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Já foi uma sala de espetáculos e um cinema, mas as últimas décadas deixaram o edifício em ruínas. Foi recuperado, transformado em hotel e tem agora um restaurante com pica pau, bochechas de porco e arroz de tomate cremoso.

Na pequena Rua dos Condes, nos Restauradores, uma nova paragem dá nas vistas. Lá dentro, uma peça imponente, cheia de cores vibrantes e carregada de pequenas luzes está suspensa no lobby. Pode entrar e fotografar: a obra de Joana Vasconcelos do hotel Olympia Lis – tal como as outras valquírias que tem espalhadas pelo mundo – é para admirar sem pressa.
Está aqui devido a um pedido específico de José Frazão, o empresário que pegou nas ruínas deste edifício, um icónico cinema e sala de espectáculos que nasceu em 1911, e o transformou em boutique hotel. Inspira-se na memória cénica do antigo teatro e presta-lhe homenagem com tecidos, crochês, luzes, fitas e franjas.
E se a Valquíria Olympia é o chamariz para empurrar as portas envidraçadas, o bar luminoso e os sofás de veludo do novo Bistrô Olympia, à direita da entrada, são o pretexto para ficar mais um pouco, a beber um cocktail ou a fazer uma refeição.
O restaurante (tal como o hotel) abriu as portas em Fevereiro e, apesar do ambiente clássico, é despretensioso. O menu tem raízes portuguesas com um toque contemporâneo e o que se encontra aqui é sobretudo comida de conforto, com assinatura do chef Bernardo Demoustier (que passou pelas cozinhas d’O Talho e do Bairro Alto Hotel). “A ideia era perceber o que é que o chef se sentia mais confortável a fazer, sendo um bistrô, sem complicar muito”, explica Alfredo Tavares, director do Olympia Lis Hotel, à Time Out. “Aquilo que queríamos era ter qualidade e eu acho que isso conseguimos.”
O pão de massa-mãe chega morno. A côdea é estaladiça e o miolo fofo, com o travo ligeiramente ácido que só a massa-mãe sabe ter. No couvert (4€) está também incluída manteiga artesanal, azeite virgem extra e tapenade de azeitona.
A refeição pode ser só feita de petiscos, já que há inúmeras opções. Provámos o croquete de carne e mostarda Dijon (2,50€) e as gambas (16€) salteadas com muito alho e azeite, mas o pica-pau (19€), podem escrever (ou melhor, fica aqui escrito), é obrigatório. Os pedaços de carne são tenros e mal passados, envolvidos em pickles e um molho avinagrado que não vale deixar levar de volta para a cozinha. O pão pode dar uma mãozinha aqui – poupe-o com sabedoria. Há ainda cogumelos à Bulhão Pato (12€), bife tártaro de novilho (18€) e duas sopas: de cebola gratinada (8€) e de peixe (10€).
Dissemos que podia ficar só pelas entradas, mas não dissemos que devia – até porque há já uns quantos bestsellers na página que se segue no menu. Nos peixes, o filete de peixe galo (23€) chega à mesa enxuto e crocante, e faz-se acompanhar por um cremoso arroz de tomate e coentros. Sabe a comida de conforto e a memória. O bacalhau confitado (28€) descansa numa cama avinagrada de migas de couve e feijão frade. Os croutons acrescentam crocância.
Nas carnes, as bochechas de porco ibérico (24€) estão a ganhar fãs. A carne desfaz-se na boca, acompanhada por puré de batata trufado e cremoso. Da grelha sai o entrecôte marmoreado (32€), que não precisa de nada mais além de sal, mas arranja-se um espacinho para a batata frita (4€) ou o arroz de forno (6€). Estes são alguns dos acompanhamentos que é possível acrescentar também ao tradicional bife à portuguesa (24€) ou ao lombinho de porco ibérico grelhado (22€).
Nas propostas vegetarianas, há risotto de alcachofra (21€).
