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A Nata do bairro
Gabriell Vieira

A Nata do Bairro saiu do forno e chegou a Algés

Onde antes era uma igreja hoje é uma casa de devoção ao senhor da pastelaria portuguesa: o pastel de nata.

Escrito por
Joana Moreira
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Não se pode dizer que em Algés não havia pastéis de nata. Bastava entrar em qualquer um dos cafés e pastelarias da zona para os encontrar. Mas não existia uma casa dedicada ao clássico bolo português – até há um par de meses, quando a Nata do Bairro se instalou na Av. Combatentes da Grande Guerra. 

A ideia estava há muitos anos na cabeça de Pedro, 47: “Nasci na Ajuda, sempre frequentei muito Belém... Além disso é o meu bolo preferido e é o único bolo que eu vejo em que a pessoa consegue comer um e leva para casa para oferecer. Duvido que alguém faça isso com uma bola de Berlim”. 

A pandemia foi o impulso para tirar o projecto do forno. Ele era director comercial numa empresa e despediu-se. Ela desdobrou-se entre o emprego e o espaço. Sem nenhuma experiência em restauração, Pedro e Carla Gouveia atiraram-se de cabeça. Procuraram fornecedores, experimentaram produtos, fizeram pesquisa. “Há sempre receios”, confessa Carla, 49, que vive há mais de 40 anos em Algés e por isso conhece bem a realidade do bairro. “Esta é uma zona de alguma forma histórica, com uma história de comércio antigo. As pessoas faziam compras nesta avenida, era muito rica em lojas. Aparecer este espaço aqui [disponível] foi ouro sobre azul. Um dos objectivos na nossa presença é também ajudar a recuperar o comércio local”, conta. 

A nata do bairro
Gabriell Vieira

A viver a dois passos dali, sabem bem o que outrora ocupava aquela exacta morada: uma igreja evangélica. Ninguém diria, já que só se manteve a porta antiga e os mármores originais. Há, no entanto, quem tenha o lugar na memória: “Já tivemos pessoas que nos disseram que casaram aqui dentro”, conta Carla. “É um espaço abençoado”, brinca. 

É o tom dos pastéis que inspira a decoração, com uma parede preta e cadeiras amarelas. O forno está à vista, ainda que o perfume do que lá de dentro sai se sinta mesmo antes de entrar. Um pastel de natal custa 1€, uma caixa de meia dúzia custa 5,50€. “As pessoas não comem todos os dias pastel de nata”, lembra Pedro e por isso também há salgados. O grande destaque da carta, mas que não chega ao protagonismo do pastel, são as empadas, que têm direito a uma vitrine inteira. Existem em seis variedades: cozido à portuguesa (1,60€), cogumelos e alho francês (1,40€), requeijão e espinafres (1,40€), galinha (1,40€), leitão (1,40€) e farinheira com espinafres (1,40€). 

Os devotos do pão aqui o encontram em algumas qualidades: abóbora e nozes (0,80€), mistura de trigo e centeio com malte (0,45€), são lourenço (0,35€) e bolo do caco (0,75€). Também há tostas, torradas e gelados artesanais da marca portuguesa Fini. 

Nata do bairro
Gabriell Vieira

Para beber há bebidas quentes, do chá ao café (Nespresso), cerveja, alguns refrigerantes e sumo de laranja natural. Tudo o que possa acompanhar o senhor da casa. É que até beber o café (0,70€) puxa ao pastel de nata: se juntar o doce à cafeína a conta é de 1,50€. 

A contenção (ou simplicidade) na oferta foi uma escolha consciente para manter o foco no que dá nome ao sítio. As novidades chegarão, sim, mas em registo sazonal. Dentro de poucas semanas, por exemplo, há bolo rei e bolo rainha. No meio de cada um estará a virtude: um pastel de nata. 

Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, 109A (Algés) Ter-Sex 8.00-19.00 e Sáb-Dom 09.00-19.00

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