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A palhaçada é coisa séria: os candidatos do Chapitô

Chapitô (provas)
Inês Félix

Há novos talentos nos cursos do Chapitô, a mais conceituada escola de artes circenses do país. Fomos às provas de acesso, conhecemos três jovens candidatos e ficámos à conversa com Teresa Ricou.

A primeira fornada de artistas circenses do Chapitô formou-se no início dos anos 90, saídos de fresco do primeiro Curso de Expressão Circense desta casa. Um projecto educativo e social pensado por Teresa Ricou, ou Teté, a mulher-palhaço, o seu alter-ego profissional. No início do mês, acompanhámos as provas de acesso dos candidatos a alunos.

A esplanada do Chapitô, exclusiva para os alunos até ao final da tarde, está cheia. A expectativa era óbvia entre os jovens candidatos aos dois cursos da Escola de Circo do Chapitô – Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo (EPAOE), fundada em 1991: Interpretação e Animação Circense (IAF) e Cenografia, Figurinos e Adereços (CENFA). São cerca de 50 os candidatos que todos os anos tentam entrar no mundo criado por Teresa Ricou, um lugar especial, criativo, social, ecológico e muito, muito exigente.

“Há sempre gente interessada e é uma área onde todos têm trabalho, da área social à profissional”, explica Teresa Ricou, que lamenta esta fase “desbotada” da sociedade, que “perdeu a cor e o brilho”. “Nós somos esse brilho”, defende, sem deixar de tecer críticas à política cultural do país: “Há muito pouca resposta em Portugal. Está a funcionar, mas o investimento cultural é zero e não temos técnicos à altura que acompanhem estes jovens no mercado. O circo, enquanto instrumento de interação entre as partes, não está valorizado”. Para a fundadora do Chapitô, as boas práticas têm de estar sempre presentes e aliadas à responsabilidade e ao rigor que as artes circenses exigem, num projecto polivalente entre as artes, os ofícios, a cultura, a saúde e a inclusão. “Nada disto é comprado feito em pacotes, tem de ser uma coisa vivida. Existir não pode ser uma tormenta, tem de ser um prazer e estamos cá para o dar”, diz.

A Lívia (15 anos), o Tiago (16 anos) e a Inês (16 anos) são três futuros profissionais das artes do espectáculo. Sabemos isso agora, porque quando falámos com os candidatos, as provas ainda estavam a decorrer. Mas entretanto chegou-nos a informação: admitidos.

 

Lívia
Fotografia: Inês Félix

 

Lívia entrou no curso de Interpretação e Animação Circense e já ia bem preparada. Faz ginástica rítmica desde os 11 anos e desde os 12 que é membro da companhia de teatro-circo Gato Ruim, em Loures. O sonho mais alto? Integrar o Cirque du Soleil, o Circo de Monte Carlo ou mesmo abrir um ginásio onde possa ser treinadora de artes circenses.

 

Tiago
Fotografia: Inês Félix

 

No mesmo curso entrou Tiago, mas este aluno gosta é de palhaçada. “Sempre quis muito o teatro, especialmente a parte de ser palhaço. Adoro o lado artístico do teatro e da animação social”, explica. O trabalho de casa vinha bem preparado: além de animar festas de aniversário com balões e insufláveis, há um ano que aprende dança contemporânea na Sociedade Filarmónica Recreio Alverquense.

 

Inês
Fotografia: Inês Félix

 

Num futuro próximo poderão vir a trabalhar com Inês, admitida no curso de Cenografia, Figurinos e Adereços. Afinal, o Chapitô trabalha como se fosse uma grande companhia de teatro. A Inês já fez ginástica acrobática, mas como teve de interromper essa formação para aumentar as notas na escola, optou por outro talento que vai decorando as paredes lá de casa, mais ligado às artes plásticas. “Saí de Artes [do Ensino Geral], porque queria um curso mais específico”, conta. Enquanto que a Lívia e o Tiago andaram a fazer acrobacias, uma das provas desta aluna foi um desafio plástico: a partir de uma pintura, teve de escrever sobre a obra e recriá-la com a ajuda de materiais fornecidos pelo Chapitô (clips incluídos).

Estes são os caloiros, mas também pode conhecer os veteranos da escola que este mês apresentam as suas provas finais de curso na Tenda do Chapitô: a peça Lembra-me é apresentada sexta-feira (18.00 e 22.00), um trabalho poético de linguagem contemporânea; e Reflexos entra em cena terça-feira, no mesmo horário, uma reflexão sobre o ser humano e a sociedade. Conheça a programação completa em chapito.org.

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