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Aprenda a ser um agricultor urbano com a ajuda de três guias gratuitos

Porque há um mundo por lavrar em Lisboa, o município lançou três guias para hortelãos que vivem na urbe.

Renata Lima Lobo
Escrito por
Renata Lima Lobo
Jornalista
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O desenvolvimento da agricultura urbana tem sido uma aposta da Câmara Municipal de Lisboa desde 2007 e hoje a cidade tem cerca de 800 talhões – se só contarmos com os que são atribuídos pela autarquia e estão distribuídos por 20 Parques Hortícolas Municipais. Um número que pode subir se juntarmos as hortas comunitárias e privadas. Recentemente, inaugurou no Museu de Lisboa – Palácio Pimenta a exposição Hortas de Lisboa, que dá a conhecer a história hortícola da cidade, e nesse mesmo local foram depois apresentadas três publicações que desafiam os lisboetas a calçar as galochas e abraçar não só as plantas, como um futuro mais sustentável. "Sabemos que o território é finito, mas vamos conseguir ter mais espaço para hortas e, no início de 2021, vamos atribuir mais 50 talhões para cultivo”, anunciou o vereador do Ambiente, José Sá Fernandes, durante a apresentação.

O Guia de Boas Práticas para a Agricultura Urbana, o Guia de Boas Práticas para Hortas em Pátios e Varandas e Levantamento do Património Vegetal Cultivado nos Parques Hortícolas de Lisboa são as publicações integradas na colecção Lisboa Capital Verde Informa, às quais pode aceder online gratuitamente e que o vão tornar um mestre da plantação. E, quem sabe, da culinária, mas isso é noutro campeonato, embora paralelo. É que a atribuição dos talhões pressupõe que a produção sirva para consumo próprio e que contribua para uma vida mais sustentável e uma alimentação mais saudável.

As publicações destinam-se (não só, mas principalmente) a "novos agricultores" que não receberam ensinamentos de antepassados rurais, mas que acalentam a vontade de cultivar a terra e querem produzir parte da sua alimentação em pequenas hortas. O Guia de Boas Práticas para a Agricultura Urbana está dividido em "25 conhecimentos" que facilitam a sustentabilidade do seu mini-projecto rural, desde a planificação da horta à gestão da água e épocas de sementeira. Explica a importância de ter atenção à orientação solar dos canteiros ou linhas de cultivo ou de avaliar o acesso à água para rega. E ainda dá umas receitas para proteger as suas culturas, como a fermentação de urtigas ou maceração de alho para fazer inseticidas orgânicos. Neste livro também se fala de fertilização e inclui, por exemplo, uma lista de materiais próprios e impróprios para a comportarem. Folhas de chá, sim, restos de comida cozinhada, não.

Se não tiver um terreno, mas sim um pequeno espaço ao ar livre em casa, este é para si. O Guia de Boas Práticas para Hortas em Pátios e Varandas oferece “25 orientações” para quem tem pátios e varandas na cidade, espaços com potencial de cultivo de plantas aromáticas e condimentares, vagens, frutos, bagas ou mesmo pequenas árvores de fruto se tiver um quintal simpático. Outra vantagem destes espaços é que podem contribuir para o aumento da biodiversidade de Lisboa, uma bela notícia do ponto de vista ambiental. Outra dica sustentável deste livro é que faça os seus próprios recipientes através da reciclagem de materiais, como hortas verticais a partir de paletes. Canteiros em madeira ou de plástico reciclado também têm o aval deste guia, que até sugere que plante feijão verde de trepar num vaso junto às grades da varanda para ter onde se agarrar enquanto cresce. O distanciamento das plantas é outro factor importante: sabia que deve plantar alfaces com cerca de 8 a 10 cm de distância entre elas? E que a presença de joaninhas alerta para o ataque de afídeos (pulgões ou piolhos)? É verdade, aquele insecto de ar afável e tranquilo é na verdade um implacável predador desta praga.

E chegamos ao terceiro guia, que se chama Levantamento do Património Vegetal Cultivado nos Parques Hortícolas de Lisboa e revela grande parte do património vegetal destes parques, onde se podem encontrar não só variedades tradicionais portuguesas, mas também de outros países, porque aqui também se semeia uma cidade multicultural. A recolha deste património pelos Serviços da Câmara foi feita em parceria com a Associação Colher para Semear – Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais, que tem por principal objectivo a preservação do património agrícola vegetal nacional, numa tentativa de inverter a perda de biodiversidade, através da recolha, cultivo e catalogação das variedades regionais. A lista que consta deste último guia resulta de uma campanha que começou em Março de 2019 em sete parques seleccionados: Vale de Chelas, Carnide, Vale Fundão, Quinta Conde D’Arcos, Rio Seco IV, Quinta das Flores e Quinta da Granja.


Alguma vez na vida ouviu falar destas espécies?

Mogango
©JH Mora/ WikipédiaMogango

Mogango
Não é uma gralha, é mesmo o nome desta robusta abóbora de folhas largas e de cor verde escuro ou creme alaranjado, salpicada por pontos brancos.
Onde? Parque Hortícola da Quinta da Granja

Nora Refegada
É um pimento doce, pequeno e achatado com forma de flor, de comprimento médio.
Onde? Parque Hortícola de Carnide

Carrega Burros
Não parece, mas é o nome de um feijoeiro rasteiro, muito produtivo. A vagem é curta, estreita e verde clara e o grão em tons de branco. Deve ser consumido seco.
Onde? Parque Hortícola do Vale de Chelas

Roxo Prostrado
É um alho roxo, mas não perde o ânimo. O guia explica que é uma variedade representativa das estirpes nacionais, com “bolbos de calibre avantajado” e “dentes simetricamente posicionados”.
Onde? Parque Hortícola da Quinta do Conde d’Arcos

Escangalhado
É talvez injusto o nome que deram a este tomateiro, já que é “muito vigoroso e produtivo”. De cor vermelha alaranjada, tem uma polpa densa e sumarenta.
Onde? Parque Hortícola do Vale Fundão

Branco de Pipoca
É um cereal muito consumido na Ásia e em África e tem uma cana semelhante à do milho. Na espiga estão alojadas sementes em forma de cacho com grãos arredondados.
Onde? Parque Hortícola do Vale de Chelas

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