O sotaque texano de Owen Wilson é inconfundível mal ele atende o telefone. Trocamos umas palavras e, passado um bocado, estamos a falar do novo Carros 3, em que ele volta a emprestar a voz ao carro de corridas Faísca McQueen. No novo filme, Faísca está em apuros, a considerar retirar-se depois de um acidente catastrófico.
O que te levou a fazer um novo filme da série Carros?
Tenho dois filhos pequenos que me admiram e respeitam porque interpreto o Faísca McQueen. Gosto disso. E desta vez eles tiraram o máximo partido da situação, foram à Disneyland para a estreia e tudo.
Devem ter ficado muito bem impressionados.
Sim. Eles gostam… Têm um novo brinquedo, um carro que se controla com o telemóvel. Ele corre e fala contigo. E tem a minha voz, por isso pensei que ficassem estarrecidos quando o levei para casa, mas não ficaram nada impressionados. Ainda acreditam em super-heróis e monstros, por isso ter a voz do pai a sair de dentro de um carro parece-lhes normal. Isso não é nada de especial para eles.
Os miúdos passam-se com a série Carros. De que filmes gostavas quando eras mais novo?
Quando és um miúdo gostas de tudo. Já ficas contente só por estar no cinema. [Os meus filhos estão a] começar a gostar de filmes. Vi O Momento da Verdade [The Karate Kid, no original] com eles recentemente, porque o meu filho de seis anos gosta de karaté. Os filmes de que gostava em adolescente eram A Primeira Noite, Ensina-me a Viver, A República dos Cucos.
Sonhavas ser um actor quando eras garoto?
Não, não, não. Foi algo que aconteceu por acaso. Tive a minha experiência como actor numa peça que o meu amigo Wes Anderson escreveu. Quando era um miúdo queria jogar futebol americano nos Dallas Cowboys.
Interpretas um carro de corridas nos filmes, mas no dia-a-dia andas mais de bicicleta, não é?
Acho aqui sim. Adoro as bicicletas da Brompton, tenho uma dessas em Londres. Adoro andar pela cidade. Nem é tanto pelo exercício, é mesmo para dar umas voltas. Vai ao encontro da minha capacidade de atenção.
O Carros 3 explora a ideia de uma geração mais velha se afastar e deixar que os mais novos sejam o centro das atenções. Isso ressoou junto de ti?
Toda a gente tem problemas em diferentes alturas da vida. É difícil fazer algo sozinho. Precisas de outras pessoas. Achei isso tocante.
Lembrou-te do teu início de carreira?
De certeza. Quem me abriu as portas foi o James L. Brooks, que me trouxe a mim, aos meus irmãos e ao Wes [Anderson] para Los Angeles para desenvolvermos o nosso primeiro argumento e filme. Mudou completamente as nossas vidas. Se tens sucesso, normalmente foi porque alguém te ajudou.
Protagonizaste recentemente Lost in London, de Woody Harrelson, um filme filmado em tempo real e transmitido em directo para os cinemas enquanto estava a ser filmado. Como foi essa experiência?
Honestamente, sinto que foi uma das melhores experiências criativas da minha vida. Ninguém tinha feito nada assim. Eu não faço teatro, não faço nada ao vivo. Estava muito nervoso, mas acabou por ser uma óptima experiência. Aposto que um guru de auto-ajuda diria que enfrentei os meus amigos.
O que se segue? O Zoolander 3?
Não sei se isso vai acontecer. Estava a falar com o Ben [Stiller] há uns dias, e não era sobre o Zoolander 3. Mas nunca se sabe.
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