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Bistrô Olympia: pratos de conforto com o glamour dos anos 1920

Já foi uma sala de espetáculos e um cinema, mas as últimas décadas deixaram o edifício em ruínas. Foi recuperado, transformado em hotel e tem agora um restaurante com pica pau, bochechas de porco e arroz de tomate cremoso.

Andreia Costa
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Andreia Costa
Bistrô Olympia
DR | Bistrô Olympia
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Na pequena Rua dos Condes, nos Restauradores, uma nova paragem dá nas vistas. Lá dentro, uma peça imponente, cheia de cores vibrantes e carregada de pequenas luzes está suspensa no lobby. Pode entrar e fotografar: a obra de Joana Vasconcelos do hotel Olympia Lis – tal como as outras valquírias que tem espalhadas pelo mundo – é para admirar sem pressa.

Está aqui devido a um pedido específico de José Frazão, o empresário que pegou nas ruínas deste edifício, um icónico cinema e sala de espectáculos que nasceu em 1911, e o transformou em boutique hotel. Inspira-se na memória cénica do antigo teatro e presta-lhe homenagem com tecidos, crochês, luzes, fitas e franjas. 

E se a Valquíria Olympia é o chamariz para empurrar as portas envidraçadas, o bar luminoso e os sofás de veludo do novo Bistrô Olympia, à direita da entrada, são o pretexto para ficar mais um pouco, a beber um cocktail ou a fazer uma refeição.

Bistrô Olympia
DRA Valquíria Olympia de Joana Vasconcelos na entrada do hotel Olympia

O restaurante (tal como o hotel) abriu as portas em Fevereiro e, apesar do ambiente clássico, é despretensioso. O menu tem raízes portuguesas com um toque contemporâneo e o que se encontra aqui é sobretudo comida de conforto, com assinatura do chef Bernardo Demoustier (que passou pelas cozinhas d’O Talho e do Bairro Alto Hotel). “A ideia era perceber o que é que o chef se sentia mais confortável a fazer, sendo um bistrô, sem complicar muito”, explica Alfredo Tavares, director do Olympia Lis Hotel, à Time Out. “Aquilo que queríamos era ter qualidade e eu acho que isso conseguimos.”

O pão de massa-mãe chega morno. A côdea é estaladiça e o miolo fofo, com o travo ligeiramente ácido que só a massa-mãe sabe ter. No couvert (4€) está também incluída manteiga artesanal, azeite virgem extra e tapenade de azeitona. 

A refeição pode ser só feita de petiscos, já que há inúmeras opções. Provámos o croquete de carne e mostarda Dijon (2,50€) e as gambas (16€) salteadas com muito alho e azeite, mas o pica-pau (19€), podem escrever (ou melhor, fica aqui escrito), é obrigatório. Os pedaços de carne são tenros e mal passados, envolvidos em pickles e um molho avinagrado que não vale deixar levar de volta para a cozinha. O pão pode dar uma mãozinha aqui – poupe-o com sabedoria. Há ainda cogumelos à Bulhão Pato (12€), bife tártaro de novilho (18€) e duas sopas: de cebola gratinada (8€) e de peixe (10€). 

Bistrô Olympia
DRO pica-pau do Bistrô Olympia

Virar a página

Dissemos que podia ficar só pelas entradas, mas não dissemos que devia – até porque há já uns quantos bestsellers na página que se segue no menu. Nos peixes, o filete de peixe galo (23€) chega à mesa enxuto e crocante, e faz-se acompanhar por um cremoso arroz de tomate e coentros. Sabe a comida de conforto e a memória. O bacalhau confitado (28€) descansa numa cama avinagrada de migas de couve e feijão frade. Os croutons acrescentam crocância.

