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Duarte Peão abriu, no início do ano, este restaurante de bairro, que serve pratos tradicionais portugueses, como arroz de pato ou bacalhau à Brás. Em 2027, o chef chega a Alvalade, com um espaço idêntico.

“Um restaurante português para toda a gente.” É assim que Duarte Peão descreve o seu projecto em Campo de Ourique, que abriu no início deste ano. E acrescenta mais algumas coisas: boteco, de bairro, não pretensioso, de preço razoável, para a família e amigos. “É um sítio alegre, onde cabem todos – uma mesa de quatro dá para seis pessoas, uma mesa de dois dá para quatro. Há uma confusão boa, saudável. Gosto muito do Brasil, então é um boteco português com muito entra e sai, em que se come um croquete ou um pastel à janela”, ilustra o chef e proprietário.
Junto à porta, há precisamente um postigo onde as pessoas podem pedir uma cerveja (2€), um cocktail (10€) – há moscow mule, amarguinha e basil smash –, ou um copo de vinho – o Covão Encruzado (Dão) é um dos preferidos de Duarte, que destaca também o Redoma e o Comboio do Vesúvio (Douro), e o Quinta Boa Esperança (Lisboa). Para acompanhar, preguinhos do lombo (15€) e cachorrinhos de tártaro de novilho (14€).
Na visita da Time Out, não ficamos à janela. Sentamo-nos numa mesa em frente à cozinha, mesmo à entrada. À medida que a hora de almoço se aproxima, surgem pares ou pequenos grupos de pessoas que perguntam à empregada se lhes consegue arranjar uma mesa. Arranja sempre, guiando-os de seguida pelo estreito corredor entre a cozinha e a fila de mesas com tampo em mármore até ao fundo da sala. Está decorada com elementos de madeira, a condizer com o chão de azulejos.
“Ao almoço, isto é uma tasca portuguesa e, à noite, as pessoas fazem disto uma não-tasca, um restaurante mais cool. Algumas bebem só um copo à janela”, conta o proprietário. Durante o dia, quando toca a música portuguesa, o Peão é sobretudo destino de comensais mais velhos. Além de vizinhos, são já conhecidos da equipa, e muitos vêm para comer os especiais da semana: à terça-feira são os panados com salada russa (16€); à quarta o bacalhau à minhota (19€); à quinta feijoada com bochecha de porco preto (18,50€); e à sexta, provavelmente o dia mais concorrido, cabidela de galinha (16€). “Sentem-se em casa e sentem que esta é a cantina deles”, acredita.
Os mais jovens, no entanto, também contribuem para o sucesso do restaurante. “Houve um boom nas redes sociais, mas nunca apostei nisso. Não contrato influencers, é tudo muito orgânico, desde fazer a comida à comunicação. Não há ninguém a fazer a comunicação, não tenho plataforma de reservas – é caderno e escrever, é entrar e perguntar. É isso que faltava em Lisboa. Os tascos estão a acabar – os velhotes estão a ficar cansados e não querem saber daquilo para nada – e os mais novos têm de começar com esta essência”, sublinha o chef de 35 anos.
É com este objectivo em mente que Duarte se prepara para abrir um novo espaço em Alvalade, entre Fevereiro e Março do próximo ano. “Vai ser muito parecido a este, um restaurante de bairro. Só há dois bairros em Lisboa: Campo de Ourique e Alvalade. O resto já não é muito bairro, mas espero que estes se mantenham lisboetas”, afirma. A base será, por isso, idêntica, com pequenas mudanças aqui e ali. “Os pratos principais vão ser um bocado mais ‘Alvalade’, com puré de batata, por exemplo.”
Natural de Esposende, Duarte Peão é contabilista de profissão e autodidata na cozinha. Trabalhou com o chef Kiko Martins, depois rumou à Itália, onde teve dois restaurantes. Durante a pandemia, regressou à cidade-natal e esteve no Barzin, na praia de Cepães, que é um projecto de amigos de infância. De volta a Lisboa, passou pelo Nunca até começar o negócio próprio. “O pai de uma amiga de uma amiga tinha isto – era a CdO Petiscaria – e não estava a correr muito bem. Decidi arriscar e tornei-me sócio do dono, o senhor Nelson Brito (dono das hamburguerias Santo Graal). Todo o trabalho aqui dentro foi feito por mim e por um amigo, desde pintar as paredes a pôr o chão.”
Sentados à mesa, começamos então a petiscar. Em vez do preguinho do lombo ou do cachorrinho de tártaro de novilho, disponíveis apenas no postigo, provamos o croquete de vitela (3,50€), o pastel estaladiço de pescada (4€) e o cachorrinho de camarão (14€), inspirado num lobster roll. A completar a lista de entradas, está o tártaro de novilho (15€), a salada russa com tiras de corvina braseadas (9,50€), o berbigão à Bulhão Pato (14€), o camarão ao alho (15€) e o pica-pau (18€).
Os pratos principais são do mais tradicional que conhecemos, sem invenções nem segredos. Há bitoque (23€), entrecôte (27€), carne de porco à alentejana (18€), arroz de corvina e camarão (19€), e filete de abrótea com arroz de berbigão (19,50€). Destaque para o bacalhau à Brás (18,50€) e para o arroz de pato guloso (18€), que leva qualquer um a rapar a travessa.
No fim, convém deixar espaço para a sobremesa. Além de crumble de maçã (6€) e leite creme (4€), há mousse de chocolate (4€), cremosa e doce na medida certa. É fácil de perceber porque é que é a favorita.
Rua Coelho da Rocha, 63 (Campo de Ourique). Ter 12.00-15.30 e 19.00-22.30, Qua-Qui 12.00-15.30 e 18.30-22.30, Sex-Sáb 12.00-00.00
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