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A crise de 2011 também tem culpa na escalada dos preços da habitação

Escrito por
Renata Lima Lobo
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O debate sobre o impacto do turismo na cidade está aberto na Assembleia Municipal de Lisboa. Espreitámos a primeira sessão.

Ai os turistas, ai a especulação, ai a habitação. Os queixumes nas conversas de café passaram para o principal fórum da cidade e logo na primeira sessão de debates públicos baptizados de “O Impacto do Turismo em Lisboa”, que decorreu na Assembleia Municipal de Lisboa, o tema que esteve em cima da mesa foi Especulação Imobiliária — Investimento Estrangeiro.

E a primeira voz que se fez ouvir foi a de Manuel Salgado – vereador municipal com os pelouros do Planeamento, Urbanismo, Património e Obras Municipais – que esteve presente em representação da Câmara Municipal de Lisboa. Depois de nos guiar por uma viagem sobre a habitação em Portugal desde os anos 70 (ficámos a saber que em 1975 havia uma carência de cerca de 500 mil fogos em Lisboa), e dos factores que hoje tornam a cidade apetecível para investidores, concluiu que é fundamental a alteração do regime fiscal no sentido de “discriminar positivamente o arrendamento permanente e de longa duração”. Assim como aumentar a oferta para arrendamentos a longo prazo e para casa própria – Salgado sublinhou que é necessário aumentar o património fundiário municipal, que “é finito”, através da cedência de lotes ou fogos por parte da administração central. Nos vários números adiantados pelo vereador, estão estes que nos falam sobre a carência de habitação em Lisboa: foram construídos em Lisboa cerca de 38 mil fogos entre 2001 e 2011. Desde então, foram criados apenas 1760, o que contribuiu para a subida dos preços das casas. Já Vera Barros, economista e especialista em turismo, sugere uma maior colecção de dados sobre o impacto do turismo que complemente a informação dos Censos, lembrando que “dez anos é uma eternidade nas cidades”.

O debate decorreu numa sala com capacidade para 700 pessoas, mas estiveram apenas algumas dezenas na iniciativa que nasceu de uma proposta do MPT e que levou ao principal fórum da cidade o tema que mais discussões movimenta em Lisboa. Agora estão a ser feitas em sede própria, e a segunda sessão, que acontece a 27 de Novembro, terá como tema Impacto Social e Turistificação. Todos os lisboetas estão convidados a encher a plateia e quem quiser também pode tomar a palavra mediante inscrição, que é feita antes do início de cada sessão. Oradores convidados, público e deputados municipais dizem de sua justiça, e dos debates irá resultar um relatório final com uma proposta que será submetida à AML.

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