Nas carnes, as bochechas de porco ibérico (24€) estão a ganhar fãs. A carne desfaz-se na boca, acompanhada por puré de batata trufado e cremoso. Da grelha sai o entrecôte marmoreado (32€), que não precisa de nada mais além de sal, mas arranja-se um espacinho para a batata frita (4€) ou o arroz de forno (6€). Estes são alguns dos acompanhamentos que é possível acrescentar também ao tradicional bife à portuguesa (24€) ou ao lombinho de porco ibérico grelhado (22€).

Nas propostas vegetarianas, há risotto de alcachofra (21€).

Bistrô Olympia
DRBife à portuguesa com arroz de forno, Bistrô Olympia

Ouve-se música francesa, com clássicos de Édith Piaf, mas também fado e jazz. A decoração ficou a cargo de Cristina Santos Silva, tendo sempre como base a era de ouro da década de 1920. Os sofás são de veludo vermelho, os candeeiros por cima das mesas têm franjas e há dourados por todo o lado. A cozinha é aberta, há cerca de 50 lugares e nos próximos tempos uma esplanada há-de acrescentar mais 18. Há quem chegue a meio da tarde e queira logo jantar. E pode – a cozinha está sempre pronta.

O bar, que senta 12 pessoas e funciona das 16.00 às 18.00, é impactante. Os azulejos vermelhos, discretamente iluminados, e os bancos coloridos são um convite descarado a que não vale a pena fugir. Na carta, além dos vinhos de várias zonas do país, em garrafa ou a copo, há uma vasta lista de cocktails. Os clássicos estão lá todos (9€), do daiquiri à margarita, passando pela caipirinha, mas a viagem pode fazer-se pelas sugestões de autor, inspiradas na história que já se viveu dentro destas paredes. O 1º ensaio (15€) é a reinterpretação de um clássico do século passado. Junta campari, bourbon, vermute tinto, bitters de toranja, smoke de canela e maple syrup. Do aromático para o fresco, segue-se o Olympia mule (15€), com vodka, ginjinha, sumo de lima, ginger beer e espuma de ginja. O avenida (14€) é descrito como “um brinde à cidade iluminada” e tem vodka, licor de framboesa, licor de laranja, sumo de limão, xarope de açúcar e magic foamer. 

Bistrô Olympia
DRO bar do Bistrô Olympia

Os loucos anos 20

Aqui já se viveram muitas vidas, apesar de já só restarem as histórias – quando o prédio foi comprado pelo grupo Lis não restava nada do original a não ser a fachada. O Olympia foi inaugurado em 1911 com espectáculos e em 1950 foi transformado em cinema, com westerns e thrillers. Nos anos 70 e 80 seguiram-se os filmes eróticos, até que as portas fecharam em 2001.

O edifício abandonado foi então comprado por Filipe La Féria, já que está a escassos metros do Politeama, para fazer uma escola de teatro, mas a ideia nunca se concretizou. Quando o actual administrador adquiriu o espaço foi já com o objectivo de transformá-lo num hotel. “Ele tinha uma ideia muito sólida, não queria mais um hotel, queria um hotel com identidade ligada à arte, àquilo que tinha sido o edifício, pelo menos na fase inicial dos anos 20”, diz Alfredo Tavares.

A rua que liga a Praça dos Restauradores à Rua das Portas de Santo Antão acaba por ser a localização perfeita para quem vai a um espectáculo naquela zona. “Temos notado que, quando há algo a acontecer no Coliseu ou no Politeama, há muita gente que pára aqui.”

Bistrô Olympia
DRA tarte de limão merengada do Bistrô Olympia

Fazendo uma refeição completa ou não, todos os caminhos vão dar às sobremesas. Destaque para o pudim do Lis (6€) com ovo, açúcar e uma base de amêndoa, como se um doce conventual se tratasse. A tarte de limão merengada (6€) está aperaltada para se apresentar à mesa: numa base oval de bolacha, vem o creme de limão com o merengue no topo. Fofa por cima, cremosa no meio e crocante em baixo, é fresca e um ponto final moderno para uma refeição com o conforto de antigamente.

Rua dos Condes, 17 (Restauradores). 211 524 920. Seg-Dom 12.00-22.30

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