Ouve-se música francesa, com clássicos de Édith Piaf, mas também fado e jazz. A decoração ficou a cargo de Cristina Santos Silva, tendo sempre como base a era de ouro da década de 1920. Os sofás são de veludo vermelho, os candeeiros por cima das mesas têm franjas e há dourados por todo o lado. A cozinha é aberta, há cerca de 50 lugares e nos próximos tempos uma esplanada há-de acrescentar mais 18. Há quem chegue a meio da tarde e queira logo jantar. E pode – a cozinha está sempre pronta.
O bar, que senta 12 pessoas e funciona das 16.00 às 18.00, é impactante. Os azulejos vermelhos, discretamente iluminados, e os bancos coloridos são um convite descarado a que não vale a pena fugir. Na carta, além dos vinhos de várias zonas do país, em garrafa ou a copo, há uma vasta lista de cocktails. Os clássicos estão lá todos (9€), do daiquiri à margarita, passando pela caipirinha, mas a viagem pode fazer-se pelas sugestões de autor, inspiradas na história que já se viveu dentro destas paredes. O 1º ensaio (15€) é a reinterpretação de um clássico do século passado. Junta campari, bourbon, vermute tinto, bitters de toranja, smoke de canela e maple syrup. Do aromático para o fresco, segue-se o Olympia mule (15€), com vodka, ginjinha, sumo de lima, ginger beer e espuma de ginja. O avenida (14€) é descrito como “um brinde à cidade iluminada” e tem vodka, licor de framboesa, licor de laranja, sumo de limão, xarope de açúcar e magic foamer.
Aqui já se viveram muitas vidas, apesar de já só restarem as histórias – quando o prédio foi comprado pelo grupo Lis não restava nada do original a não ser a fachada. O Olympia foi inaugurado em 1911 com espectáculos e em 1950 foi transformado em cinema, com westerns e thrillers. Nos anos 70 e 80 seguiram-se os filmes eróticos, até que as portas fecharam em 2001.
O edifício abandonado foi então comprado por Filipe La Féria, já que está a escassos metros do Politeama, para fazer uma escola de teatro, mas a ideia nunca se concretizou. Quando o actual administrador adquiriu o espaço foi já com o objectivo de transformá-lo num hotel. “Ele tinha uma ideia muito sólida, não queria mais um hotel, queria um hotel com identidade ligada à arte, àquilo que tinha sido o edifício, pelo menos na fase inicial dos anos 20”, diz Alfredo Tavares.
A rua que liga a Praça dos Restauradores à Rua das Portas de Santo Antão acaba por ser a localização perfeita para quem vai a um espectáculo naquela zona. “Temos notado que, quando há algo a acontecer no Coliseu ou no Politeama, há muita gente que pára aqui.”
Fazendo uma refeição completa ou não, todos os caminhos vão dar às sobremesas. Destaque para o pudim do Lis (6€) com ovo, açúcar e uma base de amêndoa, como se um doce conventual se tratasse. A tarte de limão merengada (6€) está aperaltada para se apresentar à mesa: numa base oval de bolacha, vem o creme de limão com o merengue no topo. Fofa por cima, cremosa no meio e crocante em baixo, é fresca e um ponto final moderno para uma refeição com o conforto de antigamente.
Rua dos Condes, 17 (Restauradores). 211 524 920. Seg-Dom 12.00-22.30
Com a chegada da Primavera, aproveite os dias longos ao ar livre com as melhores esplanadas e os melhores quiosques de Lisboa. Se tem a operação biquíni em curso, dizemos-lhe onde estão os melhores restaurantes saudáveis, das saladas às sobremesas – e aqui tem os melhores sítios para sumos naturais e smoothies. Para experiências mais completas, espreite as nossas listas com os 100 melhores restaurantes em Lisboa e com os melhores novos restaurantes da cidade. Já os melhores restaurantes pan-asiáticos põem-lhe (quase) toda a Ásia à mesa.
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