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Onde antes morava o La Expo Dolce Vita, mantêm-se as opções italianas, agora com pratos típicos portugueses numa versão contemporânea.

O imponente forno continua lá, as pizzas e os risotos que garantiram clientes no passado também, mas o La Expo Dolce Vita reformou-se para dar lugar ao Alva, que, além dos sabores italianos que ali já existiam, acrescentou pratos portugueses a uma carta longa – que ainda vai crescer nos próximos meses.
“A minha mãe é cozinheira e os meus pais tinham há algum tempo o sonho de ter um restaurante. O dono do antigo espaço é amigo deles e demonstrou interesse em vender. Foi a junção de duas vontades”, conta à Time Out Solange Carvalho, que está à frente do projecto.
Na cozinha quem manda é António Alexandre, que foi chef executivo do Marriott e passou pela Bica do Sapato. Nos últimos anos desdobrou-se em consultorias de norte a sul do país e no estrangeiro, mas estava com vontade de voltar a ter algo mais estável. “O Alva foi apelativo porque podemos criar as bases para um novo conceito em Lisboa, que não é só de cozinha portuguesa e mediterrânica, mas é um espaço para ter uma experiência familiar, uma festa, ou uma simples refeição com conforto, com um bom serviço e produtos certificados com boa origem”, garante.
O melhor é começar mesmo pelo início. Nas entradas há gambas à guilho (14€), pica-pau do lombo com pickles caseiros (14€) ou cogumelos salteados (12€), que chegam em trio e se distinguem nos sabores, salpicados por amêndoa tostada, que junta crocância ao prato.
O bife tártaro com lombo de novilho e ovo de codorniz (14€) é fresco e bem temperado, acompanhado por tostas caseiras. A sopa rica do mar (6,50€) é servida à mesa, como será cada vez mais comum. “Queremos ter mais pratos finalizados na sala, à frente do cliente.”
Quem volta pelas pizzas já vai provando a nova carta, mas os sabores italianos continuam disponíveis. “Já tínhamos um forno, não íamos destruí-lo”, explica o chef. A diavola (16€), com salame picante, é a campeã de vendas. Também há de prosciutto e rúcula (16€) e 3 queijos (18€).
O risoto de gambas (19€) é também um dos mais pedidos. É cremoso e tem um ligeiro travo a limão, que torna o prato mais fresco. No topo, o presunto dá cor e textura. Quem preferir uma opção vegetariana, pode pedir o de abóbora assada e cogumelos (16€).
Na zona dos pratos italianos há dois cozinheiros que se revezam. As restantes opções, de fogão e forno, são asseguradas por 14 cozinheiros e ajudantes. Logo no dia em que abriu, 19 de Dezembro de 2025, a cozinha teve de dar resposta a mais de 100 refeições. “Por causa das obras, adiámos a abertura algumas vezes e para esse dia já tínhamos algumas reservas grandes”, recorda o chef.
O facto de o Alva estar numa praceta podia escondê-lo, mas a tranquilidade da localização, arejada e sem carros, atrai muitas famílias. Em breve, a esplanada poderá ser explorada na totalidade, o que se traduz em mais 100 lugares, a juntar aos 75 no interior. Aí, o ambiente é acolhedor, dominado por paredes de azulejos, plantas suspensas, candeeiros de verga e luzes quentes. Com um curso de design de interiores, Solange tinha uma ideia bem definida do que queria. “Não há nada mais português do que os azulejos. Os nossos pratos também são Vista Alegre e o mobiliário é de marcas nacionais.”
O nome Alva lê-se em letras grandes, num branco que se destaca sobre azulejos azuis, na parede que se ergue da cozinha aberta. O significado? O chef explica: “Tem a ver com renovação, com novo dia, com algo fresco e intenso”. Solange continua: “O Alva não nasceu de repente. Inicialmente íamos manter o conceito italiano, mas percebemos que tínhamos concorrência mesmo ao lado e, avaliando o mercado, vimos que havia na zona poucos restaurantes com identidade portuguesa e um certo glamour.”
Para já, domingo é dia de folga, mas isso mudará brevemente, já que o Alva deverá passar a funcionar sete dias por semana. A procura é já elevada. Ao jantar e aos fins-de-semana há grupos grandes e, para eles, há menus que podem ser adaptados consoante as preferências: podem ter pratos portugueses, italianos ou ambos.
Os almoços vivem sobretudo de pratos do dia – embora se mantenha o serviço à carta. O menu disponível de segunda a sexta-feira (15€) inclui o prato, uma bebida (refrigerante, imperial, vinho a copo ou água), sobremesa e café. Pode escolher entre uma pizza margherita, um risoto de cogumelos ou picanha. Além disso, há sempre dois pratos do dia. Por exemplo, à segunda-feira é bacalhau à Zé do Pipo e lombo de porco assado; à quinta-feira conte com massa de peixe e gambas com coentros e ragu de novilho com risoto nero e legumes.
A partir de Março juntam-se à carta petiscos entre as 15.00 e as 19.00 e estão previstos jantares vínicos duas vezes por mês (o próximo acontece já a 6 de Março). Até lá, há para provar bochechas de porco com vinho tinto, batata, aipo e cogumelos (19€) e lombo de novilho com batata, esparregado, presunto e ovo (25€). Disponíveis estão também pratos saídos diretamente da grelha, seja picanha (19€, 200gr), t-bone (38€, 400gr) ou o peixe do dia (19€).
Para acompanhar há vinhos, mas também inúmeros cocktails com a assinatura de Miguel Andrade, responsável pelo bar. A margarita de chocolate (13€) é uma edição especial e o mais clássico paloma (9€) junta sumo de lima, toranja e tequila.
Para o chef António Alexandre, há três elementos importantes num prato: sabor, aroma e cor. Isso é visível no polvo assado (25€), uma das estrelas da casa, que se faz acompanhar por batata, brócolos, pimentos e amêndoas. Já ao lombo de bacalhau confitado (24€) junta-se batata doce, beterraba e brócolos. E há ainda opções vegetarianas e infantis.
Para terminar, os doces mais típicos não desiludem, seja a mousse de chocolate (5,50€) ou bolo de bolacha com doce de leite e amêndoa (5,50€). A torta de laranja é caseira, húmida e acompanhada por um sumo cítrico que refresca e reforça o sabor. O tiramisu é quase sempre feito no momento (só quando há grupos grandes é que é preciso antecipar).
O chef quer mudar o menu quatro vezes por ano. “Já é um defeito profissional. Há pratos que dão para todas as épocas, mas quero que os clientes tenham sempre alguma novidade.” Não é a única ambição: “O Alva irá surgir noutros locais, já estamos a pensar nisso”, revela António Alexandre. “Achamos que tem potencial para se transformar numa marca, uma identidade”, completa Solange Carvalho.
Alameda dos Oceanos n° 41 C D E (Parque das Nações). 913 192 863. Seg-Sáb 12.00-23.00
A Gala Michelin aproxima-se – e nós já sabemos alguns detalhes sobre a cerimónia de 10 de Março. Antes disso, aconteceu o relançamento de Henrique Sá Pessoa, fora do grupo Plateform – e o chef espera nada menos do que duas estrelas Michelin no novo restaurante. "Até ambiciono mais", disse em entrevista à Time Out. Leia ainda sobre os novos Polémico, Entropia, Adega Etelvina, Temakiko e Patife.
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