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Arquitectura, design e arte: 30 anos de Didier Fiúza Faustino na nova exposição do maat

O Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia inaugurou na última quarta-feira, dia 5, duas novas exposições e uma projecção. Dividida em duas salas, “EXIST/RESIST” condensa quase 30 anos de carreira do artista e arquitecto franco-português Didier Fiúza Faustino.

Margarida Coutinho
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Margarida Coutinho
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MAATNOVASEXPOSIÇÕESOUTUBRO2022_FRP, 04/10/2022
Francisco Romão Pereira / Time Out“EXIST/RESIST", de Didier Fiúza Faustino, é uma das novas exposições do maat
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No dia em que completou seis anos de existência, 5 de Outubro, o maat – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia inaugurou duas novas exposições e uma projecção na Sala Estúdio. “EXIST/RESIST” de Didier Fiúza Faustino, experimentalista franco-português, é a exposição que ocupa a Galeria Oval, assim como uma segunda sala mais pequena. Instalações, filmes, esculturas, projectos editoriais ou de arquitectura são algumas das peças que fazem parte desta exposição que atravessa a carreira de Didier, desde 1995 até hoje. No mesmo piso, encontra-se também a exposição “Prémio Novos Artistas Fundação EDP 2022” que reúne obras dos seis artistas finalistas. A Sala Estúdio, antiga Video Room, recebe a instalação de arte multimédia “Celeste V3” do artista espanhol Solimán López. As duas novas exposições ficam patentes até Março e Fevereiro de 2023, respectivamente. Já a projecção só pode ser vista até dia 31 deste mês.

“O grande desafio foi construir uma arquitectura na arquitectura”, explica à Time Out Didier Fiúza Faustino, durante a visita de imprensa, um dia antes da exposição abrir as portas ao público. O franco-português, que combina arquitectura, design e arte, define-se como um “artista arquitecto” e confessou ter dificuldade em fazer uma retrospectiva da sua carreira. “É mais uma prospectiva”, anuncia antes mesmo de começar a visita. Com curadoria de Pelin Tan, “EXIST/RESIST” divide-se em duas salas: a Galeria Oval e uma sala mais pequena, a poucos passos de distância. A primeira é dedicada a obras mais antigas e empréstimos de colecções nacionais e internacionais, e a segunda a instalações inéditas e peças reeditadas. “É a primeira vez que [Didier Fiúza Faustino] faz uma exposição desta amplitude num museu”, aponta João Pinharanda, director artístico do maat.  “EXIST/RESIST” ainda faz parte da programação da antiga directora artística do museu, Beatrice Leanza.

MAATNOVASEXPOSIÇÕESOUTUBRO2022_FRP, 04/10/2022
Francisco Romão Pereira / Time Out'Ass Wall' é uma das peças principais de “EXIST/RESIST”, que pertence à colecção Fundação de Serralves

No total, a exposição é composta por mais de 50 peças que se dividem entre objectos, filmes, desenhos, fotos e instalações. “Queria mesmo reactivar o Ass Wall, que está na colecção Fundação de Serralves, e fazer reviver a peça fundamental que é a Democracia Portátil”, partilha o arquitecto. A primeira peça (2003) encontra-se logo no início da exposição, na Galeria Oval, e trata-se de “um muro onde podemos entrar pelo exterior.  A arquitectura permite ao espectador excluir-se do museu, passando ele a ser a obra de arte”. Já a Democracia Portátil (2016-2022) é uma imponente estrutura móvel em aço galvanizado que pode ser “deslocada e instalada na parte traseira de uma camioneta”, lê-se no guia de visita.  “É um projecto itinerante que tinha sido pensado para ser levado de aldeia em aldeia do México até à fronteira com os EUA para dar às pessoas um sítio onde trocar pensamentos”, explica Didier Fiúza Faustino. Agora, a instalação vista pelo autor como um “cofre da palavra” volta ao activo dentro das paredes do maat com palestras, concertos e conversas com o autor. “A peça passa a fazer parte da coleção EDP e o Didier vai arranjar um lugar provisório exterior onde será activada em vários momentos”, revela João Pinharanda.

