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As Antiprincesas estão de volta

Antiprincesas
José Frade

Não se vestem de cor-de-rosa, dispensam a coroa e não foram educadas para falar baixinho, acenar e sorrir por tudo e por nada. Falámos com Cláudia Gaiolas, a antiprincesa que volta a trazer as Antiprincesas aos jardins da cidade.

Está a ver a Aurora, mais conhecida como Bela Adormecida? E Ariel, a Pequena Sereia? Ainda se lembra da inocente Branca de Neve, da injustiçada Cinderela ou da enfeitiçada Elsa, de Frozen? Esqueça os castelos, os vestidos de saia rodada, as coroas cintilantes e os superpoderes. Acima de tudo, esqueça os príncipes encantados que tudo salvam com espadas afiadas ou beijos apaixonados. A partir deste sábado, à boleia do Lisboa na Rua, o que as famílias podem ver são histórias de mulheres de verdade. “Mulheres intensas, audazes, bravas, corajosas – características normalmente associadas aos meninos. Queremos dizer que as meninas e os meninos podem ser tudo isto”, diz Cláudia Gaiolas, que em 2017 pegou na colecção de livros infantis Antiprincesas, das argentinas Nadia Fink e Pitu Saá, e a transformou em espectáculos para toda a família, em parceria com o Teatro São Luiz e a EGEAC.

E que mulheres são estas? A pintora mexicana Frida Khalo, a música chilena Violeta Parra, a guerreira boliviana Juana Azurduy e a escritora brasileira Clarice Lispector. São estas duas últimas heroínas que estão de volta para uma reposição em Lisboa: a militar destemida já este fim de semana, na Mata de Alvalade; a contadora de histórias sobre a alma humana ou galinhas fugitivas nos dias 28 e 29, no Jardim do Torel.

José Frade

 

“Não tenho uma antiprincesa favorita”, diz Cláudia à Time Out, como uma mãe a escolher o filho preferido. “Gosto muito da Frida e da Clarice, mas já as conhecia antes. A Juana e a Violeta eram duas figuras femininas que me eram quase desconhecidas. E é muito saboroso ver que as mulheres andam aí. Há mulheres inspiradoras. E são cada vez mais.”

Os espectáculos são intimistas e pedem a interacção do público. E, apesar de serem dirigidos a crianças, ninguém está aqui para dourar a pílula. “Fala-se de dor, de amor, de morte. Contamos as histórias delas, vidas que não foram fáceis, de uma forma lúdica e divertida, mas com verdade, não vamos adocicar”, alerta Cláudia.

José Frade

 

Até ao fim de Setembro, aos miúdos vão ficar a saber que Juana Azurduy lutou pela independência da Bolívia com os filhos às costas. Viu-os morrer a todos. Já Clarice Lispector escrevia tanto, tanto, tanto, e tão intensamente, que deixou dois peixinhos morrer no aquário por falta de comida. Será a assistência capaz de as perdoar?

Juana Azurduy: Mata de Alvalade, Sáb (14) e Dom (15). Clarice Lispector: Jardim do Torel, 28 e 29 Set. Espectáculos às 11.00 e às 16.00. Entrada livre. 

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