidimos fazer um segundo, mais leve.

Então porque é que não fizeram simplesmente um álbum duplo?

Queríamos que as pessoas experienciassem os discos separadamente, e misturámos os dois em alturas diferentes já a pensar nisso. O primeiro em Berlim e o segundo, uns meses mais tarde, em Portland.

Qual é a tua relação com o ocultismo?

É algo que me interessa. Sobretudo a ideia de conhecimento oculto. Os humanos experienciam o mundo a partir de um certo corpo linguístico e ponto de vista, mas isso claramente não é tudo o que existe. Acho que temos uma visão muito limitada da realidade.

Por falar em limitações... Os Moon Duo começaram por ser projecto paralelo à tua outra banda, os Wooden Shjips. O que te levou a começar este projecto?

Eu só queria fazer mais música, andar mais em digressão. E os [Wooden] Shjips não podem viajar muito por causa dos trabalhos, família, etc.

Pois. Os Wooden Shjips não lançam um disco há quase cinco anos e tocam cada vez menos. Parece que se tornaram o projecto paralelo. O que mudou?

Não mudou grande coisa. O ritmo da vida, talvez. Mas vai sair um álbum novo dos [Wooden] Shjips a 25 de Maio, pela Thrill Jockey. Chama-se V.

Mas paralelamente os Moon Duo cresceram. Agora têm um baterista
nos concertos e tudo. Sentiram que fazia falta uma terceira pessoa?

É bom ter percussão ao vivo e deixar que isso alimente a música. As caixas de ritmos também são óptimas, mas é uma sensação diferente. Um ser humano é sempre mais dinâmico, e o John [Jeffrey] é um baterista muito bom.

Tu começaste a tocar rock psicadélico antes de voltar a ser moda. O que pensas da actual popularidade do género?

É fixe. Acho que, hoje, é mais fácil qualquer tipo de música encontrar um público.

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