MAATNOVASEXPOSIÇÕESOUTUBRO2022_FRP, 04/10/2022
Francisco Romão Pereira / Time Out'Democracia Portátil', a peça da exposição de Didier Fiúza Faustino que agora faz parte da coleção EDP

Ao entrar na segunda sala da exposição, ouve-se em repetição a frase “não confiem nos arquitectos” em línguas como português, inglês, chinês ou italiano. “É uma forma de dizer que o importante é ter dúvidas e aceitar ter dúvidas”, explica o artista. A par da instalação sonora, encontram-se também outras peças como a recém-criada Too late for Tomorrow (2022), uma frase em neón que pretende estimular a reflexão sobre o futuro, e o conjunto de vídeos da série Exploring Dead Buildings (2010, 2015).

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Francisco Romão Pereira / Time OutA segunda sala da exposição de Didier Fiúza Faustino é dedicada a instalações inéditas e peças reeditadas

Uma sala cheia de (novo) talento

“Apesar de estarmos a falar do prémio Novos Artistas, estes artistas não são assim tão novos. Não estou a falar da idade, mas da prática. Todos já têm uma prática algo consolidada”, introduz Luísa Santos, uma das responsáveis pela curadoria da segunda exposição recém-inaugurada. Depois de 700 candidaturas, Luísa Santos, Luís Silva e Sara Antónia Matos, jurados e responsáveis pela curadoria, seleccionaram seis artistas que agora apresentam as suas obras na exposição “Prémio Novos Artistas Fundação EDP 2022”. Adriana Proganó, Andreia Santana, Bruno Zhu, Maria Trabulo, René Tavares e Rita Ferreira são os finalistas desta 14º edição. “É uma exposição colectiva onde há seis artistas individuais que criaram projectos novos que estão a ser apresentados e vão ser avaliados pelo júri que há de decidir o vencedor desta edição”, explica Luís Silva. O vencedor será seleccionado por um "júri internacional” e divulgado durante “a próxima semana”, de acordo com as declarações de João Pinharanda à RTP.

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Francisco Romão Pereira / Time OutRené Tavares é um dos finalistas do “Prémio Novos Artistas Fundação EDP 2022”

A exposição é composta por seis projectos independentes sobre temas como a preservação do legado cultural, as tácticas de sedução e protecção femininas ou as diferentes interpretações da História. “Todos os projectos são inéditos, mas surgem na continuidade de trabalhos que [os finalistas] têm vindo a desenvolver”, apresenta Sara Antónia Matos. Os trabalhos dos seis artistas podem ser visitados até dia 6 de Fevereiro de 2023.

Ainda no edifício do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, na pequena Sala Estúdio, inaugurou-se também a projecção “Celeste V3”, do artista espanhol Solimán López. Esta instalação de arte multimédia transporta-nos até ao céu de Lisboa e Valência através de imagens capturadas em tempo real por beacons instalados no topo do edifício do museu e no atelier de Solimán López, na Escola Superior de Arte e Tecnologia, em Valência. Esta instalação pretende pôr o espectador a refletir sobre “o que significam as fronteiras num mundo hiperconectado e as alterações climáticas que nos afectam a todos”, partilha o autor. O projecto ainda não está terminado e, de acordo com o artista, a ideia é juntar mais localizações, como a Venezuela. Na loja do maat, estão disponíveis prints de partes do céu, tal como vemos na projecção, que estão associados a um NFT. “Celeste V3” está patente até ao dia 31 deste mês.

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Francisco Romão Pereira / Time OutAlém das duas novas exposições, o maat inaugurou também a projecção “Celeste V3”

Maat – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. Avenida de Brasília (Belém). Qua-Seg 10.00-19.00. 6€-9€. 


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