Oito bandas indie-pop a ter debaixo de olho em 2018

São bandas ou songwriters que se estrearam recentemente em disco, têm talento e identidade própria e que só precisam que alguém repare nisso para subirem de divisão
Alice Phoebe Lou
©DR Alice Phoebe Lou
Por José Carlos Fernandes |
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Oito bandas indie-pop a ter debaixo de olho em 2018

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Fazerdaze

A neo-zelandesa Amelia Murray gravou o seu primeiro EP no quarto da sua casa em Auckland, em 2014. O álbum de estreia, Morningside, saiu em 2017, e dá-nos a ouvir uma dream pop esplendorosamente estival e luminosa, com alguns acenos à música dos anos 80. Na canção “Lucky Girl”, Murray afirma repetidamente “I’m a lucky girl”, mas nós é que somos sortudos por ter música desta para nos ajudar a atravessar o Inverno.

[“Lucky Girl”, do álbum Morningside]
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Bat House

Mesmo os menos dados a passear pela natureza estão familiarizados com os ninhos artificiais – uma caixa em madeira com uma abertura circular – colocados nas árvores com o fito de incentivar a instalação e reprodução de aves selvagens. Mas poucos serão os que já viram um ninho análogo destinado a morcegos – designado em inglês por “bat house”, por analogia com as “birdhouses” – que serviu para baptizar este quarteto de Boston, que pratica uma pop complexa e com constantes mudanças rítmicas, com influências de psicadelismo e math rock. O álbum de estreia homónimo saiu em 2017.

[Versão ao vivo em estúdio de “Patterns”, do álbum Bat House]
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Lina Tullgren

Lina Tullgren, uma nativa do Maine, começou por ter formação musical clássica, antes de descobrir que a sua “voz” estava na guitarra eléctrica. Após o EP Wishlist (2016) – uma gravação caseira em duo – Tullgren lançou em 2017 o álbum Won em 2017, na Captured Tracks. Won já conta com uma banda completa – à guitarra de Ty Ueda juntaram-se teclados, baixo e bateria –, mas nem por isso as canções deixam de ser requintadamente intimistas, rarefeitas e delicadas.

[“Older”, seguida de “Red Dawn”, num “concerto de varanda” por Lina Tullgren e Ty Ueda, sem público (para lá de dois porquinhos)]

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Stereo Honey

O quarteto londrino Stereo Honey ainda só tem um EP, Monuments, lançado em Dezembro de 2017, mas a sua capacidade para criar canções tão arrebatadoras e épicas como os Radiohead ou os U2 é evidente e a voz de Pete Restrick tem extensão e dramatismo quanto baste para imprimir marca na memória.

[“The Bay”, do EP Monuments]
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Alice Jemima

Se a voz de Lolita da britânica Alice Jemima tivesse um nadinha mais de doçura, candura e sensualidade, seria afectada e postiça, mas como as emoções são rigorosamente controladas, fica-se antes enfeitiçado. A electrónica domina as operações, mas é sempre velada, de contornos arredondados, sem estridências, casando na perfeição com a macieza da voz, e o songwriting combina simplicidade e concisão – as 12 faixas do álbum de estreia homónimo surgido em 2017 escoam-se em 36 minutos. A quem se preocupa com a dieta fica uma advertência: a música de Jemima está carregada de açúcar (o que é sinalizado por títulos como “alcaçuz” e “licor de cacau”) e é irresistível. Quem a ouve uma vez já não consegue libertar-se do vício.

[“Dodged a Bullet”, do álbum Alice Jemima]
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Alice Phoebe Lou

Alice Phoebe Lou tem apenas 24 anos, mas já deu provas mais que suficientes do seu talento. Nasceu na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 1993, e, após algumas deambulações pela Europa, iniciadas aos 16 anos, assentou base em Berlim. O seu primeiro registo foi o EP Momentum, em 2014, e estreou-se no formato longa-duração com Orbit, em 2016, ambos editados por conta própria – recusou propostas de editoras, pois entende que “as pessoas que trabalham para as grandes editoras são, na maior parte das vezes, gente de negócios e não músicos. E tendem a olhar para ti e tentar logo colar-te um rótulo e colocar-te dentro de uma caixa, para poderem vender-te melhor”. Possa o mundo reparar no imenso talento de Lou mesmo sem este ter por trás a máquina promocional de uma editora. Em Janeiro há um EP novo, Sola.

[“Society”, do álbum Orbit]
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Starcrawler

“I Love LA”, o cartão de visita dos Starcrawler é um “In Bloom” para os miúdos do século XXI. A canção dos Nirvana, surgida há 28 anos, faz comentários ácidos sobre os mecanismos da popularidade do pop-rock e a acefalia dos fãs que gostam de cantar letras cujo significado ignoram. Uma ironia do destino fez com que ela se convertesse num êxito e contribuísse para tornar os Nirvana num inesperado fenómeno mediático.

Os antecedentes dos Starcrawler não podiam ser mais diversos dos Nirvana: os quatro adolescentes de Los Angeles, acabados de sair da escola secundária, provêm de famílias de elite, com excelentes contactos no meio artístico. A vocalista Arrow de Wilde é filha da fotógrafa e documentarista Autumn de Wilde (que é também a realizadora do videoclip abaixo) e de Aaron Sperske, o ex-baterista dos Ariel Pink; Starcrawler, o álbum de estreia (a lançar a 18 de Janeiro de 2018) foi produzido por Ryan Adams, que é amigo de Autumn; Elton John fez uma cover de uma canção dos Starcrawler ainda antes de eles terem lançado qualquer disco; e a banda irá abrir para os Foo Fighters no London Stadium em Junho próximo. O estatuto socio-económico dos pais não é determinante apenas no aproveitamento escolar dos filhos, também pode limpar de obstáculos o espinhoso e traiçoeiro caminho para a fama no showbiz.

Henri Cash, o guitarrista da banda, proclama que a música dos Starcrawler “mostra às pessoas que o rock’n’roll continua vivo”, mas o que se ouve em “I Love LA” anda muito perto do punk pop dos Nirvana. Os Starcrawler podem ser vistos como uns Nirvana mais insolentes, sarcásticos, auto-conscientes, cínicos e blasés – ou seja, com tudo para cair no goto da geração nascida neste século.

[“I Love LA”, do álbum Starcrawler]
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Phoebe Bridgers

Mais uma Phoebe e mais um talento apadrinhado por Ryan Adams, que lançou na sua editora, PAX AM, Killer, o single de estreia de Phoebe Bridgers. O primeiro álbum, Stranger in the Alps, saiu em 2017 pela Dead Oceans. Quer a atmosfera seja folk e intimista, como em “Waiting Room”, elegíaca, como em “Smoke Signals”, ou mais rock e extrovertida, como em “Motion Sickness”, o que salta aos ouvidos é a expressividade de uma voz onde a doçura e a amargura se mesclam num equilíbrio inefável.

[“Motion Sickness”, do álbum Stranger in the Alps]

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