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Tom Holland, Zendaya e Rosalía já estiveram neste café em Santos, mas é muito provável que não os vá encontrar. Fique-se então pelas omeletes e croissants, matcha e café de especialidade – ou pelo programa cultural e artístico.

Quem está atento às movimentações de certas celebridades, já deve ter ouvido falar do TIMS. O café que abriu em Março no edifício do Museu das Comunicações, em Santos, ficou viral nas redes sociais quando, em Abril, recebeu Rosalía, que estava de passagem por Lisboa para dois concertos na MEO Arena. Uns meses depois, foi a vez dos recém-casados Tom Holland e Zendaya. Houve quem perguntasse o que é que o casal comeu naquela segunda-feira de Agosto e, nos dias seguintes, quem se sentasse durante horas com o único propósito de os encontrar, partilha o proprietário Nikita Volkov. No entanto, defende o responsável, não são as visitas extraordinárias que tornam o TIMS atractivo – é antes tudo o resto. Ao pequeno-almoço e ao brunch, à pastelaria caseira e ao café de especialidade, junta-se uma animada programação artística e cultural.
“A nossa missão é criar espaços que melhoram o nosso quotidiano e que fazem parte da cultura e história da cidade”, resume o proprietário russo. “Tens a tua casa e o trabalho, e há algo entre os dois – um terceiro lugar. Essa foi a ideia. Há muitas pessoas que o frequentam que se tornaram clientes regulares e nossos amigos, porque nos vemos todos os dias, conversamos, eles trabalham e comem aqui”, continua. No fundo, o objectivo é criar uma comunidade.
Num dos eixos dessa missão está o Aea: Culture Initiative, um laboratório cultural independente que procura juntar investigadores, artistas, arquitectos, designers, escritores e curadores, locais e estrangeiros, para projectos de criação colaborativa. É dentro do café, no chamado Aea Space (ou seja, um pouco por todo o espaço), que a plataforma organiza workshops, exposições ou conversas.
“Pensámos que precisaríamos de algo diferente e queríamos ligar-nos a programas artísticos. Quem está por detrás desta organização sem fins lucrativos são as arquitectas e designers do estúdio NWDS que trabalharam no espaço do TIMS”, explica. “A [artista] Inês Magalhães conduziu um workshop fantástico. Colocou-se papel branco sobre o chão, pôs-se música e a Inês guiou as pessoas, que foram pintando livremente.”
Até 25 de Setembro, o dia em que inaugura a próxima exposição temporária, ainda é possível ver algumas obras de Inês Magalhães ou de Anastasia Belinskaya expostas nas paredes, assim como uma peça de Camila Almeida, composta por terra, raízes e dois naperons bordados, que está posicionada no centro da estrutura de madeira, com diferentes níveis, que ocupa a maioria do espaço e serve de bancos para as mesas. No comprido pano que pende do tecto estão mais fotografias e uma breve explicação sobre o projecto do Aea: Culture Initiative.
A arte percorre quase todo o café, pintado de cores sóbrias. Numa estante azul-clara, revistas e livros convivem com as capas dos discos de Rosalía, Maro e do australiano RY X – todas elas assinadas pelos respectivos artistas. A cozinha é aberta para a sala e fica junto ao balcão, que, logo pela manhã, está recheado de pastelaria caseira: há especialidades eslavas, como o monkey bread, bolo doce de textura viscosa que leva canela; escandinavas, como o rolo de cardamomo ou de canela; e francesas, de que é exemplo o croissant ou o pain suisse. Também há sempre diferentes propostas sazonais. Arina e Shaquila são as responsáveis por esta parte, enquanto o chef Sergei Shumilov toma conta dos restantes pratos.
Desde logo há várias opções com ovos: omelete com stracciatella e enguia (13€) ou com caviar vermelho e molho holandês (17€), ovos mexidos com mortadela e parmesão (12€), ou ovos turcos (13€), que levam iogurte, nduja (enchido típico italiano), tomate seco e alcaparras em focaccia. Há hash brown com salmão fumado, ovo escalfado, molho holandês e tzatziki (13€); papas de aveia normais (8€) ou salgadas, com bacon, ovo e parmesão (11€); arroz doce (9€) com creme de baunilha e frutos vermelhos; ou trigo sarraceno com cogumelos, parmesão e azeite (11€). O último foi inspirado na mulher de Nikita, que come o prato todos os dias ao pequeno-almoço.
“Quando criámos o TIMS, houve muitas conversas com os chefs, com a minha mulher, com amigos. A maioria dos meus amigos trabalha na área da restauração, por isso fazemos imensas sessões de brainstorming em minha casa. É um trabalho colaborativo em todos os sentidos”, assegura Nikita, que é também proprietário de dois restaurantes de cozinha portuguesa – o Santelmo e o Pastanaga, em Santos. “Todos nós, incluindo o chef, a chef pasteleira e o chef barista, temos de comunicar e trabalhar juntos. Por exemplo, se estamos na época dos figos, então temos de colocá-los em todas as áreas – na pastelaria, numa salada, e nas bebidas.”
O pequeno-almoço TIMS – tal como o espaço, tem o nome do filho do dono, Tim – custa 12€ e inclui pão massa-mãe caseiro, ovo, pickles e alcaparras, manteiga com anchovas e parmesão, e queijo emmental e mortadela, ou salmão e guacamole.
A partir das 13.00 até às 17.00 fica disponível a carta de almoço. Os bestsellers são os flatbreads (11€-13€) – de trufa, tomate seco, ou mortadela –, aos quais se seguem as pastas com enguia e cogumelos (14€) ou com stracciatella e molho de tomate (12€). O mcmuffin burger (12€) com ovo, queijo emmental, pickles e molho da casa em bolo do caco caseiro também pode ser pedido de manhã.
No campo do café, da Wave Coffee Roasters e da Coffee Collective, e do matcha, das marcas Matchasome e Michi, não faltam os básicos e indispensáveis. Contudo, destaque para as bebidas de assinatura: a cascara fizz (4,70€) é feita com casca de grão de café fermentada; o cold brew de cereja (4,80€) é café de filtro com espuma de cereja; o matcha layers de morango (5,60€) leva xarope de morango; o ice cacao de cereja (4,80€) é cacau cerimonial com xarope de cereja. Também há limonada de pepino e maracujá (4,80€), e uma paloma (5,20€) com mezcal sem álcool e refrigerante de toranja.
“Agora, queremos começar a produzir mais e estamos a pensar como podemos fazê-lo. Talvez produzir durante a noite para depois distribuir para outras localizações – mini TIMS. Não é fácil encontrar espaços grandes como este, por isso talvez criemos espaços mais pequenos em diferentes zonas”, adianta o proprietário, garantindo que, para já, é apenas uma ideia.
Rua Dom Luís I, 22 (Santos). Seg-Dom 08.30-17.00
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