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Ovelhas a pastar em Lisboa
©Gabriell VieiraA pastagem no Parque da Belavista Sul

As ovelhas vão pastar para o Parque da Belavista

As ovelhas juntaram-se à luta contra as alterações climáticas em Lisboa. Fomos visitá-las ao prado.

Por Renata Lima Lobo
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Não fique surpreendido se se cruzar com um rebanho de ovelhas em pleno Parque da Belavista Sul. São elas os mais importantes activos da primeira fase de uma das acções do LIFE LUNGS, um projecto coordenado pela Câmara Municipal de Lisboa que resulta da entrada do município no programa LIFE, o instrumento de financiamento da União Europeia para o ambiente e a acção climática.

Na manhã da passada sexta-feira, 18 de Dezembro, 23 ovelhas saíram da Quinta Pedagógica dos Olivais rumo à Belavista para um passeio no prado que se irá repetir por 14 vezes até ao dia 10 de Maio. A sua missão é importante: fazer a manutenção da infraestrutura verde, reduzir o esforço humano e também o consumo de energia associados ao corte tradicional, entre outros benefícios que contribuem para a estabilização do solo e controlo da taxa de erosão.

Ovelhas a pastar em Lisboa
©Gabriell VieiraA pastagem no Parque da Belavista Sul

Esta primeira fase do pastoreio de animais foi desenvolvida com o apoio da Quinta Pedagógica dos Olivais, um equipamento público onde habitam ovinos das raças Cruzada, Campaniça e Merino Preto, esta última em vias de extinção. E a experiência ambiental iniciou-se numa área do Parque da Belavista Sul onde foi instalado um prado de sequeiro biodiverso, a definição para as culturas que brotam em terrenos não regados. Um espaço de 2,6 hectares, rico em leguminosas, com “alto poder de fixação de carbono e azoto estável”, resiliente e promotor da “biodiversidade florística”, explica a Câmara Municipal de Lisboa.

A acção de pastoreio – que tem como nome oficial “Rebanho de ovelhas como agente urbano não mecânico de controlo de vegetação e conservação do solo” – estará no terreno até Maio, altura em que será feito um relatório de avaliação, que irá ponderar critérios como uma presença assídua deste parque: os cães. Passaram alguns durante a hora em que estivemos junto ao rebanho e era notória a reacção de defesa das ovelhas assim que sentiam a presença de um cão, juntando-se umas às outras e encarando de frente o “inimigo”. Sem motivos, porque os patudos foram todos amigáveis, embora curiosos com aqueles bichos lanosos, que estão bem seguros dentro de uma cerca móvel colocada em seu redor, que vai mudando de local a cada visita, consoante as necessidades do terreno.

A ideia é que numa segunda fase o município possa ter as suas próprias ovelhas e até aproveitar para fazer, por exemplo, pequenas produções de leite. Para acolher os animais está a ser construído um ovil, a partir da remodelação de uma estrutura existente no parque, mesmo ao lado do local onde decorreu a pastagem. Será testado no próximo mês de Abril por este rebanho pioneiro, que ficará ali alojado durante 11 dias. Mas o Parque da Belavista não será o único espaço verde a integrar este projecto. Está previsto o transporte de ovelhas para outras áreas da cidade com prados, como o Parque do Alto da Ajuda.

Estas acções de pastoreio eram um desejo antigo do arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles (1922-2020), que é agora cumprido com o LIFE LUNGS, que tem como parceiro a cidade de Málaga (Espanha) e um orçamento global de 2,7 milhões de euros. O prazo para a sua conclusão está fixado em meados de 2024 e é possível ir acompanhando o seu progresso em life-lungs.lisboa.pt.

Entretanto, pode visitar as ovelhas da Quinta Pedagógica dos Olivais, e muitos outros animais, de terça a sexta-feira das 09.00 às 17.00 e aos fins-de-semana entre as 10.00 e as 12.00 (em vez das 17.30), durante o actual Estado de Emergência. A entrada é gratuita.

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