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O segundo Instant Crunch abriu perto do Saldanha e dedica-se ao brunch com ovos, tostas e waffles. A tranquila esplanada interior é um verdadeiro chamariz (e tem uma horta de ervas aromáticas).

O espaço escolhido para abrir o novo Instant Crunch tinha de obedecer a uma condição, única e imprescindível: ter um jardim. Tal como aconteceu quando, em 2024, inauguraram o primeiro café no Príncipe Real, Dmitriy Burovik e Alina Moleshtianu queriam que as pessoas sentissem que “estão na quinta da avó”. E foi no 140A da Rua Pascoal de Melo, na Estefânia, que encontraram a sua “quinta”. “Para os portugueses [o jardim] remete para uma quinta, para os franceses, por exemplo, também. O nosso primeiro espaço tinha pertencido a um casal francês, então tínhamos muitos clientes franceses que nos diziam que sentiam que estavam na casa das suas avós, ou em Provença. Em vários países, as casas de campo são muito semelhantes”, começa por explicar o proprietário ucraniano.
Alguns detalhes, como os pratos floreados, procuram transportar-nos para esse universo, quer seja o interior português ou o sul de França. “Acredito que os avôs de muitas pessoas que vêm cá têm pratos semelhantes a estes”, brinca Dmitriy Burovik, que se mudou com a companheira em 2022 para Portugal, depois de ter vivido na Florida, nos EUA, onde trabalhava na área hoteleira. Por outro lado, estas escolhas são também uma forma de se diferenciar de outros negócios de brunch: “Tentar copiar não é uma boa maneira de trabalhar e não vai funcionar. Para ter sucesso, é preciso criar algo novo”, sublinha.
Foi com esse objectivo em mente que os proprietários do Instant Crunch decidiram trazer o chef Andrii Boyarskiy – que trabalhou no The Capsule Neo-Bistro (agora The Plate Brunch Bistro) –, para comandar a cozinha dos dois espaços. “Estava à procura de algo que fosse mais simples para qualquer pessoa. Quando estamos em fine dining, raramente há contacto com os clientes. Aqui, posso repetir pratos todos os dias, são fáceis de entender, mas têm sempre um elemento diferente”, descreve o chef ucraniano. “A minha fórmula é ter ingredientes acessíveis na maioria do prato e um ingrediente pouco usual. Se tiveres muitas técnicas e ingredientes diferentes, as pessoas ficam perdidas”, acrescenta.
Uma das paixões de Andrii Boyarskiy é a gastronomia asiática, por isso, existem algumas dessas influências na ementa. A kimchi melt (12€) é uma tosta de pão massa-mãe saborosa que leva queijo cheddar e kimchi caseiro, e é acompanhada de maionese japonesa e jalapeño em conserva; o mac and cheese (15€) é massa com molho de queijo, mas também leva yakitori de camarão e furikake; e a tosta de abacate (9€) leva furikake, além de guacamole, pepino, rabanete, e mix de ervas.
O prato favorito dos clientes é, no entanto, os ovos mexidos com croissant grelhado com queijo e abacate (13€). As waffles também são uma parte central do menu: com mascarpone e Nutella (9€); com cogumelos, ovo escalfado, molho de natas e soja, estragão e pistáchio (14€); com rosbife e queijo creme, ovo escalfado, cebola em conserva e molho holandês (14€) – esta é uma agradável surpresa –; e, finalmente, waffle de curgete com queijo creme, salmão e abacate (14€).
Há ainda shakshuka (12€), prato típico israelita que leva ovos escalfados com molho de tomate, iogurte, ervas, jalapeño e cebola, e pão a acompanhar; omelete (9€) e ovos benedict (15€-16€); e mais duas opções de almoço além do mac and cheese, que são o hambúrguer com molho de queijo e batatas fritas (15€), e o confit de frango com puré de batata e molho de mostarda (15€). Bolos como o cheesecake basco (5€) ou o bolo de laranja (5€), bem como as cookies (3,50€), são caseiros, enquanto o pão e os croissants chegam da Crust.
O café de especialidade é da alemã The Barn e da portuense Senzu, mas Dmitriy espera vir a trabalhar com mais torrefactores nacionais no futuro. Às bebidas habituais, juntam-se o latte de pipoca (5€); a limonada nitro cold brew (4€), que leva café gaseificado com nitrogénio; o espresso tónico (6€); ou o bumble (5€), café gelado com sumo de laranja natural. Há matcha, normal ou com morango (a fruta varia com a época), cocktails e vinhos portugueses, limonada e kombucha caseiras (ambas 4€). Esta última é feita com ervas aromáticas que são cultivadas numa pequena horta do jardim da esplanada interior.
“Queríamos ter uma horta no primeiro restaurante, mas não tínhamos espaço suficiente, porque o jardim é bastante reduzido. Como aqui tínhamos mais espaço, decidimos usar parte do mesmo para cultivar os nossos próprios produtos. Utilizamos sempre alguns na cozinha, como o alecrim, a salsa, e muitas outras”, afirma o proprietário, realçando a importância de usar produtos de boa qualidade, orgânicos e saudáveis. “Também temos morangos silvestres, mas não usamos porque, geralmente, as crianças comem-nos”, ri-se.
Afastada do rebuliço diário da rua, a esplanada interior, coberta de plantas e trepadeiras, é, sem dúvida, o lugar mais procurado para estar no café. Para quem não se importar com o barulho dos carros, pode sentar-se numa das três mesas da esplanada exterior, junto à entrada. O interior, decorado em verde, bege e madeira clara, também é agradável e tende a ser escolhido por quem traz o computador para trabalhar. O espaço senta mais de 100 pessoas e é bem maior do que o café no Príncipe Real.
Agora, Dmitriy e Alina querem perceber como o negócio corre nesta segunda localização, mas já têm planos para o futuro. “Queremos abrir mais, mas não sabemos onde nem quando. Estamos a pensar em novos locais, talvez o Porto, ou Espanha. A ideia é que o café seja bem-sucedido para se tornar uma cadeia”, adianta Dmitriy. É apenas uma questão de encontrar jardins escondidos no meio da cidade.
Rua Pascoal de Melo, 140A (Estefânia). Seg-Dom 08.30-16.00
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